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30/04/2002 - Estevam

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Aos 23 anos, o pivô Estevam passa por um momento inédito em sua carreira: transmitir experiência para o jovem time do Unimed/Franca. O pivô mineiro é o destaque da tradicional equipe paulista, aparecendo entre os melhores na estatística em três fundamentos: é o vice-líder em enterradas (média de 1,7 por jogo), quarto colocado nos bloqueios (1.6) e 12º reboteiro da competição (7.9). Nessa entrevista, o atleta fala da atual fase de sua carreira e suas expectativas para o futuro, entre elas, a luta por uma vaga na seleção brasileira que disputará o Mundial de Indianápolis, no mês de agosto.

O que faltou para o Franca realizar uma campanha melhor no Nacional e se classificar para os playoffs?

Acho que experiência foi o que mais fez falta ao nosso time. A equipe é muito guerreira, jovem e com muito potencial. Mas precisamos adquirir mais segurança e malícia para manter a regularidade, tanto na competição quanto em uma partida. Fizemos grandes jogos, conseguimos até abrir vantagem no placar em alguns deles, mas não resistimos à experiência e ao volume de jogo do adversário. Ainda precisamos de mais jogo de cintura para segurar o jogo e errar menos.

Como você avalia sua participação no Nacional e o seu crescimento como atleta?

Eu aprendi muito neste ano, pois vivi uma situação inédita, que é ser um dos mais experientes do time. Isso me deu mais maturidade, me fazendo crescer como atleta e como pessoa. Acho que meu jogo melhora a cada ano. Isso é conseqüência de muito trabalho e treinamento. Venho me aperfeiçoando nos fundamentos. Estou mais forte e experiente, me acertando especialmente nos rebotes e tocos.
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Quais suas expectativas para ser convocado para a seleção brasileira?

É o objetivo de todo atleta. Gostaria de ser lembrado pelo técnico Hélio Rubens. Acho que tenho condições de contribuir para o grupo e lutar por uma vaga entre os doze atletas que defenderão o Brasil no Campeonato Mundial.

E por falar em Mundial, quais as chances do Brasil em Indianápolis?

Acredito que esse grupo cresceu muito e tem grandes chances de fazer uma excelente campanha. Apesar de jovem, a equipe está junta há um bom tempo e tem entrosamento. Quanto aos adversários, acho que em um Mundial, todo jogo tem que ser encarado como final de campeonato. Os três adversários do Brasil na primeira fase (Líbano, Porto Rico e Turquia) podem ser vencidos, mas cada jogo tem a sua história e cada time tem o seu momento. Se trabalharmos forte e com decisão, podemos fazer grandes jogos e trazer o Brasil de volta à elite do basquete mundial.

Como começou a sua carreira e seus principais títulos?

Comecei no Esporte Clube Ginástico (MG), em 1995. Nunca me interessei por basquete e entrei por causa da minha altura. Com a prática vi que tinha potencial e poderia dedicar minha vida a esse esporte. Em 1999, me transferi para Franca onde estou até hoje. Em Minas fui bicampeão mineiro Sub-22, campeão adulto e medalha de bronze no Brasileiro Juvenil de Seleções. Em Franca, conquistei um Campeonato Paulista.
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E os planos para a próxima temporada?

Minha vontade é permanecer em Franca, mas nessa reta final de Campeonato nada está definido. Planos mais imediatos só o de treinar bastante para merecer uma chance na seleção e estar presente no Mundial.

Cite os melhores jogadores do Nacional 2002.

É difícil citar nomes em uma competição tão equilibrada, mas posso dizer que Marcelinho (Fluminense), Janjão (Flamengo) e o Edu Mineiro (Franca) me agradam muito, pois são os destaques de seus times.

Qual a importância dos técnicos para sua carreira? Algum deles te marcou mais?

Tive grandes técnicos que ajudaram a desenvolver o meu potencial. O meu atual técnico, Daniel Waffty me dá apoio e respeita muito o meu trabalho, o que me motiva a sempre estar melhor para a minha equipe. Trabalhei com alguns técnicos em Minas Gerais, como o Flávio Davis e o uruguaio Rubem Lopes. Para destacar um, prefiro citar o meu primeiro treinador: Luiz Carlos Dias Correa. Ele me ajudou demais dentro e fora de quadra. Além disso, me fez descobrir meu talento para o basquete, trabalhando os fundamentos básicos que me fazem ser o atleta que sou hoje.