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02/06/2002 - Arnaldinho

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O armador Arnaldinho, de 23 anos, é um dos destaques da vitoriosa campanha do Uniara/Fundesport no Campeonato Nacional 2002. Em sua estréia na competição, o vice-campeão paulista de 2001, chegou à final do Nacional para alegria da torcida de Araraquara. Além do grande momento da carreira, Arnaldinho enfrenta um novo desafio em sua vida: jogar fora do Rio de Janeiro e morar sozinho. Nessa entrevista o atleta carioca fala desses novos desafios da vida pessoal e profissional.

Como começou a jogar basquete?

Descobri o basquete com sete anos, assistindo ao meu irmão mais velho treinar. Como minha mãe não tinha dinheiro para pagar a escolinha, treinava e no dia de pagamento, pulava o muro do Botafogo. Quando viram que eu jogava direitinho, me colocaram para treinar no mirim. Aos 11 anos, participei do meu primeiro campeonato. Passei a maior parte da minha carreira no Botafogo, joguei um ano no Tijuca e estou no Uniara desde o Campeonato Paulista do ano passado.
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Depois de tanto tempo em uma só equipe, foi difícil se adaptar ao Uniara?

No começo tudo é difícil. Mas a confiança que a Uniara depositou em mim significou uma grande valorização do meu trabalho. Eles acreditaram no meu talento e isso fez eu progredir muito e me sentir cada vez mais confortável na equipe. Com isso, acho que adquiri mais volume de jogo, fui eleito o melhor armador do Paulista 2001 e tenho ajudado a equipe na ótima campanha no Nacional.

Como foi trocar o Rio de Janeiro pelo interior paulista?

O ponto mais positivo dessa mudança é o carinho e a excelente hospitalidade das pessoas. Como Araraquara é uma cidade em que o basquete é muito importante, sou bastante reconhecido aqui. Até recebo presentes de fãs e vizinhos. Isso é ótimo porque mantém o astral alto e faz diminuir um pouco a saudade da família, que é o lado mais difícil disso tudo.

E por falar em família, como é a experiência de morar longe e sozinho?

É horrível. Sempre morei com minha mãe e meus irmãos. Agora tenho que me virar sozinho e resolver meus problemas. Vivo pendurado no telefone para matar a saudade. Essa solidão diminuiu com o meu namoro com a Fernanda. Ela também joga basquete (é atleta do Sundown Bike/Jundiaí), me entende e me ajuda muito nessa nova fase da minha vida.
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Falando agora de Campeonato Nacional, qual o segredo do sucesso do Uniara?

Formamos uma equipe muito unida, em que o treinador respeita muito o talento e potencial de cada atleta. Além disso, somos bastante disciplinados e conseguimos colocar em quadra toda a estratégia de jogo desenvolvida nos treinos pelo técnico. Isso faz o grupo se entender bem em quadra e impor seu ritmo de jogo para conquistar as vitórias.

A equipe está fazendo sua estréia na competição. O grupo esperava chegar tão longe?

No início, só pensávamos na classificação para as quartas-de-final. Depois que garantimos a vaga, fomos nos aperfeiçoando jogo a jogo. Quando fechamos a série contra o Uberlândia em três a um é que percebemos que poderíamos até brigar pelo título. Afinal, teoricamente, o time mineiro era a melhor equipe na competição. Mas nos superamos e conseguimos chegar até aqui.
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Quais seus sonhos como atleta?

No momento, estou determinado em conquistar dois objetivos: o de jogar no exterior e o de disputar o Campeonato Mundial de Indianápolis. Acho que fazer um intercâmbio com jogadores do mundo inteiro seria fantástico para minha carreira. Quanto à seleção brasileira, acredito que eu estou preparado para representar o Brasil no Mundial. Fiz uma excelente temporada e estou muito disposto a colaborar para ajudar o país a fazer uma boa campanha.

E por falar em Mundial, quais as chances do Brasil na competição?

Acho que o Brasil tem tudo para melhorar a posição em relação ao último Mundial (10º lugar). Acredito que ficamos em uma chave boa e não teremos muitos problemas para chegar à segunda fase.