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08/05/2002 - Tatiana Steigerwald

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Quebrar tabus faz parte da vida de Tatiana Steigerwald, árbitra paulista, de 38 anos, que participará do 14º Campeonato Mundial Feminino, de 14 a 25 se setembro, na China. Tatiana foi a primeira mulher a arbitrar uma partida no Brasil, a primeira a participar de uma final de um campeonato profissional masculino (Paulista/2001) e, este ano, estreou apitando no Nacional Masculino. Além de ter sido muito elogiada pelo seu desempenho no Mundial Juvenil Feminino, na República Tcheca, em 2001, onde apitou a decisão da medalha de bronze. Nessa entrevista, Tatiana fala de suas expectativas para o Mundial da China e porque trocou a profissão de historiadora pelo trabalho no esporte.

Quando e como foi o início de sua carreira?

Resolvi fazer o curso de arbitragem em 1984, por influência do árbitro Geraldo Fontana, que conheci na Universidade de São Paulo (USP), onde cursei a faculdade de História. Só em 1986 consegui uma oportunidade de apitar uma partida, já que era escalada apenas para trabalhar na mesa. Depois de muita luta e insistência, consegui meu objetivo. A partir daí fui superando as barreiras e mostrando a qualidade do meu trabalho, não interessando o fato de ser mulher, e sim ser uma boa profissional.

Quais suas expectativas para o Mundial Feminino na China?

Espero ter um bom desempenho e representar muito bem a arbitragem do Brasil. Acredito no meu trabalho e gostaria de estar nas partidas finais do Mundial.

Você está fazendo alguma preparação especial para a competição?

Fisicamente, a preparação do árbitro deve ser constante, como a de um atleta. Faço exercícios quatro vezes por semana. Para uma competição importante como um Mundial, o que procuro fazer é redobrar os cuidados com a saúde, para não ter nenhuma surpresa desagradável.

Como a arbitragem brasileira é vista no exterior?

A arbitragem brasileira é extremamente respeitada no exterior. Senti isso no Mundial Juvenil, na República Tcheca, onde recebi cumprimentos não só pelo meu desempenho na competição como pela participação do Carlos Renato dos Santos, nas Olimpíadas de Sydney (2000), e de outros árbitros, como o Antonio Carlos Affini.
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Como tem sido a experiência de apitar no Nacional Masculino? Os jogadores a tratam diferente por ser mulher?

Está sendo mais um desafio na minha carreira e mais uma oportunidade de mostrar minha competência. Os jogadores me tratam diferente sim, mas em 90% dos casos, é uma diferença positiva. Eles me tratam com mais respeito e suavidade. Apenas uma minoria questiona minha capacidade pelo fato de eu ser mulher.

Existe diferença entre arbitragem de partidas feminina e masculina?

A diferença existe mais para os jogadores. O jogo masculino é mais forte, com mais contato físico. O feminino é mais leve, mas isso não o faz ser mais fácil de apitar.

Como você analisa a nossa arbitragem?

O Brasil não fica atrás de país nenhum em arbitragem. Sempre tivemos grandes árbitros em todas as gerações do basquete, que representaram muito bem o nosso país e ajudaram a consolidar a ótima imagem que temos hoje no cenário internacional. Só acho que poderia ter um pouco mais de intercâmbio entre os profissionais, mais reuniões para uniformização de critérios dentro de quadra.

Qual foi o jogo mais difícil que você já apitou?

A final do Campeonato Paulista Adulto, ano passado, entre Uniara e Ribeirão Preto. Estava sob muita pressão, pois pela primeira vez uma mulher apitava uma final de um campeonato profissional masculino. Precisava corresponder à confiança que foi depositada no meu trabalho pela Federação Paulista. Acho que não decepcionei e fiz um bom trabalho, que acredito ter me gabaritado para participar do Campeonato Nacional Masculino de 2002.

Quais as características de um bom árbitro?

Idoneidade, buscar sempre o melhor condicionamento físico, calma para manter os ânimos dos jogadores e técnicos e impor respeito durante toda a partida.