Imprensa

04/12/2002 - Antônio Carlos Sobé

img
O gaúcho Antônio Carlos Flores Sobé é técnico há 27 anos. Já dirigiu equipes de vários estados do Brasil, foi assistente técnico da seleção brasileira feminina juvenil, em 1980, e comandou atletas como Paula, Janeth e Marta. Hoje, está dirigindo o Lages/Uniplac. A equipe catarinense está participando do 5º Nacional Feminino e já é responsável por uma das melhores campanhas de times de Santa Catarina no Campeonato. Nessa entrevista, Sobé fala sobre o basquete catarinense e sobre o desafio de ser técnico do Lages.

Como você analisa a participação do Lages/Uniplac no Nacional?

Nosso objetivo é divulgar o basquete de Lages e motivar mais patrocinadores a investirem no time. Não tivemos tempo suficiente para preparar a equipe, mas nosso rendimento foi bom. Mesmo estando em nono lugar no Campeonato, essa já é a melhor participação de Santa Catarina em todos as edições do Nacional. Infelizmente, estamos fora do eixo principal do basquete brasileiro. A velocidade, o esquema de marcação e o ritmo de jogo da nossa equipe são diferentes das equipes do eixo Rio-São Paulo. Também falta autoconfiança às nossas jogadoras, principalmente na hora da decisão. São coisas que só vamos aprender jogando bastante em competições de alto nível técnico, como o Nacional.
img

Quais são as expectativas para o futuro da equipe?

No Nacional desse ano, esperamos ganhar mais uma ou duas partidas nas próximas rodadas e melhorar a posição do Lages na classificação. Não tenho dúvida de que a nossa equipe evoluiu muito. Só estamos com medo de que o cansaço e o risco de lesões aumente no fim da competição, afetando as atletas. Ganhamos o Campeonato Estadual de Santa Catarina e estamos com uma expectativa muito grande com relação ao Nacional Feminino de 2003. No Campeonato do ano que vem, muda tudo. Vamos montar uma equipe e treinar especialmente para a competição.

Como é o trabalho desenvolvido com o basquete em Santa Catarina?

Temos poucas equipes e poucas competições. Perdemos um pouco a referência por causa disso. O basquete em Santa Catarina é mantido pela prefeitura. O problema é que, enquanto um prefeito investe no desenvolvimento do basquete, o próximo pode não ter o menor interesse pelo esporte. Isso é muito ruim porque a continuidade do trabalho não é assegurada.
img

O que é preciso fazer para que esse trabalho cresça?

A prefeitura faz um trabalho de base excelente, promovendo competições como os Jogos Escolares, mas é preciso estender isso para as equipes adultas. É importante que as empresas se associem às prefeituras para que haja uma continuidade no projeto de desenvolvimento do basquete em Santa Catarina. O Lages, por exemplo, conta com o apoio de uma universidade da cidade, a Uniplac. O retorno que a universidade teve com a participação do time no Nacional ajudou a manter o patrocínio, ampliando um pouco mais o basquete no estado.

Fale um pouco da sua experiência como técnico.

Sou gaúcho e comecei a trabalhar com basquete no Rio Grande do Sul, em 1975. Era técnico do time feminino do Colégio Anchieta. Tive muita sorte, porque logo no início da minha carreira, em 1976, fui vice-campeão brasileiro dirigindo o Sogipa. Trabalhei alguns anos com o basquete universitário e fui assistente técnico da seleção brasileira juvenil, em 1981, que contava com jogadoras como Paula e Marta. Nesse ano, fomos campeões do Sul-Americano Juvenil. Em 1985, promovi a Janeth do time infantil para o adulto do Catanduva, de São Paulo. Nessa época, a Janeth já mostrava ter um potencial muito grande. Ela sempre foi talentosa, dedicada e muito responsável.

Há quanto tempo você trabalha com basquete em Santa Catarina?

Já estou há doze anos em Santa Catarina. Esse ano, fui convidado para comandar as equipes feminina e masculina do Lages/Uniplac. Foi um desafio, porque sempre trabalhei só com o feminino, mas estou adorando a oportunidade. Estou muito feliz com o meu trabalho em Lages.