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09/09/2002 - Alessandra

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A pivô Alessandra Santos Oliveira já deu a volta ao mundo jogando basquete. Já jogou na Itália (Messina e Comense), nos Estados Unidos (Indiana Fever, da WNBA), na Eslováquia (SPC Ruzomberok) e na Coréia (Wooribank). Para a próxima temporada, vai defender o Sopron, da Hungria. Agora a pivô de 29 anos, vai disputar o Mundial da China, de 14 a 25 deste mês. Seu objetivo é ajudar a manter a seleção brasileira entre as quatro melhores do mundo e, quem sabe, ganhar uma medalha.

Quais as chances do Brasil no Campeonato Mundial?

O Brasil tem chances muito boas. O grupo de jogadoras está mais consistente. A maioria das meninas foi jogar na WNBA ou em times de outros países e estão mais experientes. Eu, Janeth e Helen, que defendemos há mais tempo a seleção brasileira, amadurecemos muito. Acredito que os favoritos ao título mundial são os Estados Unidos e a Rússia. Mas o Brasil também é um time forte, que está no mesmo nível das melhores equipes. Com certeza, vamos ficar entre os quatro primeiros colocados, como tem sido desde o Mundial da Austrália, em 1994. Esperamos mostrar um basquete alegre e bonito.

Você é uma das jogadoras mais experientes da seleção, e vai disputar o terceiro Mundial. Como é a sua relação com as jogadoras mais novas?

Todas as jogadoras mais novas são competentes e têm um grande futuro na seleção, mas ainda têm muito o que aprender. Procuro ajudá-las nesse aprendizado porque sou mais experiente. Às vezes, dou alguns conselhos, especialmente para as pivôs. Elas precisam entender a responsabilidade de vestir a camisa da seleção brasileira.
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Fale um pouco da sua temporada jogando pelo Ruzomberok, da Eslováquia?

A temporada foi muito boa. Estava parada há cinco meses, mas tive um ótimo desempenho na Eslováquia. Lá, minha média por jogo era de 15 pontos e 11 rebotes. O Ruzomberok tem um grupo de jogadoras muito bom. Duas delas vão estar na seleção iugoslava que vai para o Mundial. O técnico do time me recebeu muito bem e me ajudou bastante.

E a sua temporada na Coréia?

Joguei no Wooribank. Eles precisavam de uma pivô que conseguisse pontuar mais. Meu desempenho foi muito bom. Minha média por jogo era de 21 pontos e 15 rebotes. Fui escolhida a melhor jogadora estrangeira do campeonato coreano. Fiquei lá durante dois meses e minha adaptação foi muito melhor do que eu esperava. Achei que os coreanos fossem mais fechados, mas pude ver o lado mais aberto deles. Morro de saudade das minhas companheiras de time. Choramos muito na minha despedida na Coréia. Duas das meninas que jogaram comigo vão estar na seleção coreana. Espero reencontrá-las no Mundial.

Quais os seus planos para depois do Mundial?

Estarei indo para a Hungria jogar num time chamado Sopron. Eles gostaram do meu trabalho e me chamaram para ajudar a equipe a vencer a Euroliga. Se conseguir, vou estar realizando um sonho na minha carreira.
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Neste ano você jogou no basquete europeu, asiático e está na seleção brasileira. Quais são as diferenças entre os estilos de jogo de cada lugar?

No Brasil, jogamos um basquete de muita velocidade, com menos ênfase na defesa. Na Europa, a defesa é mais forte. Na Coréia, não existem pivôs muito boas. Nessas idas pelo mundo aprendi muita coisa. Consegui me adaptar a cada um desses estilos de jogo e isso fez o meu basquete evoluir. Sinto que estou mais madura.