Imprensa

19/04/2016 - Adriana Moisés Pinto

img
Figurinha carimbada nas Seleções Brasileiras nas últimas duas décadas, Adriana Moisés Pinto, está de volta para defender o Brasil na temporada 2016. Aos 37 anos, a atleta que defende o UNINASSAU/América, de Recife, fez parte da equipe nacional que conquistou a medalha de bronze na Olimpíadas de Sydney, em 2000. A história que foi construída por Adrianinha nas quadras nacionais e internacionais, ainda não acabou. Agora chegou a vez da atleta, que se destaca pela velocidade e liderança, representar a bandeira verde e amarela no Campeonato Sul-Americano em Barquisimeto, na Venezuela, de 20 a 25 de maio. Quem gosta de basquete feminino vai curtir ler a entrevista da veterana que fala dos anos de dedicação ao basquete, da experiência de treinar crianças, da renúncia e de muita competência com a camisa da seleção.

Você já disse adeus algumas vezes da Seleção Brasileira. O que te faz voltar a defender o país?

Às vezes, no momento de uma frustação, no momento em que um resultado poderia ter sido melhor, a gente fala: chega, tá bom. Muitas vezes acreditei que ali era o fim, que era um momento para as atletas mais jovens. Mas as coisas não funcionam sempre como a gente espera. Eu não consigo falar não para a Seleção. Estou no Brasil e se tem uma coisa que fala mais alto, é o amor por defender meu país no esporte que amo.
img

Qual é a sensação que fica quando você olha pra trás e vê a história que construiu com o basquete?

Mais do que a historia que eu construí, tem a emoção. Eu me emociono cada vez que vejo o que o basquete fez na minha vida. A coisa que mais quero é retribuir o que esse esporte fez por mim. Muitas coisas positivas e que não existe, hoje, outro sentimento a não ser agradecimento.
img

Sobre as portas que se abriram para você: WNBA, a temporada italiana, as suas passagens na seleção brasileira. Conte um pouco sobre essa evolução?

Foi tudo muito natural. Eu tive as oportunidades e soube aproveitá-las. Tive pessoas que me ajudaram muito. Treinadores e família foram importantíssimos. As minhas companheiras de equipe me ajudaram em quadra, além de terem contribuído como ser uma boa pessoa. Elas foram essenciais na minha vida. Tive a honra de estar do lado da Paula, Paulo Bassul, Barbosa. Poderia citar muitas pessoas que me ajudaram e tiveram uma imensa importância pra mim.

O que espera dessa nova convocação para o Sul-Americano?

Eu só espero coisa boa. Acho que o basquete vai ter uma chance de se reafirmar no cenário esportivo brasileiro. Essa chance de jogar a Olimpíada em casa vai ser divina. Vamos mostrar um basquete bonito com garra. Acredito na experiência do técnico Barbosa (Antonio Carlos), tenho uma confiança imensa.
img

O sonho de todo atleta é jogar uma Olimpíada, ainda mais em casa. Você espera fazer parte desse momento?

Eu ainda estou me recuperando de uma lesão. Mas tenho fé em Deus que farei parte desse momento e dando sempre 100% para a Seleção. Se eu não estiver lá, pode ter certeza que estarei torcendo por todas que estiverem. Porque acima da minha realização pessoal, tem o sonho de ver o basquete feminino voltar a crescer. Quero ver essas meninas sonhando em jogar basquete. É isso que desejo, que esses Jogos Olímpicos tragam esse momento de novo para a gente.

Você tem um peso de trazer uma grande responsabilidade representando a Seleção Brasileira. O que aprendeu com toda a sua trajetória?

Aprendi que não tem preço o momento que a gente veste a camisa do Brasil. Nem sempre os resultados saem como esperamos, mas o orgulho é algo que fala muito alto. Nesses anos que estive com a Seleção sei que fiz o melhor que pude. Sei que todas as atletas que estiveram ali deram o máximo também.
img

Qual foi o seu principal resultado com a Seleção?

A medalha de bronze na Olimpíada de Sydney, em 2000.

Se pudesse voltar em um momento com a Seleção, qual seria?

Eu voltaria na Seleção Juvenil que disputou o Campeonato Mundial da categoria no Brasil, em 1997.

Você tem uma filha chamada Aaliyah, de 10 anos. Como é o seu lado mãe e como é deixar muitas vezes a família para praticar o esporte que tanto ama?

É difícil. Sacrifiquei muito minha filha viajando no mundo comigo. Mas sempre procurei dar todo amor e carinho que uma filha precisa. Nesse momento ela está com o pai, e seguindo os passos do basquete. A mulher que deseja trabalhar e ser mãe é natural que se depare com alguns sacrifícios. Isso faz parte, não tem como fugir.

Qual é a diferença entre a Adrianinha nas quadras e a Adrianinha fora delas?

Eu sou uma só. Tudo que faço com amor em quadra, eu faço também fora. Eu amo minha profissão, meus amigos, família e amo a Deus. Tenho muita energia dentro e fora da quadra. Isso não muda absolutamente nada.
img

Como é conciliar a vida de casada com a de atleta?

Eu acho que por ele também ser atleta o entendimento é bem melhor. O Reinaldo joga pelo Sport Recife e trabalha muito pelo basquete também. Isso ajuda muito a conciliar. A vida dele é como a minha, e nos entendemos muito bem em relação a isso.
img

A experiência de treinar crianças e dá aulas no projeto social “Cestinhas do Futuro” te encantou. Como treinadora, qual é o seu maior desafio?

Eu auxilio esse projeto, e estou na fase de formação. Posso dizer que ainda estou aprendendo a ensinar. Já fiz alguns cursos, inclusive os módulos de ensinamentos da Escola Nacional de Treinadores (ENTB). Estou me aperfeiçoando a cada dia. Isso me encanta muito. Sinto uma coisa maravilhosa em passar o esporte para essas crianças. Sabemos que nem todas irão virar atletas de alto rendimento, mas tenho certeza que isso servirá para alguma coisa muito importante na vida delas.
img

Bate-Bola:

- Minha maior virtude em quadra é:apesar do tamanho, a minha coragem - Meu maior defeito em quadra é: meu lado esquerdo - Um campeonato: o primeiro campeonato quando voltei para o Brasil - Um técnico: a técnica que comecei Sayuri Yoshimura - Um time: Golden State Warriors (NBA) - Uma quadra: Phoenix, um time que defendi na WNBA - Amigo que basquete me deu: Alessandra, eterna pivô da Seleção - Uma admiração no basquete: Magic Paula - Jogo que não esqueço: Um jogo que joguei de lateral na Itália e fiz 40 pontos - A bola inesquecível: Mundial Juvenil contra a Austrália, chutei do meio da quadra no final do jogo e caiu