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19/11/2002 - Mário Fernandes (Marão)

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Em 1995, com apenas 18 anos, o técnico Mário Fernandes Neto, o Marão, começou a desenvolver um projeto para implantar o basquete em Uberaba, a cidade em que nasceu. Desse projeto saíram as jogadoras da equipe que hoje ele comanda: o Sírio/Black&Decker/Uberaba. Depois de conquistar o título nos Jogos Interiores e na Copa dos Campeões de Minas Gerais e de ser campeão estadual, o time conquistou a vaga para participar do Campeonato Nacional Feminino deste ano. Nesta entrevista, o jovem técnico fala da realização e do desafio de participar do Nacional pela primeira vez.

Como foi montado o Sírio/Black&Decker/Uberaba?

O time é fruto de um projeto que começou em 1995, quando implantamos a escolinha de basquete e o mini-basquete no clube. A partir daí, foi sendo desenvolvida a base da equipe que, mais tarde, formaria o Sírio/Black&Decker/Uberaba. Em 1999, conquistamos o título nos Jogos Interiores de Minas Gerais e, em 2000, na Copa dos Campeões. Em 2001, estruturamos melhor o time e ganhamos o Campeonato Estadual. Neste ano, conquistamos a vaga para participar do Campeonato Nacional.
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O que significa participar do Campeonato Nacional Feminino pela primeira vez?

É a realização de um sonho. Batalhamos muito para chegar ao Nacional e, depois da competição, vamos trabalhar mais para que a equipe evolua e melhore sua estrutura. Nossa equipe é muito jovem e ainda pode crescer muito. Com certeza, a participação no Nacional vai dar mais responsabilidade e experiência para as nossas jogadoras.

Qual sua avaliação da equipe nas seis primeiras rodadas?

Entramos apenas para participar, sem maiores objetivos. Ao longo do Campeonato, surpreendemos ganhando do Unimed/Ourinhos e do São Caetano. Além disso, perdemos por apenas três pontos para o São Paulo/Guaru. Crescemos muito na competição e estamos mostrando que somos capazes. Apesar dos favoritos ao título serem Unimed/Americana, Unimed/Ourinhos e Santo André, temos um time competitivo. Nossas jogadoras são jovens, têm média de idade de 21 anos, mas são muito competentes. Os destaques da nossa equipe são a pivô Graziane, a armadora Tina e as alas/pivôs Silmara e Alessandra.
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Nos dois jogos que vocês disputaram em casa, a média de público foi de 1.700 pessoas. Qual a importância da criação do time para Uberaba?

A cidade abraçou o projeto. Agora o basquete é o esporte de Uberaba. As pessoas param as jogadoras na rua para elogiar, parabenizar ou criticar o nosso desempenho. No jogo de estréia, o ginásio estava lotado. A cobrança foi muito grande e as meninas ficaram muito ansiosas. Acabamos perdendo para o Unimed/Americana. No segundo jogo, trabalhamos melhor o apoio da torcida e ganhamos do Unimed/Ourinhos por 83 a 76. Foi uma grande festa em Uberaba. Os próximos três jogos vão ser em casa. Com a torcida presente, vai ficar mais fácil conseguir a vitória.

Há quanto tempo você é técnico?

Sou técnico há sete anos, mas jogo basquete desde criança. Em 1994, quando tinha 17 anos, jogava no Minas Tênis Clube. Decidi parar de jogar e começar a trabalhar como técnico numa escolinha. Com 18 anos, me formei em Educação Física e comecei o trabalho com o time de Uberaba.

Qual a sua principal característica como treinador?

Minha principal característica é o perfeccionismo. Sou muito chato. Tudo tem que ser exatamente como eu quero, senão não fico satisfeito. Mas ainda tenho muito o que aprender, tenho apenas 25 anos. Muita gente diz que sou jovem demais para estar num campeonato com técnicos como Antônio Carlos Vendramini, Edson Ferreto e Paulo Bassul, mas estudo muito e faço um trabalho sério com o Sírio/Black&Decker/Uberaba. Estamos provando para nós mesmos e para a cidade de Uberaba que somos capazes de realizar um projeto importante.