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28/01/2003 - Alexandre Cato

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Com a vida e o coração dedicados ao basquete, o paulista Alexandre Cato, de 40 anos, vive um dos melhores momentos de sua carreira. No playoff final do Campeonato Nacional Feminino, o São Paulo/Guaru venceu o Unimed/Americana por três a zero e conquistou o título inédito da competição. Ex-jogador e professor de educação física, Cato não descansa. Trabalha agora na preparação da equipe para o Campeonato Paulista, próximo desafio da temporada.

Como é conquistar o primeiro título nacional?

É gratificante. É um sonho que se tornou realidade. Para mim foi muito emocionante porque eu estava presente em todos os minutos, desde do início do campeonato até o último segundo do playoff final. O título é o reconhecimento dos anos de trabalho.
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Qual o segredo do sucesso do Guaru? Você esperava esse título, sobretudo uma vitória de três a zero na final?

Nós trabalhamos bem os fundamentos, que é a base do basquete, e demos ênfase à parte defensiva. Mas acho que 70% do resultado foi fruto da excelente preparação física da Priscila. Nossa equipe ainda agüentaria mais uns seis jogos pela frente. O segredo é a dedicação, profissionalismo e aplicação de todos. Entramos em quadra com muita determinação e sempre respeitando os adversários. Estávamos preparados para tudo, mas é claro que não esperávamos uma conquista com essa supremacia, foi uma surpresa.

Na sua opinião, qual foi o melhor e pior momento do time na competição?

Nós contávamos com o reforço da Janeth e da Érika, que são muito experiente, mas a maioria das minhas jogadoras são jovens e ainda estão em formação. Eu tinha quatro armadoras e elas não conseguiam um equilíbrio na quadra. A equipe ficou carente na armação, mas superamos as dificuldades e conquistamos o título, que foi o melhor momento.
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Quais jogadoras você destacaria e quem foi a revelação do campeonato?

Apesar da Helen (Americana) só ter participado de poucos jogos, ela ainda se destaca como uma das melhores armadoras do país. No último jogo da final ela anotou 18 pontos e cinco assistências. Entre as alas, a Silvinha (Americana) teve um ótimo desempenho na competição e a Janeth (São Paulo/Guaru) não fica fora de nenhuma equipe. As pivôs Érika (São Paulo/Guaru), Eliane (Dom Bosco), Alessandra e Graziane (Uberaba), Ega e Geisa (Americana) fizeram ótimas apresentações também. Acho que a revelação do nacional foi a Maria Cristina (São Paulo/Guaru). Ela teve uma excelente participação e foi uma grata surpresa para mim. É injusto escolher apenas algumas jogadoras, acho que todas mostraram que têm potencial e o resultado foi um campeonato muito equilibrado.

Que análise você faz da competição?

E quais são seus planos para próxima temporada? Plantamos sementes em novos lugares. A participação de novos estados no campeonato foi muito importante para trazer novos valores ao basquete. Nós aparecemos bastante na mídia e isso estimula a formação de novos times. Espero que a cada ano o Nacional conte com novos participantes. Estamos reformulando a equipe, procurando nos reforçar nas posições em que estamos carentes para encarar o nosso próximo desafio que é o Campeonato Paulista. Eu brinquei com o meu diretor Marcos Vilela, dizendo que iríamos ganhar todas e vamos trabalhar para melhorar cada vez mais.
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Defina o técnico Alexandre Cato?

Sou muito chato e brigão, mas agora posso voltar a ser bonzinho. Eu tinha muitas jogadoras jovens e não podia deixa-las muito a vontade para que elas não perdessem o foco. Estou sempre em busca da perfeição, tento corrigir tudo, sou um professor até mesmo na hora do jogo. Eu falo até de um dedinho virou errado. Mas também sou um técnico paizão e torcedor.

Como você começou no basquete?

Eu estudava num colégio que só tinha basquete e isso me incentivou a praticar esse esporte. Aos nove anos comecei a jogar no Guaru e nunca deixei o clube. Joguei na mesma época que Maury e Paulinho Villas Boas. Depois fiquei descontente com o basquete e, como sou formado em Educação Física, trabalhei como professor de tênis, natação, ginástica para gestante, fui treinador de vôlei por três anos, mas o coração era mesmo da bola laranja. Em 1988, fui trabalhar com as categorias de base do feminino do Guaru e há cinco anos estou no comando da equipe adulta.

Deixe uma mensagem para os iniciantes no basquete.

Reconheça o quanto antes que o seu técnico quer o máximo e o melhor de você. Jogue sempre com muito amor, dedicação e profissionalismo. Seja persistente na busca pelo seu sonho, nunca desista.