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27/12/2002 - Aluisio Ferreira, o Lula

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O paulista Aluisio Elias Ferreira Xavier, o Lula, é o novo técnico da seleção brasileira masculina de basquete. O anúncio oficial foi feito nesta sexta-feira pelo presidente da CBB, Gerasime Grego Bozikis. Ajudado pela comissão técnica, que será formada pelos assistentes Flávio Davis e Jorge Guerra, o Guerrinha; pelo preparador físico Clóvis Franciscon; e pelo médico Cesar de Oliveira, Lula tem como objetivo manter o Brasil na elite do basquete mundial. Na temporada 2003, a seleção brasileira irá disputar a Copa CBB – 70 Anos (11 a 13 de julho); o 40º Campeonato Sul-Americano, no Uruguai (21 a 27 de julho), os 14º Jogos Pan-Americanos, na Republica Dominicana (2 a 9 de agosto) e o Torneio Pré-Olímpico, em Porto Rico (20 a 31 de agosto), que irá classificar os três primeiros colocados para as Olimpíadas de Atenas, em 2004.

Como você recebeu a notícia de que seria o novo técnico da seleção brasileira?

É um grande orgulho ocupar esse cargo. Mais que um orgulho, é uma grande responsabilidade para com toda a comunidade do basquete brasileiro. Quero dar seqüência ao trabalho de outros tantos técnicos que fizeram coisas maravilhosas na seleção brasileira. Vou ter o respaldo dos profissionais de alto nível que compõem a comissão técnica e do talento dos nossos jogadores para trazer de volta a grandeza que o basquete brasileiro merece.

Você pretende mudar a filosofia de jogo adotada pelo técnico Hélio Rubens?

O Hélio Rubens fez um trabalho maravilhoso com a seleção brasileira. Tive o privilégio de conviver com um profissional, que foi um grande jogador e é um grande técnico. É um homem de várias conquistas e que não merece julgamento. Tenho total amizade e respeito por ele. Vou dar continuidade ao seu trabalho, corrigindo os rumos. Não posso mudar completamente uma filosofia de jogo que já existe há muito tempo, mas a busca pela perfeição é eterna. O trabalho com a seleção está em constante aperfeiçoamento. Um longo caminho já foi percorrido e não vai terminar nunca. Temos que estar sempre fazendo uma reformulação e corrigindo os erros cometidos.
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Como será a preparação da seleção brasileira?

A preparação física toma mais tempo que a parte tática e psicológica. Temos que administrar isso. Pretendo conversar com os clubes para começar a preparação dos jogadores o mais cedo possível. Tudo que puder ser feito para antecipar esse trabalho será feito. Os jogadores só serão convocados no ano que vem, mas o trabalho da comissão técnica já começou e será ininterrupto.

Jogadores que estão no exterior, como Nenê, Anderson Varejão, Tiago Splitter, Marcelinho e Guilherme, serão aproveitados na seleção?

Queremos os melhores atletas, no seu melhor desempenho, no melhor momento. Se forem talentosos, jogando no Brasil ou no exterior, serão aproveitados, com certeza. Esses jogadores que estão em equipes internacionais amadurecem muito, ganham experiência e trazem benefícios para a seleção brasileira. Vamos tentar adequar nosso período de treinamento ao calendário internacional para podermos aproveitar esses jogadores.

Fale um pouco do processo de renovação.

O processo de renovação já está bem desenvolvido. A estrutura do basquete brasileiro melhorou muito e possibilitou o surgimento de novos talentos. Os campeonatos de base permitem que bons jogadores apareçam em qualquer lugar do Brasil, não só no eixo Rio–São Paulo.
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Como você encara o desafio de conquistar uma das três vagas para as Olimpíadas de Atenas?

A missão de uma seleção é sempre difícil e, em 2003, não será diferente. Nosso maior desafio será o Pré-Olímpico de Porto Rico, no mês de agosto. Conseguir uma vaga para as Olimpíadas de Atenas de 2004 é o nosso grande objetivo imediato. Acredito que o basquete brasileiro tem talento e estrutura para alcançar esse resultado. Além disso, me sinto fortalecido por ter companheiros muito competentes junto comigo na comissão técnica.

A seleção brasileira deve copiar modelos desenvolvidos em outros países?

A melhor coisa que um país pode fazer é buscar as suas origens e encontrar as suas próprias características. O Brasil precisa achar o seu jeito de jogar basquete. Não devemos copiar modelos bem sucedidos, como o da Argentina. O que dá certo para a seleção de um país, nem sempre funciona para a de um outro.
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Você pretende entrar em contato com outros técnicos brasileiros para discutir a preparação da seleção?

A comissão técnica da seleção brasileira está convidando, através da Associação dos Profissionais do Basquete, todos os técnicos do Brasil para uma reunião na sede do EXCED, em São Paulo, no dia 24 de janeiro, às 10 horas. Ouvir os outros técnicos é minha obrigação. Com certeza, eles têm coisas importantes a dizer.