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20/04/2002 - Jorge Guerra

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A experiência de quase trinta anos de carreira como jogador vem sendo fundamental para o trabalho de Jorge Guerra, o Guerrinha, como técnico. A frente do Bauru/Tilibra/Copimax há quatro anos, a equipe vem crescendo a cada temporada. Líder do Nacional Masculino 2002 (até a décima rodada do returno), o clube paulista é um dos favoritos ao título da competição. Guerrinha, que começou a praticar basquete com 10 anos, faz parte de uma vencedora geração do basquete masculino. Em Franca, sua cidade natal, onde jogou por 25 anos, conquistou por cinco vezes, os títulos do Campeonato Paulista Sul-Americano e foi campeão nacional quatro vezes.Pela seleção, que defendeu por quinze anos, o ex-armador é tricampeão sul-americano, participou de duas Olimpíadas (Seul/86 e Barcelona/92), três Mundiais e esteve na inesquecível conquista dos Jogos Pan-Americanos, em Indianápolis, em 87.

Existe um segredo para o sucesso do Bauru no Nacional?

Os bons resultados do Bauru são fruto de um trabalho de quatro anos no clube. Temos uma equipe base e uma estrutura que nos permite trabalhar bem dentro e fora da quadra. Um grande time não se faz em apenas uma temporada, e sim com uma filosofia de jogo bem desenvolvida e assimilada pelos jogadores. O Bauru tem isso e, ganhando ou perdendo, adquirimos a cada ano mais personalidade e volume de jogo.
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Qual a diferença entre o Bauru de 2001, que ficou em 6º lugar no Nacional, e o de hoje, que lidera a competição?

A grande diferença é que temos mais variedades táticas. No ano passado, sofremos muito com contusões e com o desgaste trazido pela final do Campeonato Paulista, que terminou nas vésperas do Nacional. Hoje, posso revezar mais o time e garantir uma regularidade na competição. Acredito que tecnicamente a equipe está na sua melhor fase desde que assumi, há quatro anos.

Quais suas expectativas e os favoritos ao título?

Nosso objetivo agora é continuar entre os quatro primeiros colocados para garantir o mando de quadra na próxima fase. Mas sei que a equipe é muito forte e, unindo experiência e juventude, posso dizer hoje que temos todas as chances de conquistar o título. Acho que na mesma situação estão Vasco, Flamengo, Minas, Uberlândia e Ribeirão Preto, que são as equipes melhor estruturadas. Mas isso não significa muita coisa. O Nacional está bastante equilibrado e uma competição extremamente forte e perigosa, pois podemos ganhar e perder de qualquer adversário, independente da posição que ocupe na tabela.
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Quais jogadores você destacaria neste Nacional?

Da minha equipe eu acho que o Vanderlei e o Josuel estão fazendo a melhor temporada deles nos últimos tempos. Dos outros times, eu destacaria Janjão (Flamengo), Nenê, que atuou pelo Vasco, Helinho (Vasco), Demétrius (Minas), Luis Fernando e Arnaldinho (Uniara). Além desses, acredito que o Leandrinho (Bauru) seja a grande revelação do campeonato. É um grande armador.

Qual a importância da torcida para equipe?

O apoio da torcida é fundamental. No interior paulista, a torcida é a cidade inteira. É uma comunidade empurrando o time para frente. É maravilhoso e também uma grande responsabilidade. Além disso, é um fator que intimida os adversários, o que nos ajuda muito.

Você jogou por mais de vinte anos e fez parte de uma geração vencedora do basquete brasileiro. Como essa experiência como jogador ajuda no seu trabalho como técnico?

Ajuda em tudo na minha relação com a equipe. A vivência como jogador, tanto em clube como na seleção brasileira, me dá bastante credibilidade junto ao grupo. Além disso, tenho uma base bastante sólida para entender a realidade do atleta. Sou um técnico jovem, com apenas cinco anos de experiência, mas com grande bagagem internacional que a experiência como armador me trouxe.

E como foi essa mudança de função na sua carreira?

Para mim foi uma conseqüência natural na carreira. O armador é o técnico dentro da quadra. Sempre joguei pensando no desenvolvimento do jogo para o grupo. Com isso, ser técnico foi um passo praticamente automático na minha vida. Mas aconteceu até mais rápido do que eu esperava. Quando parei de jogar em 1997, no Ribeirão Preto, minha idéia não era dirigir diretamente a equipe e sim ser supervisor ou assistente. Mas me convidaram para assumir o time um mês depois que parei de jogar. Foi até engraçado, pois passei a treinar meus próprios companheiros de equipe. E isso acontece até hoje. Joguei com alguns atletas que treino atualmente e isso é mais um elo de união para o grupo. Minha primeira experiência como técnico foi excelente, conseguindo chegar a duas finais (Paulista e Nacional). Depois fui para o Bauru onde estou há quatro anos.
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E como começou a sua trajetória jogador?

Nascer em Franca já é meio caminho andado para, no mínimo, ser um fã de basquete. Meu pai tinha uma fábrica de chuteiras e meus irmãos jogavam futebol, mas o basquete foi me contagiando dia a dia Eu ia assistir aos treinos, jogos e depois entrei na escolinha. Comecei com dez anos. Naquela época, as divisões de base não tinham a estrutura independente que têm hoje. Por isso, com quinze anos, eu já estava jogando no Amazonas/Franca, onde convivia com atletas de seleção brasileira. Além de Franca, onde joguei por 25 anos, atuei no Monte Líbano e no Ribeirão Preto, onde fiz minha última temporada, em 1997. Na seleção brasileira, joguei ao todo 15 anos: de 82 a 97, sendo que parei em 94 e 95.

Quais são seus sonhos para o futuro?

Como todo profissional, acho que a coroação do trabalho de um técnico é chegar à seleção brasileira. Eu venho de uma escola vitoriosa do basquete brasileiro e da filosofia desenvolvida hoje na seleção. Acredito que tenho condições de um dia realizar meu sonho.

Para terminar, que mensagem você deixaria para os iniciantes do basquete?

Manter sempre a humildade, mas sem deixar de acreditar no potencial de seu trabalho. É preciso também muita perseverança, pois temos que abrir mão de certas coisas de nossa vida pessoal. Mas sempre vale a pena.