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11/07/2002 - Antonio Carlos Barbosa

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Aos 57 anos, esse paulista de Bauru tem dois grandes desafios na temporada 2002: classificar a seleção brasileira feminina Sub-21 para o Mundial da Croácia, em 2003, e manter a seleção feminina adulta entre as quatro primeiras do mundo. Aliás, desde que voltou ao comando da seleção brasileira feminina juvenil (1996) e adulta (1997), todas as equipes comandadas por Barbosa ficaram entre as quatro primeiras do mundo.

Como você define o técnico e o homem Barbosa?

Eu sou um homem que procura agir de modo correto, visando o respeito do seu semelhante. Em todas as minhas ações, busco honestidade e transparência, tentando ser o mais humano possível, respeitando o próximo com suas qualidades e defeitos. Como profissional, acredito que sou um lutador. Comecei do nada. Tive que achar meu caminho como treinador, já que não fui um grande atleta. Tive pessoas que me ajudaram e foram grandes exemplos. Fui construindo meu caminho e minhas convicções, com erros e acertos.

Qual a principal característica de um time treinado por você?

Desde que comecei (em 1976), procurei trabalhar a velocidade, contra-ataque e precisão de arremesso. Para isso, resolvi levar um preparador físico ao invés de um assistente técnico. Quando retornei a seleção brasileira juvenil, em 1996, dei mais valor à marcação e passamos a aliar velocidade com uma forte defesa.
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Existe uma receita para manter o basquete feminino entre as quatro melhores seleções do mundo desde que você reassumiu em 1996?

Meu grande desafio foi manter os excelentes resultados do Brasil nos últimos anos. Pois quando voltei à seleção, em 1996, já encontrei o basquete feminino em alta, com títulos pan-americano (1991), mundial (1994) e medalha de prata olímpica (1996). Diferente de quando comecei, em 1976, quando tive que formar uma base completamente nova, pois houve um buraco entre uma geração e outra. Aí lancei grandes nomes do basquete, como Marta, Paula, Hortência, Vania Hernandez, Vania Teixeira, Branca . O que me orgulha é que essa base durou muitos anos. A partir de 1999, as brasileiras foram jogar na Europa e na WNBA, passamos a fazer grande parte do treinamento sem algumas jogadoras e mesmo assim conseguimos sempre ficar entre os quatro primeiros. Isso mostra a qualidade do nosso grupo, que trabalha com muita seriedade e dedicação.

Qual a importância de dirigir as seleções brasileiras femininas (cadete, juvenil, Sub-21 e principal)?

É ótimo por duas razões. Primeiro, esse trabalho unificado dá experiência internacional aos assistentes técnicos de cada categoria, que adquirem mais maturidade para trabalhar em seleção brasileira. Além disso, a filosofia de trabalho fica mais padronizada. Assim, desde o cadete já começamos a trabalhar as necessidades das atletas visando à seleção adulta. Acredito que as jogadoras que chegarem à seleção principal, fiquem melhor preparadas.
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Houve uma evolução no basquete feminino do Mundial da Alemanha, em 1998, para hoje?

Houve evolução no Brasil e no mundo inteiro, crescendo o equilíbrio em competições internacionais. Apesar de termos ainda uma base pequena de jogadoras selecionáveis, hoje temos uma qualidade bem maior para revezamento, ou seja, mais atletas em condições reais de entrar em quadra. Em 1998, tínhamos jogadoras que estavam em seu primeiro mundial e outras que estreavam como titulares. Agora, o grupo está mais maduro, especialmente com a experiência adquirida por algumas atletas na WNBA e na Europa.

O que representa para o Brasil ter oito jogadoras atuando na WNBA?

Representa o alto nível do basquete do nosso país e que o talento das atletas mantêm a respeitabilidade do basquete feminino brasileiro no mundo. Não só na WNBA mas na Europa e Coréia (onde joga a pivô Alessandra).
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Qual a expectativa para a Copa América Sub-21?

Com a Erika e a Iziane, o jogo é um pois elas possuem talento individual que pode desequilibrar uma partida. Nas outras competições da seleção, as duas foram responsáveis por quase metade dos pontos da equipe. Sem elas, o jogo passa a ser mais coletivo, mas o grupo é bom e desenvolvemos um trabalho sério. Temos condições de cumprir o nosso primeiro objetivo, que é a classificação para o Mundial. Hoje, o basquete feminino brasileiro, em todas as categorias, pode entrar em competições pensando sempre em disputar o título.

E para o Mundial Adulto?

Como já disse, o basquete feminino mundial vem evoluindo muito e hoje temos oito ou nove seleções em condições de disputar o título. Estados Unidos, Rússia, Austrália e Brasil são as grandes forças do basquete dos últimos dez anos. Agora, surgem no panorama mundial França Iugoslávia, China (que nesse Mundial joga em casa) e Coréia do Sul, que foi uma agradável surpresa nas Olimpíadas de Sydney. Estamos no nível das grandes forças e os jogos são decididos nos detalhes.
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Na sua opinião, quais características formam uma grande atleta?

Aliado ao talento, um atleta precisa ter seriedade nos treinamentos, honestidade, responsabilidade, personalidade, coragem e atitude.