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04/08/2016 - Alex Garcia

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Parceiro para qualquer situação, odiado pelos adversários e amado pelos companheiros de equipe, amigos e torcedores dos times que defende. Esse é Alex Garcia ou simplesmente o “Brabo”. Com 1,92m de altura, o ala consegue superar as barreiras como atleta e sempre jogando em alto nível. Já defendeu duas equipes na NBA (San Antonio Spurs, em 2004 e New Orleans Hornets, em 2005) e disputou um Final Four da Euroliga pelo Maccabi Tel Aviv, de Israel. Aos 36 anos é o jogador mais velho da Seleção Brasileira que irá disputar a Olimpíada do Rio de Janeiro, a segunda em sua carreira. Nesta entrevista, Alex fala um pouco de sua vida, da expectativa de se despedir da Seleção com uma medalha.

Como o Alex Garcia define o Brabo das quadras?

Um cara que é guerreiro, não gosta de perder, que luta pela vitória o tempo todo. Esse é meu estilo dentro da quadra.
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Você faz parte de uma geração que só em 2012 conseguiu disputar uma Olimpíada e agora tem a honra de jogar a segunda em casa.

Acho que só de chegar na Olimpíada defendendo uma Seleção é uma honra. E jogar em casa é uma satisfação muito grande. Mas também uma responsabilidade maior porque iremos representar todos os basqueteiros do país. Isso dá um gostinho de satisfação muito grande.

Dá para dizer que mesmo com a ausência do Tiago Splitter e do Anderson Varejão o momento da equipe é muito bom?

Isso mesmo, muito legal. A gente sente a perda do Tiago e do Anderson, que são dois representantes do nosso garrafão, mas tenho certeza que o Cristiano Felício vai fazer o máximo para corresponder. É uma geração que está no seu melhor momento. Os caras que jogam na NBA terminaram com uma temporada muito boa e também os jogadores que disputaram a Liga Nacional. Todos se conhecem bem e temos tudo para conquistar uma medalha no Rio.
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Você já foi juvenil, novato e agora o veterano da equipe junto com o Guilherme Giovannoni. Como é ser chamado de tio pelos mais novos?

Fico feliz. Tenho 16 anos de seleção brasileira e lembro muito bem quando comecei em 2000, tinha acabado de sair do juvenil e era o mais novo. É muito gratificante estar na seleção brasileira, ajudando e dando minha contribuição em alto nível. Estou muito bem fisicamente. Sei da realidade de hoje e também a função na equipe. Só tenho idade (36 anos), porque o físico e o espírito são de um garoto. Quando estou em quadra faço o máximo para ajudar.
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Qual avaliação que você faz da sua carreira?

Fui um cara privilegiado. Sempre joguei em equipes que disputam títulos. Fico feliz por tudo isso. São 18 anos de basquete produtivo por todas as equipes que passei. Tive algumas lesões, como todo jogador pode ter, mas falta de trabalho nunca faltou e nem faltará. Sempre procuro melhorar meu basquete, buscando ser protagonista das equipes que jogo.

Já planejou alguma atividade para quando parar com o basquete?

Ainda não. Lógico que converso com muita esposa sobre o que vou fazer, o que posso encaixar melhor após a carreira, mas ainda tenho muito o que dar para o basquete como jogador. É só me manter jogando em alto nível e evitar lesões que vou estender minha carreira por mais alguns anos. Depois penso em ser técnico de garotos, ensinar fundamentos e preparar meninos para o basquete.
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Você tinha a cara da NBA, mas uma fratura tirou seu sonho de seguir jogando no San Antonio Spurs.

Foi estranho porque nunca havia me machucado antes. Cheguei em San Antonio e tive dias especiais, convivendo com jogadores que só via pela TV. Infelizmente aconteceu uma fratura no pé. Não tem explicação pelo ocorrido. Fiz meu máximo e não fico triste porque foi um acidente e mostra que a NBA não era para mim. Jogadores estão sujeitos a lesões. Se voltasse no tempo, faria tudo outra vez, com dores, lesões, porque dentro de quadra dei meu máximo. Só não deu para escolher o futuro.

Dá para afirmar que a medalha está na cabeça de cada um de vocês?

É o objetivo de todos. Tivemos uma grande oportunidade em Londres 2012, mas facílimos no jogo contra a Argentina. O momento é agora e junto com o torcedor podemos chegar um pouco mais longe no Rio e brigar por uma medalha. Temos um grupo de jogadores muito forte e todas as condições na fase de preparação. Estamos trabalhando duro, vamos pensar num adversário de cada vez e fazer o nosso melhor em quadra.

Você teve vários bons técnicos na carreira. Qual aquele que mais te marcou?

Tive a felicidade de ser jogador do professor Edvar Simões na fase mais importante da minha carreira, a passagem de juvenil para o adulto. Ele me ajudou muito a se tornar atleta. Me ensinou muita coisa quando cheguei no COC/Ribeirão Preto, especialmente a dar valor e fazer por merecer um aumento salarial. Em seis meses tive três aumentos. Os moleques de hoje precisavam conhecer quem foi Edvar Simões.
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Como é o Brabo em casa com esposa Camila e as filhas Ana Lívia e Luana?

Sou muito caseiro. Gosto mesmo de ficar em casa. E em casa sou a minoria, já que são três mulheres e ainda três cachorras que são os xodós da família. Meu harém é assim. Durmo com a esposa e acordo com três filhas, e às vezes com as cachorras também. Sou um cara feliz, curto muito a família, brincando com as filhas e assistindo muito filmes. Gosto pouco de sair de casa.

Qual sua mensagem para a torcida brasileira na Olimpíada?

O que posso falar para o torcedor é que vamos brigar pela vitória em todas as partidas. Cada um vai fazer dar o seu máximo em quadra porque foi isso que fizemos durante os treinamentos. Vamos fazer tudo o que a comissão técnica pedir, se doando ao máximo porque não podemos deixar escapar o sonho da medalha olímpica. Todos sabem que para muitos dessa geração é a última competição. É só focar no trabalho que vai dar tudo certo.