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23/03/2016 - Cíntia Tuiú

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No ano em que o Brasil completa 20 anos da conquista da medalha de prata dos Jogos Olímpicos de Atlanta, a pivô Cíntia Silva dos Santos relembra esse momento histórico do basquete brasileiro. Cintía Tuiú defendeu a Seleção Brasileira durante 15 anos e foi uma das últimas jogadoras da geração campeã mundial (Austrália/1994) a deixar as quadras profissionalmente. A paulista de Mauá foi também medalha de prata na Olimpíada de Atlanta (1996) e bronze em Sydney (2000), quatro vezes campeã sul-americana e bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo (República Dominicana/2003). Entre tantas conquistas, a atleta também teve grandes experiências no basquete internacional. Atuou na Itália, República Tcheca e três anos na WNBA, nos Estados Unidos, tendo sido titular do Orlando Miracle. Nessa entrevista, a ex-pivô conversou sobre as experiências vividas em sua carreira esportiva, as vitórias e os momentos marcantes, e sua dedicação ao esporte. A paulista de Mauá, na grande São Paulo, também se empolga ao falar daquele momento mágico de uma geração que encantou o mundo.

O basquete surgiu muito cedo em sua vida. Como foi esse início de relação com o esporte?

Comecei a jogar basquete aos 11 anos de idade. A minha irmã mais velha, a Andréa, jogava e eu acabei seguindo os seus passos. Eu lembro que ela me levava para os treinos e eu não entendia absolutamente nada. A partir daí, comecei a me interessar por aquele jogo rápido e emocionante. Percebi que era um esporte que se movimentava sempre, e eu sempre gostei disso. No colegial cheguei a praticar vôlei, mas não curtia muito, achava um pouco parado. Até que em um dia de Carnaval, eu e minha família encontramos com o técnico da Andrea, que me convidou para fazer um treino. Foi ali, depois de aceitar, que me apaixonei por esse esporte.
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Como foi o seu primeiro momento na Seleção Brasileira e quais as memórias que permanecem viva?

Na Seleção Adulta cheguei com 18 anos. Era o momento de renovação e estava entrando uma nova comissão técnica, com Miguel Ângelo da Luz e o Sergio Maroneze. Não tínhamos muita credibilidade e os resultados vieram com muito trabalho em equipe. Eu me lembro que eram oito meninas entre 18 e 20 anos. Foram meses intensos de treinamentos fortíssimos e muito comprometimento. As memórias são essas de um trabalho muito duro e a vontade de mostrar resultado.

Quais as principais recordações da medalha de prata em Atlanta e o que representou em sua carreira?

Em Atlanta, o Brasil era um time que todos queriam ganhar. Campeão mundial em 1994, era uma equipe favorita e todo mundo queria ver se tínhamos realmente condições de chegar a final novamente. “Um jogo de cada vez”, era sempre a frase que as mais experientes usavam. E posso dizer que realmente foi assim até o final. Perder para os Estados Unidos na disputa da medalha de ouro, doeu. Mas subimos ao pódio sabendo que éramos vencedoras.
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Conte um pouco sobre essa sua vida ainda dentro do basquete.

É difícil deixar o basquete ou o esporte em geral depois de tantos anos. Trabalho com crianças de 6 a 13 anos, e cada dia é um aprendizado diferente. Eu vejo o interesse de quanto eles querem aprender com uma ex-atleta profissional. Acho isso magnifico, um prazer imenso.

Você já fez parte de uma seleção comandada pelo técnico Antônio Carlos Barbosa. De volta ao comando da equipe principal, o que o Barbosa pode agregar na vida desse time que irá brigar por uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio?

Com o Barbosa tivemos ainda grandes resultados. Ele é um técnico que está atualizado com o basquete mundial. O Barbosa é um disco rígido, tem uma memoria incrível e lembra de fatos de anos atrás, em detalhes. Eu fico feliz que ele voltou, fez parte da minha vida esportiva. Sabe ter um bom time, dentro e fora de quadra, e trata suas jogadoras como filhas. Isso é muito importante.
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Entre vitórias e derrotas, qual o momento mais marcante da sua geração?

Sem dúvida nenhuma foi ter levado o Brasil a ser o quarto melhor do mundo. E é claro, a medalha de ouro no Campeonato Mundial e as duas medalhas olímpicas.

Qual é a sua expectativa para o basquete feminino na Olímpiada Rio 2016?

Que o Brasil possa ficar em uma posição melhor do que da última Olimpíada. É óbvio que sonhamos com o pódio, mas nesse momento temos equipes muito fortes. Então seremos sensatos e vamos torcer pela melhor posição possível.
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Quais são os seus planos para os próximos anos?

Continuar trabalhando com esporte, indo atrás de conhecimento e não parar de aprender nunca.

Se pudesse voltar em um momento com a Seleção Brasileira, qual seria?

Voltaria na final do Campeonato Mundial da Austrália. Assim poderia ver novamente a bandeira do brasil subindo e nosso hino nacional tocando. Foi um momento maravilhoso, único e mágico.