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07/03/2003 - Fátima Aparecida da Silva

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A árbitra internacional Fátima Aparecida da Silva, de 35 anos, foi escolhida pela FIBA (Federação Internacional de Basketball) para representar o Brasil no 1º Campeonato Mundial Sub-21 Feminino, que acontece de 25 de julho a 3 de agosto, na Croácia. Apesar de já ter apitado em inúmeros eventos internacionais, como a Copa América e o Campeonato Sul-Americano, essa será a primeira participação da paulista em Mundiais. Fátima começou na arbitragem em 1986 e já participou de várias competições nacionais, dentre elas, a árbitra destaca o primeiro jogo da final do Campeonato Nacional Feminino de 2002, entre São Paulo/Guaru e Unimed/Americana, e o quinto jogo da final do Nacional Feminino de 1998, entre Fluminense e BCN/Osasco.

Quando e como foi o início de sua carreira?

Jogava basquete, mas tive que parar quando entrei na faculdade de Educação Física. Em 1986, depois de cursar a faculdade, fiz um curso de arbitragem. Naquela época, mulheres não apitavam jogos de basquete, então terminei o curso como oficial de mesa. Em algumas partidas, era designada para ser oficial de mesa, mas quando precisavam de árbitros, eu acabava apitando. Em 1987, surgiram algumas árbitras, como a Tatiana Steigerwald. Fiz outro curso de arbitragem e saí oficialmente como árbitra. Em 1994, faltava um árbitro para participar da Taça Brasil Feminina e a Federação Paulista me indicou. Apitei Unimed/Araçatuba x Lacta/Santo André. Foi uma partida maravilhosa, que teve prorrogação e terminou com o placar apertado. As pessoas elogiaram muito a minha atuação. Depois, apitei esse mesmo jogo na final do Campeonato Paulista, no ginásio do Ibirapuera lotado. Foi muito disputado, mas eu e os árbitros José Carlos Pelissari e Antônio Carlos Affini nos saímos muito bem. Essas duas partidas foram o meu cartão de visita. A partir daí, ganhei prestígio nacional.

Quais foram as competições internacionais que você já apitou?

Já participei de vários Campeonatos Sul-Americanos Femininos nas categorias adulta, juvenil e cadete. Apitei a Copa América Adulta Feminina de 2001, no Maranhão. Também fiz algumas excursões com a seleção feminina principal.

E as suas expectativas para o Campeonato Mundial na Croácia?

Essa é a minha primeira participação em Mundiais. Sempre sonhei em ir subindo nas categorias de arbitragem e, um dia, participar do evento maior do basquete. Ter sido escolhida pela FIBA para o Mundial Feminino Sub-21 é a realização de um sonho. É um prêmio já que existem tantos árbitros brasileiros de alto nível. Minha expectativa é fazer o melhor trabalho possível e representar bem o Brasil numa competição internacional.

Você está fazendo alguma preparação especial para a competição?

Pretendo continuar com a preparação física que já faço normalmente. Quero chegar bem fisicamente e tecnicamente no Mundial. Também pretendo aperfeiçoar o meu inglês, porque só tenho um conhecimento básico.

Como você analisa a nossa arbitragem?

Os árbitros brasileiros são muito bem vistos no exterior, mas dentro do país algumas mudanças são necessárias. O novo trabalho da CBB, coordenado pelo árbitro Geraldo Fontana, é uma iniciativa muito importante. É um grande passo em direção ao desenvolvimento de um padrão nacional. A arbitragem brasileira precisa crescer fora dos grandes centros do basquete, ganhando espaço em outros estados. Assim, novos árbitros vão aparecer, estimulando um processo de renovação.

Qual foi o jogo mais difícil que você já apitou?

O jogo Canadá e Argentina, durante a Copa América Feminina de 2001, no Maranhão. A terceira e última vaga para o Mundial estava em jogo. A Argentina venceu por apenas um ponto no último segundo. Foi uma partida muito importante, onde eu me esforcei ao máximo para não cometer nenhum erro que pudesse influenciar o resultado. O quinto jogo da final do Nacional Feminino de 1998, disputada entre Fluminense e BCN/Osasco, também foi muito difícil. Era a final da primeira edição do campeonato e o ginásio do Tijuca estava totalmente lotado, com mais de cinco mil pessoas. Felizmente deu tudo certo e devo destacar a presença de atletas excelentes que estavam em quadra, além dos técnicos Antônio Carlos Vendramini e Maria Helena Cardoso.

Cite as características para ser um bom árbitro?

Conhecimento das regras, condicionamento físico, muita paciência e psicologia. Precisamos saber ler o contexto do que acontece dentro e fora da quadra. Ter humildade também é muito importante. O árbitro não é o dono da verdade. Tentamos minimizar os erros, mas às vezes falhamos.