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13/05/2002 - Pipoka

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O pivô João José Vianna, o Pipoka, começou a jogar basquete aos dez anos influenciado pelos amigos em Brasília. Hoje, aos 38 anos de idade, tem uma carreira longa e cheia de vitórias. Já jogou em onze times, incluindo uma passagem pela NBA (liga profissional norte-americana), no Dallas Mavericks. Defendeu durante treze anos a seleção brasileira, participou de três Olimpíadas, de três Mundiais e conquistou vários títulos, como a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis, em 1987, o bicampeonato sul-americano e o tetracampeonato nacional pelo Monte Líbano (SP). No Campeonato Nacional deste ano, Pipoka empresta um pouco da sua experiência ao Uniara/Araraquara. Em sua primeira participação na competição, a equipe paulista já garantiu a vaga para os playoffs e está entre as oito melhores do país.

Como você analisa a campanha do Uniara no Nacional?

Estamos indo muito bem no Nacional. Tivemos um início bom, mas na metade do Campeonato sofremos com a ausência do técnico Tom Zé, que precisou fazer uma cirurgia. No final da fase de classificação, a equipe se recuperou e voltou a jogar bem. Ganhamos sete dos oito últimos jogos e conseguimos conquistar a vaga para as quartas-de-final. O apoio da cidade de Araraquara também contribuiu muito para o bom desempenho do Uniara.
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Quais as suas expectativas para as playoffs?

Os playoffs são um campeonato à parte. É um mérito para todas as oito equipes que chegaram lá. Como o Uniara não joga na última rodada do returno, tivemos dez dias para treinar. Consertamos alguns erros na parte defensiva e no contra-ataque. Em compensação, perdemos um pouco o ritmo de jogo, mas vamos brigar para chegar às semifinais.

Como você analisa o Campeonato Nacional até agora?

A cada ano que passa, o Campeonato se aperfeiçoa mais. Os jogos estão muito equilibrados. Nenhum jogo do Uniara foi fácil. O Nacional é o melhor espelho do que acontece no basquete brasileiro. A disputa está boa.

Você é o jogador mais experiente do Uniara. Como é sua relação com os jogadores mais jovens da equipe?

Nosso relacionamento é o melhor possível. Não há diferenças entre nós, nos tratamos de igual para igual. Só em certos momentos difíceis no jogo, quando passamos por problemas pelos quais já passei na minha carreira, transmito a eles um pouco da minha experiência.

Araraquara tem o maior e melhor público do Nacional. Qual a importância da torcida para a equipe?

Sem dúvida, ela tem um papel muito importante para o Uniara no Campeonato. É um incentivo a mais para os jogadores. Jogar com a casa vazia é muito frustrante para um atleta. Os torcedores forçam o time a ir bem. O lado negativo é que, quando o time joga mal, precisamos agüentar as reclamações da torcida.

Na sua opinião, quais os melhores jogadores do Nacional?

Luís Fernando, do Uniara, é o melhor pivô da atualidade. Juliano, ala/pivô do Unit/Uberlândia, também está numa boa fase. Os alas Rogério, do Vasco, e Renato, do Ribeirão Preto, estão muito bem. O ala Vanderlei, do Bauru, vem se destacando muito na sua posição. Demétrius, do Minas, e Helinho, do Vasco, são bons armadores. Arnaldinho, do Uniara, também vem se destacando como armador, mas precisa melhorar sua capacidade defensiva.
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Qual o momento mais inesquecível da sua carreira?

Tenho vários momentos inesquecíveis. É impossível destacar um só. A medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Indianápolis está no topo da lista. Jogar nas Olimpíadas foi a realização de um sonho. A participação em Mundiais e o tetracampeonato nacional também são importantes. Tenho grandes passagens na minha carreira. É uma injustiça ter que escolher só uma.

Com base na sua experiência na seleção brasileira, quais as chances do Brasil no Mundial de Indianápolis?

O Brasil tem chance de ir bem na competição. O técnico Hélio Rubens tem nas mãos um grupo de jogadores competentes. Acho que podemos chegar ao quarto lugar no Mundial. Estou torcendo muito pela nossa seleção.
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Aos 38 anos de idade, você já pensa em quando vai parar?

Ainda penso em jogar mais um pouco. Esse não vai ser meu último Nacional. Não sei o que vou fazer depois de parar. Estou terminando a pós-graduação em Educação Física e quero fazer um mestrado. Depois disso, vamos ver o que acontece.

Qual a sua mensagem para aqueles que estão começando no basquete?

Não tem segredo no basquete. Tem que treinar muito e saber pensar enquanto joga. Os jogadores de sucesso são assim. Não adianta ter só habilidade e força física. É preciso saber pensar, senão você acaba limitando sua capacidade.