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18/10/2016
ENTREVISTA: ÁRBITRO GUSTAVO MATHIAS (SP)

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Experiente na arbitragem cadeirante, o jovem árbitro Gustavo Edson Mathias, de 34 anos, está buscando se firmar agora no basquete andante. Convocado pela FIBA Américas, Gustavo vai estrear em uma competição internacional ao lado dos árbitros Juliana Roveri e Eduardo Albano, durante o Campeonato Sul-Americano Sub-15 Feminino, que será realizado de 16 a 20 de novembro, em Ibarra, no Equador. Árbitro internacional do basquete em cadeira de rodas IWBF desde 2007 e no basquete andante FIBA desde 2012, Gustavo já participou de dois Jogos Paralímpicos (Londres/2012 e Rio de Janeiro/2016), três Jogos Parapan-Americanos (Rio de Janeiro/2007, Guadalajara/2011 e Toronto/2015), além de Campeonatos Mundiais de Cadeiras de Rodas. Agora, Gustavo inicia o caminho do sonho de arbitrar em uma edição dos Jogos Olímpicos.

Como foi para você receber o convite para o Sul-Americano Sub-15 Feminino, no Equador?

Representar o Brasil é uma honra e ao mesmo tempo uma grande responsabilidade, pois sempre que um árbitro brasileiro trabalha numa competição todos esperam um trabalho de qualidade. Fiquei muito feliz por essa convocação. Estou bastante motivado para encarar esse novo desafio.

Qual a expectativa para estrear em uma competição internacional pela FIBA?

Confesso que estou ansioso. Mas estou me preparando fisicamente e mentalmente para que isso não atrapalhe minha estreia, pois sei da importância dela para a sequência da minha carreira.

O que representa esse novo passo na sua carreira?

Esse novo passo representa o início real da minha carreira internacional, pois será a primeira vez que sairei do Brasil para representar meu país em competições organizadas pela FIBA.

Como é a sua preparação diária?

Procuro sempre ler as interpretações atualizadas da FIBA para continuar aprendendo, além de praticar corrida de rua para manter a forma física. Como amo esse esporte, sempre que não estou apitando estou assistindo jogos de basquete na televisão. Então estou sempre em contato com o basquetebol independente se é lazer ou trabalho.

Você é um experiente árbitro do basquete de Cadeiras de Rodas IWBF e já arbitrou em dois Jogos Paralímpicos. É muito diferente?

Arbitrar um jogo de basquete em Cadeira de Rodas é muito emocionante e de muita superação em quadra. Acho o basquete em Cadeira de Rodas mais difícil, pois as violações não são tão óbvias e os contatos são muito mais complicados para definir se houve ou não uma desvantagem. Mas a minha preparação é igual para as duas modalidades, fisicamente e mentalmente, mas o basquete de Cadeiras de Rodas possui mais regras e menos artigos e publicações em português. Além disso, os atletas são classificados em quadra pelas suas deficiências e acaba exigindo um estudo maior.

Como foram suas participações paralímpicas?

Emocionante e inesquecível. Quero um dia ter essa mesma emoção no basquete andante. Apitei nos Jogos Paralímpicos de Londres (2012) e agora no Rio de Janeiro (2016) tive a oportunidade de arbitrar o feminino e masculino. Foi muito bacana participar desse momento aqui no Brasil porque acaba sendo uma emoção diferente dentro do meu país. Esse ano apitei além da fase de grupos a semifinal entre Estados Unidos e Grã- Bretanha feminino.

Aonde espera chegar com o basquete andante?

Tenho que pensar sempre grande. E por isso eu miro bem alto e quero realizar o sonho de um dia arbitrar nos Jogos Olímpicos. Acho que a emoção e a ansiedade são a mesma, mas as histórias diferentes. Vou esperar o tempo que for necessário para fazer minha história também no basquete FIBA.

Quando se tornou árbitro internacional?

Sou árbitro internacional no basquetebol em Cadeira de Rodas IWBF desde 2007 e no basquetebol andante FIBA desde 2012. Ser aprovado na Clínica da FIBA foi muito legal. Lembro que eram muitos candidatos e quando saiu o resultado foi a realização de um sonho.

E por que basquete e arbitragem? Foi por influência de alguém?

Meu amor pelo basquetebol veio do meu pai, Adilson Edson Mathias, ele era jogador e me levava para as quadras desde quando eu tinha três anos de idade. Eu cheguei a jogar também, mas quando tinha 19 anos decidi parar e me dedicar aos estudos. Fiz faculdade de Educação Física, e foi quando comecei a trabalhar com arbitragem.

O que mais te motiva na arbitragem?

Com certeza, é o jogo de basquete em si. Quero sempre estar nos melhores jogos, com os melhores jogadores, vendo as melhores e as mais bonitas jogadas.

Como você recebeu o prêmio de árbitro "Revelação 2015/2016" do Campeonato Nacional?

Foi uma surpresa muito agradável. Eu não esperava e fiquei muito feliz pelo reconhecimento. Em 2012, já havia recebido esse reconhecimento da Federação Paulista de Basketball (FPB).

Em quais competições nacionais você já trabalhou?

Já trabalhei no Campeonato Brasileiro Sub-17 organizado pela CBB, Liga de Desenvolvimento (LDB), Liga Ouro, Liga de Basquete Feminino (LBF) e Novo Basquete Brasil (NBB).

Como é o trabalho de arbitragem realizado pela Federação Paulista?

Houve uma grande mudança na Coordenação da Arbitragem da Federação Paulista. O novo Coordenador André Luiz Almeida está trabalhando duro e realmente interessado na renovação e evolução da arbitragem paulista, mas o trabalho está apenas no início. Tenho certeza que teremos bons frutos.

Existe algum árbitro em quem você se espelhe?

O melhor árbitro que eu vi trabalhar foi o Carlos Renato dos Santos, o Renatinho. Desde quando comecei a apitar sempre o via como um exemplo a ser seguido dentro de quadra.

Qual a partida mais difícil que você já apitou?

O jogo mais difícil do basquete andante que já apitei foi uma semifinal do Campeonato Paulista entre Franca e Bauru, um clássico do interior de São Paulo. A rivalidade em quadra tornou o jogo muito difícil, sem falar da torcida.

E a regra que você acha mais difícil de aplicar na hora do jogo?

Os lances mais difíceis para um árbitro decidir no basquete atualmente são as faltas que os defensores fazem para evitar transições rápidas e contra-ataques.

Como se define como árbitro?

Defino-me como um árbitro persistente, que trabalha muito para errar cada vez menos.

De que maneira sua família influência na sua carreira de árbitro?

Sou nascido em Osvaldo Cruz, no interior de São Paulo, e no início da minha carreira muitas vezes precisei vir a São Paulo para fazer avaliações. Essas viagens eram pagas pela minha mãe que sempre me apoiou nas minhas escolhas, além dos meus tios Agnaldo e Cristina, que sempre me receberam e trataram como um filho. Hoje em dia tenho minha esposa Carolina que também trabalha com arbitragem e um filho, o Caio, de oito anos. Ele assiste aos meus jogos e até faz algumas críticas sobre minhas atuações. Os dois são meu suporte para manter sempre os pés no chão e continuar trabalhando para melhorar sempre.

Como é o Gustavo longe do basquete?

Fora do basquete sou um pai babão que gosta de fazer as vontades do meu filho. Gosto de passar o tempo com ele seja jogando vídeo game, futebol, basquete ou assistindo filmes e seriados.