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02/08/2002 - Tiago Splitter

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Para um jogador de apenas 17 anos, Tiago Splitter tem bastante experiência no basquete. O ala/pivô joga na Espanha há dois anos e foi campeão da última Liga Espanhola pelo Bilbao Basket. No mês de julho, Tiago foi o cestinha da Copa América Juvenil, com 120 pontos, e eleito um dos cinco melhores da competição. Agora, ele está de férias e fica descansando em Blumenau com a família até o dia 9 quando começa a treinar com a seleção adulta. Seu objetivo é integrar a lista de jogadores que vão para Indianápolis participar do 14º Campeonato Mundial, de 29 de agosto a 8 de setembro. Lá, ele espera mostrar seu basquete e ajudar a seleção brasileira a conquistar a vaga para as Olimpíadas de Atenas em 2004.

Como você começou a jogar basquete?

Meu pai jogava basquete, por isso brinco com a bola desde que nasci. Jogo desde criança. Entrei numa escolinha de basquete em Blumenau, em Santa Catarina, com 6 ou 7 anos e espero continuar por muitos anos.

Fale um pouco da sua experiência na Espanha?

Estou na Espanha há dois anos. Tem sido uma grande experiência de vida para mim. Não tive muitos problemas para me adaptar. Meu relacionamento com meus companheiros de time é ótimo. Também tenho alguns amigos brasileiros. Minha família vem me visitar de vez em quando e isso ajuda a não ter tanta saudade de casa. Já estou falando bem o espanhol. No ano passado completei o segundo grau e este ano vou tentar conciliar os treinos no Bilbao Basket com uma faculdade de Administração. Vou ficar na Espanha até 2007, quando termina o meu contrato. Espero aproveitar bem os próximos cinco anos e tirar o melhor possível dessa experiência.

O que mais evoluiu no seu durante esse tempo na Europa?

Tinha apenas 15 anos quando cheguei na Espanha e não tinha muita experiência no basquete. Jogando num time adulto ganhei malandragem, uma manha que eu não tinha antes. Também aumentei meu aproveitamento nos arremessos e melhorei muito fisicamente. Engordei um pouco e fiquei mais forte. Na Europa, o basquete é mais tático, com um contra-ataque mais cadenciado e uma marcação forte. Já no Brasil, há mais espaço para a improvisação e o contra-ataque é mais rápido. Como jogo no Brasil e na Europa, procuro tirar o melhor do estilo de jogo dos dois.
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Como você analisa sua participação na seleção juvenil durante a Copa América?

Individualmente, tive um bom desempenho. Joguei bem e fui cestinha da competição. Apesar disso, ficamos em sexto lugar e, infelizmente, não conseguimos a classificação para o Mundial da Croácia, em 2003. A partida mais difícil foi contra a Venezuela, a última da fase de classificação. Eles jogaram em casa com o apoio da torcida. Ficamos intimidados e perdemos a calma e o jogo.

Na seleção juvenil você era o mais experiente, e agora vai integrar a seleção adulta, onde é o caçula. Quais as maiores diferenças no trabalho dessas duas seleções?

Os jogadores da seleção juvenil não tinham experiência em competições internacionais. Eles ficaram um pouco assustado com o fato de estar participando de uma competição como a Copa América. Já na seleção adulta, a maioria dos jogadores é mais experiente e já participou de outras competições internacionais. Tanto o técnico Alberto Bial, no juvenil, quanto o Hélio Rubens, no adulto, fazem um trabalho muito bom com os jogadores. Espero ter o mesmo bom desempenho individual que tive na seleção juvenil com a seleção adulta.

O que significa estar na seleção adulta com apenas 17 anos?

É um grande privilégio. Todo jogador de basquete de 17 anos gostaria de ter essa oportunidade. Espero aproveitá-la bem e ser chamado para participar do Mundial de Indianápolis. Mas o meu maior sonho é ir para as Olimpíadas da Grécia, em 2004. Acho que qualquer esportista sonha em chegar aos Jogos Olímpicos.

Como você avalia suas chances de estar na lista de jogadores que vão para o Mundial de Indianápolis?

Estar na lista de jogadores que vão para o Mundial é o meu maior desejo. Quero muito ter essa oportunidade de mostrar o meu basquete. Vou treinar bastante e provar que posso ajudar a seleção a conseguir um bom resultado.

Quais as chances do Brasil no Mundial?

Acredito que o Brasil vai conseguir ficar entre os seis primeiros e garantir a vaga para as Olimpíadas. Depois que vi a Venezuela vencer os Estados Unidos na Copa América Juvenil, fica difícil analisar os adversários (Líbano, Turquia e Porto Rico na primeira fase). Não existem favoritos.

E os seus planos para a próxima temporada?

A Liga Espanhola começa no dia 13 de setembro. Mesmo estando com a seleção brasileira adulta, espero participar da competição desde o começo. Vou continuar no Bilbao. Fomos os campeões no ano passado e espero ajudar o time a repetir a boa atuação na próxima temporada.