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07/02/2003 - Geraldo Miguel Fontana

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Depois de 21 anos de carreira e aos 41 anos de idade, o ex-árbitro Geraldo Miguel Fontana se prepara para enfrentar um desafio importante. Neste ano, foi convidado pela CBB para assumir o cargo de coordenador de arbitragem. Como árbitro da FIBA, Fontana participou de competições internacionais importantes, como os Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, e a Copa América de 1989, na Cidade do México. Sua última partida em 2002 foi na final do Campeonato Paulista. Ele pretende usar sua experiência para implantar as mudanças necessárias à arbitragem brasileira. Seus principais objetivos são a realização de clínicas em todo o país e a criação de uma punição mais rigorosa nos casos de indisciplina contra a equipe de arbitragem dos jogos.

Como foi o início de sua carreira?

Antes de começar a estudar Educação Física na USP, em 1981, já havia feito um curso de arbitragem. Nessa época, apitei os Jogos dos Bichos, a Copa USP e outras competições internas da universidade. Entrei na Federação Paulista e apitei os Jogos Escolares Brasileiros. Em 1982, fui árbitro na final do Torneio Preparação, disputada entre Franca e Monte Líbano, um clássico do basquete na época. Essa partida me deu projeção nacional e, a partir daí, apitei vários jogos importantes. Em 1983, fui escolhido como árbitro revelação. Em 1984, ganhei o troféu de melhor do ano e me tornei árbitro nacional. Em 1987, comecei a trabalhar em jogos internacionais. Durante a minha carreira, fui escolhido seis vezes como o melhor árbitro da Federação Paulista.

Quais competições e jogos internacionais você arbitrou?

Os principais jogos internacionais que eu apitei foram as Olimpíadas de 1992, em Barcelona, os Jogos Sul-Americanos de 1987, 1989, 1990 e 2000 e a final da Copa América de 1989, na Cidade do México, entre Estados Unidos e Porto Rico.

E qual foi a partida mais difícil que você apitou?

Foi o terceiro jogo da final do Campeonato Paulista, dia 19 de janeiro desse ano, disputada entre Uniara/Araraquara e COC/Ribeirão Preto. Foi um momento muito difícil para mim, porque essa foi a última partida que eu apitei.

Como surgiu a idéia de assumir a coordenação de arbitragem da CBB?

A COPABA (Confederação Pan-Americana de Basquete) e o ex-árbitro argentino Alberto Garcia, que está no comando da comissão de arbitragem da entidade, estabeleceram em 1999 que todos os países das Américas devem ter um coordenador de arbitragem. A CBB apostou no projeto de criar um cargo dessa responsabilidade no basquete brasileiro. Como já havia ministrado várias clínicas promovidas pela Confederação, fui convidado para comandar a arbitragem dos Jogos da Juventude. No final do Campeonato, analisei junto à entidade os resultados dessa experiência e avaliamos as condições para a criação do cargo de coordenador de arbitragem. Recebi, então, o convite para assumir esse cargo. Fiquei muito feliz. Foi um desejo pessoal que se concretizou.

O que você pretende fazer para padronizar e melhorar a arbitragem brasileira?

Para mim, o mais importante é a difusão de conhecimento. Os árbitros brasileiros precisam ter acesso a todas as informações disponíveis sobre arbitragem. Para isso, vamos ministrar clínicas em todo o Brasil e promover árbitros regionais para o âmbito nacional. Também realizaremos pesquisas para que possamos atuar em cada estado de acordo com sua própria realidade no basquete. Sabemos que cada lugar tem suas carências e suas virtudes. Vai ser um grande desafio, mas vamos vence-lo.

Você está filmando os jogos do Nacional Masculino 2003. Como essas gravações ajudam no seu trabalho?

Sempre filmo os jogos que assisto. É uma filmagem diferente da TV. Meu foco está no trabalho do árbitro e nos lances mais polêmicos. Essas imagens serão utilizadas nas clínicas que vou promover. Através delas, posso analisar melhor a atuação do árbitro no jogo, apontando seus defeitos e suas qualidades. Nas clínicas, vou procurar valorizar as condutas de arbitragem em que acredito. Minha filosofia é a seguinte: o árbitro deve utilizar seus recursos para diminuir a carga de tensão da partida, amenizando os conflitos entre os jogadores e os técnicos. Também é importante haver mais rigor nos casos de indisciplina contra a equipe de arbitragem dos jogos. A punição será de uma falta técnica e, no caso de reincidência, de uma falta desqualificante. É possível questionar as decisões dos árbitros, mas sem desacato ou provocação.