Imprensa

08/03/2002 - Adriana Santos

img
Jogando na França há cinco meses, a ala Adriana Santos está muito feliz nessa nova fase de sua carreira. Defendendo o Lattes Maurin, da cidade de Montpellier, a jogadora aprimora seu jogo convivendo com diferentes escolas do basquete internacional. A atleta, de 31 anos fala sobre essa nova experiência e suas expectativas para o Mundial Feminino, na China, em setembro, quando tentará levar para casa mais uma medalha.

Como está sua equipe na competição?

Estou disputando o Campeonato Francês e a Copa da França. No primeiro estamos um pouco irregulares, ganhamos dos times fortes e perdemos dos mais fracos. Já na Copa da França estamos indo muito bem. O público é muito fiel e sempre lota os ginásios.
img

Conte um pouco do seu dia-a-dia na França.

Treino em dois períodos de duas horas. Vou ao curso de francês duas vezes por semana. Os jogos são aos sábados. Aos domingos, procuro visitar as cidades vizinhas para conhecer as ótimas opções de cultura e lazer da região. Já estou me sentido bem à vontade aqui na França. Além da saudade da família, o mais difícil foi me acostumar com o frio europeu, mas consegui me adaptar e acho que estou falando bem o francês.

E a sua adaptação ao Lattes Maurin?

Eles me dão muita liberdade, me deixam jogar como estou acostumada a fazer no Brasil, que é dar velocidade ao grupo e chutar o máximo de bolas de três pontos. Além disso, é a primeira vez que o clube participa da primeira divisão e faz com que todos queiram causar uma boa impressão.
img

Como você avalia sua atuação no clube?

Acredito que estejam satisfeitos com o meu trabalho. O técnico sempre me pede opiniões e já conquistei sua confiança. Acho que estou ajudando o time a fazer uma boa campanha e aprimorando meu jogo a cada dia.

Depois desses meses fora, mudou alguma coisa no seu estilo de jogo?

Os europeus privilegiam muito a defesa e as assistências e acho que melhorei nesses fundamentos, mas temos um estilo de jogo que é só nosso e que não quero modificar.

Que imagem a França tem do basquete feminino brasileiro?

Eles nos respeitam muito por tudo que já fizemos no basquete. Afinal, um título mundial (Austrália) e duas medalhas olímpicas (prata em Atlanta/96 e bronze em Sydney/2000) são conquistas memoráveis.
img

Em ano de Mundial, como está sendo o intercâmbio com as jogadoras de outros países?

Está sendo fantástico pois tenho a oportunidade de jogar contra várias escolas: australiana, americana, eslovaca, russa, francesa etc. Aqui todos os times têm quatro estrangeiras e isso proporciona uma grande visão de como está o basquete nos outros países. Quanto à seleção da França, acho que as jogadoras estão bastante motivadas, principalmente depois de terem conquistado o campeonato europeu. Elas começam a treinar em agosto e acredito que têm grandes chances de disputar uma medalha.

Analise o grupo do Brasil no Mundial.

O Senegal, que já enfrentamos nas Olimpíadas de Sydney, não tem um time forte. A Iugoslávia é uma equipe tradicional, algumas atletas estão evoluindo muito jogando no campeonato europeu. A China é o adversário mais forte e também o mais conhecido e sabemos jogar contra elas. As chinesas são ótimas e contarão com o apoio da torcida, mas confio muito em nossa equipe e penso que poderemos passar para a próxima fase com três vitórias.
img

Quais suas expectativas para o Mundial na China e quem são os favoritos para o pódio?

Espero que o nosso grupo esteja bastante coeso para alcançarmos nosso objetivo, que é o pódio. Temos talento e determinação para isso, mas teremos que nos superar a cada jogo. O Campeonato é muito equilibrado, com um grupo variado de equipes, além do Brasil, que podem subir ao pódio: Estados Unidos, Austrália, Rússia, França, Coréia e China. Com certeza, será uma bela briga pelas primeiras colocações.