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04/05/2002 - Carlos Renato dos Santos

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O árbitro paulista Carlos Renato dos Santos, 29 anos, está vivendo mais um momento importante na sua carreira. Depois de participar do Campeonato Mundial Masculino da Grécia, em 1998, e de ser o único juiz brasileiro nas Olimpíadas de Sidney, em 2000, Renatinho se prepara para ir ao Mundial Masculino de Indianápolis, que acontece de 29 de agosto a 8 de setembro. Nesta entrevista, ele fala de suas expectativas para a competição e faz uma análise da arbitragem brasileira, que já é vista no exterior como uma das melhores do mundo.

Quando e como foi o início de sua carreira?

Sempre estive ligado ao basquete. Aos oito anos de idade, eu já jogava, seguindo os passos do meu pai e do meu irmão. Mas não era disso que gostava. Aos 12, larguei a bola e fui fazer o curso de arbitragem da Federação Paulista. Passei na prova final e comecei a apitar partidas das categorias de base.

Quais suas expectativas para o Mundial de Indianápolis e o que mudou no seu jeito de apitar nesses últimos quatro anos?

Há quatro anos atrás eu não tinha a maturidade que tenho hoje. Depois de participar do Mundial em 1998 e das Olimpíadas em 2000, adquiri mais experiência. Tenho certeza de que no Mundial de Indianápolis vou apitar jogos importantes. Minha preocupação é representar bem o Brasil como árbitro. Este ano, o nível técnico do campeonato está mais alto. Quase todos os times têm pelo menos um jogador da NBA. Torço para que a seleção brasileira consiga um bom resultado.

Você está fazendo alguma preparação especial para a competição?

Faço uma preparação que inclui musculação e corrida. Como trabalho durante o ano todo, tenho que estar sempre em forma, mas me preparo um pouco mais para o Mundial. Em uma competição como essa preciso estar com um condicionamento físico melhor.

Como foi a experiência de apitar a final olímpica em 2000?

Foi uma grande realização. Em competições importantes como essa temos a chance de provar que a arbitragem brasileira, assim como o nosso basquete, tem muita qualidade. Participar das Olimpíadas de Sydney foi um sonho realizado. Deu tudo certo para mim nessa competição. Fiz uma arbitragem melhor do que a outra nos jogos. Senti que se continuasse assim era um caminho natural apitar a final olímpica.

Como a arbitragem brasileira é vista no exterior?

O Brasil é um pólo importante da arbitragem internacional. A participação no Mundial de 1998 e na Olimpíada de 2000 colaborou muito para melhorar nossa imagem no exterior. A arbitragem brasileira já é vista como uma das melhores do mundo. Estamos no mesmo nível dos árbitros europeus e norte-americanos.

Como você analisa a nossa arbitragem?

Na minha opinião, a arbitragem brasileira é a melhor do mundo. Nossos árbitros tem um nível técnico alto. Os Campeonatos Brasileiros, principalmente o Nacional Masculino e Feminino, colaboram muito para isso. Em competições como essa, é possível se aprimorar. Apitamos jogos difíceis, onde existe pressão de todos os lados.

Qual foi o jogo mais difícil que você já apitou?

A partida mais difícil que já apitei foi Estados Unidos e França, na final das Olimpíadas de Sydney. Foi o jogo mais importante da minha vida. Além de ser um sonho realizado, precisava mostrar que tinha condições de fazer uma arbitragem de nível internacional. Tinha que mostrar que era bom e me senti muito pressionado. A final olímpica é o momento mais importante para um jogador, para um técnico e também para um árbitro.