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18/05/2002 - José Vargas

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Há oito anos no Brasil, o pivô dominicano José Vargas se apaixonou pelo país, onde conquistou títulos, amigos e construiu família, depois de rodar o mundo inteiro, jogando em Porto Rico, França, Itália, Israel e Venezuela. Agora sua meta é ajudar o Unit/Uberlândia a chegar à final do Campeonato Nacional 2002. Experiência em decisões não falta ao atleta, de 38 anos, que já conquistou o título da competição quatro vezes (pelo Franca, em 97/98 e pelo Vasco, em 2000/2001). Pelo Vasco, foi bicampeão da Liga Sul-Americana (1999/2000), campeão Sul-Americano de Clubes (2000), vice do McDonald’s Championship (1999) e campeão carioca. Nessa entrevista, o pivô fala sobre sua carreira e de sua paixão pelo Brasil.

Quais suas expectativas para os playoffs do Nacional?

Será um mata-mata muito equilibrado. São duas equipes muito fortes. O Uniara conta com três ótimos jogadores, Pipoka, Luís Fernando e Arnaldinho, que oferecem grande perigo. Além disso, contam com uma fiel torcida que pressiona demais o time adversário.

Como foi a campanha do Uberlândia na competição?

O primeiro objetivo, que era a classificação para os playoffs, foi alcançado. Fizemos uma boa campanha, apesar de alguns tropeços que nos impediram de acabar a primeira fase em primeiro. Mas continuamos a trabalhar para acertar ainda mais o nosso jogo e chegar à final da competição.
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Você está em Uberlândia desde setembro do ano passado. O que está da cidade e de seu novo clube?

Estou adorando Uberlândia. É uma cidade grande, bonita, com muitas características de cidade do interior. O povo daqui abraçou completamente o basquete e dá uma força impressionante ao clube. O clube tem uma ótima estrutura e tem tudo para continuar sendo um grande pólo do basquete nacional. O que mais me impressionou em Minas foi a quantidade de jovens com o potencial gigantesco para o basquete. São meninos com o tipo físico adequado para o esporte e que, estimulados, podem fazer parte do futuro do basquete brasileiro.

Como é sua relação com os mais jovens da sua equipe?

É muito legal e tranqüila. Não gosto de ser modelo para ninguém. Sou um homem e jogador como outro qualquer. Mas pela minha experiência no basquete, acabo, mesmo sem querer, sendo uma referência para o grupo. Procuro passar um pouco do que aprendi em mais de vinte anos de basquete para ajudar ao máximo minha equipe.

Franca, Rio de Janeiro e Uberlândia. Qual lugar você gosta mais?

Seria difícil e injusto demais apontar uma cidade favorita. Adorei todas e cada uma tem seus pontos positivos e negativos. Franca me impressionou muito pelo amor que os jogadores tem ao basquete. O Rio de Janeiro é lindo e tem grandes opções de lazer. E Uberlândia é muito agradável e tranqüilo para morar.
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Quais os momentos mais inesquecíveis de sua carreira?

Sou uma pessoa que vivo do presente. Meu melhor momento é sempre o atual. Graças a Deus tenho uma carreira vitoriosa que fica difícil escolher fatos isolados. O basquete me deu tudo que eu tenho, do ponto de vista material, profissional e familiar. Em todos os lugares eu tive grandes conquistas, como jogar pelo Vasco a final do Mundial Interclubes contra o San Antonio Spurs, em 99.

Você jogou no mundo inteiro e já está no Brasil há oito anos. Adotou a nossa terra para viver?

Completamente. Pretendo me naturalizar até o ano que vem e ninguém mais me tira desse país maravilhoso. Escolhi essa terra para viver porque foi muito bem recebido aqui como cidadão e como atleta. Construí no Brasil uma linda família (é casado com a brasileira Marcelle e tem dois filhos Júnior, de cinco anos, e Jason, de quatro). No ano passado, fui jogar na Venezuela e não agüentei ficar longe daqui. Voltei correndo. É aqui que quero ficar com a minha família para o resto da vida.
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Quais conselhos daria aos estrangeiros que gostariam de jogar no Brasil?

O único conselho que dou é para que sempre respeitem o Brasil. Venham para cá para trabalhar e se dedicar ao clube que o contratou. A maioria dos estrangeiros ainda acham que o Brasil só tem selva e se resume à Amazônia. O Brasil é um país excelente para aprimorar o jogo de qualquer atleta.