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17/10/2002 - Janeth Arcain

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A ala Janeth Arcain, de 33 anos, volta a jogar por uma equipe brasileira depois de um ano e cinco meses. O último clube no Brasil foi o Vasco da Gama, no ano passado, quando levou o clube carioca ao título inédito de campeão nacional. Agora, jogando pelo Unimed/Ourinhos, Janeth vai disputar a final do Campeonato Paulista contra o Unimed/Americana, buscando seu quarto título na competição. Nessa entrevista, a ala conta um pouco sobre o atual momento de sua carreira e seu mais novo empreendimento: o Centro de Formação de Atletas Janeth Arcain, que ensina basquete a mais de 200 crianças e jovens em Santo André.
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Como surgiu a idéia de criar o Centro de Formação Janeth Arcain?

Em novembro de 2001, participei de uma clínica grátis de basquete para meninos e meninas no clube Panelinha de Santo André. Cerca de mil pessoas apareceram e vi que era possível criar uma escolinha para jovens interessados no basquete. Essa era a oportunidade de juntar a paixão pelo esporte que pratico com a minha vontade de trabalhar com jovens e crianças e de suprir a carência de formação de novos atletas no basquete. Assim nasceu o Centro de Formação Janeth Arcain, no dia 5 de fevereiro deste ano.

Fale um pouco do trabalho que você desenvolve no Centro de Formação Janeth Arcain?

Trabalhamos com 200 meninos e meninas de 7 a 15 anos. Eles têm aulas e treinam com duas técnicas e um preparador físico. Abrimos também uma turma com jovens de 16 anos que me pediram para entrar no Centro de Formação. Indicamos os atletas que se destacam para fazer peneiras em clubes que participam de competições de base. Meu objetivo é ajudar aqueles que querem aprender a jogar basquete e, ao mesmo tempo, fazer um trabalho social, tirando as crianças da rua através do esporte. Além dos treinos de basquete, apresentamos palestras sobre nutrição e saúde. Também cobramos o boletim escolar. Só entra no Centro de Formação quem estiver na escola.
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Como está sendo seu retorno a um time brasileiro?

Tanto o time quanto a cidade de Ourinhos me acolheram muito bem. Estou me sentindo ótima fisicamente. Consegui me encaixar perfeitamente no esquema tático da equipe. Minha expectativa é fazer boas competições e compartilhar as vitórias com a torcida. Nosso desempenho no Campeonato Paulista tem sido muito bom. Vamos disputar a final contra Americana, um time que conta com jogadoras de alto nível. Vai ser uma final muito disputada.

Quais as suas expectativas para o Nacional deste ano?

Minha intenção é dar prioridade a Ourinhos. Gosto muito da equipe e estou bem entrosada com as outras jogadoras. Pretendo discutir minha permanência no time e analisar a possibilidade de participar do Nacional deste ano.
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Você vai participar da próxima temporada na WNBA?

A próxima temporada começa em maio. Vou continuar jogando pelo Houston Comets. Não posso abrir mão do que já conquistei na WNBA. Foi muito difícil chegar aonde cheguei. Em cinco temporadas, meu time já tem quatro títulos. Além disso, a organização do campeonato e a divulgação são excelentes. O único problema é que viajamos muito dentro dos Estados Unidos. São três meses de muitos jogos, viajando por todo país. É muito cansativo.

O que você espera do Pré-Olímpico de 2003?

A prioridade é a classificação para as Olimpíadas de Atenas, em 2004. Queremos consertar os erros que cometemos no Mundial deste ano. As jogadoras da seleção brasileira não treinaram muito tempo juntas antes da competição. Acho que esse foi o maior problema. O projeto da CBB de fazer o repatriamento das atletas e mantê-las jogando no Brasil antes do Pré-Olímpico é muito bom. Se a CBB oferecer boas condições para isso, ela tem minha colaboração.
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E o Mundial de 2006?

Não sei se vou participar do Mundial em 2006. Meus planos no basquete só vão até as Olimpíadas de Atenas, em 2004. Depois disso, só Deus sabe.