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23/08/2002 - Sandro Varejão

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Aos 30 anos, o pivô Sandro Varejão, de 2,10m, é um dos atletas mais experientes da seleção brasileira que irá disputar o 14º Campeonato Mundial em Indianápolis, de 29 de agosto a 8 de setembro. Colecionador de títulos no Vasco da Gama (bicampeão do Nacional em 2000 e 2001, campeão sul-americano de clubes e vice-campeão do McDonald’s Championship), Sandro acaba de trocar o Rio de Janeiro por Goiânia, onde defenderá o Universo/Ajax. Pela seleção brasileira, foi campeão sul-americano e dos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg (1999) e vice-campeão sul-americano e da Copa América (2001). Nessa entrevista, o pivô capixaba conta um pouco da sua carreira e fala da emoção de disputar um Mundial ao lado de seu irmão mais novo, Anderson.
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Quando e como você começou no basquete?

Comecei a jogar aos sete anos de idade, brincando com o meu pai na casa onde eu morava, em São João de Petrópolis (ES). Ele jogou basquete na faculdade e me ensinou alguma coisa sobre o esporte. Com 17 anos, fui para o Clube de Regatas Saldanha da Gama, em Vitória (ES). A partir daí, não parei mais. No período de 1992 a 1998, morei nos Estados Unidos e joguei em Idaho e na Univesidade West Virginia. Tive a oportunidade de conhecer jogadores que depois iriam fazer carreira na NBA, como Allen Iverson e Ray Allen. Aprendi muito no basquete universitário norte-americano. Depois que voltei ao Brasil, fiz boas campanhas no Franca (SP) e no Vasco da Gama (RJ).

Qual sua maior qualidade no basquete? E os defeitos?

Minha maior qualidade é o arremesso da cabeça do garrafão. É a minha marca. Ainda preciso melhorar minha velocidade e o jogo de costas. São os pontos em que não sou muito bom.
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E as expectativas para o Mundial?

A equipe está com um espírito de vitória. Fizemos um boa campanha durante esse período de amistosos e estamos confiantes. Meu sonho é ganhar uma medalha nesse Mundial. Sei que não vai ser fácil. Estados Unidos e Iugoslávia são os favoritos ao título, mas quem sabe não conseguimos realizar esse sonho.

Como você analisa os adversários da primeira fase (Líbano, Turquia e Porto Rico)?

Não conheço muito bem a seleção do Líbano, mas sei que eles fizeram um bom jogo amistoso contra a Venezuela. A Turquia tem um time forte. Jogamos contra os turcos duas vezes durante o Torneio de Istambul e vencemos as duas partidas. Porto Rico também tem uma boa equipe, que conta com jogadores da NBA.
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Como está o grupo que forma a seleção brasileira?

O grupo está muito unido. Somos amigos dentro e fora das quadras. Essa amizade ajuda a fortalecer o espírito de equipe. Estamos otimistas e esperamos colher os frutos do nosso trabalho e da nossa união no Mundial.

Você é um dos jogadores mais experientes da seleção. Como é a sua relação com os jogadores mais jovens?

Os jogadores mais jovens (Alex, Leandrinho, Thiago e Anderson) são muito bons e, além disso, têm um excelente caráter. Tento ajudá-los como posso a desenvolver seu potencial. Procuro dar tranqüilidade para eles e passar um pouco da minha experiência contando histórias da minha carreira no basquete.
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Como é trabalhar com o seu irmão mais novo?

Durante os treinos e os jogos, esqueço que ele é meu irmão. Dentro de quadra, a seleção é minha família. Ele é um jogador como qualquer outro da equipe. Anderson tem grandes qualidades: é lutador, briga pela vitória, aprende rápido e tem um preparo físico excelente. Ele também comete erros, que vão ser corrigidos com o tempo. Nos momentos difíceis, sempre que ele precisa de uma palavra de apoio, procuro ajuda-lo.

Qual o melhor e o pior momento da sua carreira?

Os melhores momentos da minha carreira foram a conquista do campeonato brasileiro em 1999, pelo Franca (foi a primeira vez que joguei a competição), e em 2000, pelo Vasco, e a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, em 1999. O pior momento foi quando estava na lista do draft da NBA. Fui chamado para o campo de treinamento e não quis ir porque preferi ficar estudando no curso de verão da Universidade de West Virginia. Depois me arrependi muito. É uma decisão que poderia ter mudado meu caminho no basquete. Não sei o que passou na minha cabeça naquele momento.

Como será a sua vida em outro estado e num novo clube?

Goiás tem potencial para virar um dos maiores pólos de basquete do Brasil. Eu, Rogério, Janjão e Vanderlei vamos formar um bom time no Universo/Ajax, que, com certeza, vai estimular o crescimento de outras equipes de lá. Queremos que outros estados do Brasil tenham um basquete de alto nível e equipes que possam participar do Nacional.
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Qual o seu ídolo no basquete?

Meu ídolo é o Michael Jordan, um jogador de muita determinação, que foi campeão quatro vezes e que soube jogar em equipe. Ele abriu mão de fazer uma média de 50 pontos por jogo para fazer 20, 30 pontos porque sabia que assim poderia dar mais chance para os outros jogadores do seu time mostrarem seu potencial.

E o seu maior sonho?

Meu maior sonho, quando era mais jovem, era estar na NBA. Ainda sonho com isso, mas, depois de uma certa idade, o mais importante é jogar, não importa onde. Com a seleção brasileira, meu maior sonho no momento é ganhar uma medalha no Mundial e garantir a vaga nas Olimpíadas da Atenas, em 2004.