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23/02/2016 - Rubén Magnano

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A 164 dias do início dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, o técnico da Seleção Brasileira Adulta Masculina, Rubén Magnano, falou sobre a expectativa para a estreia no dia 6 de agosto, os jogadores que atuam na NBA, na Liga ACB (Espanha) e na Liga Nacional, além de lesões e da programação da equipe nacional. Campeão olímpico em Atenas 2004 com a seleção da Argentina, o treinador estará no comando do Brasil pela segunda vez em uma Olímpiada e a quarta de sua carreira. Nos Jogos de Londres 2012, a Seleção Brasileira terminou em quinto lugar.
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Quais as chances de conquista de uma medalha?

Sem a menor dúvida podemos sonhar. Temos que declarar nossa perspectiva por uma medalha. Não está muito longe essa possibilidade. Que é difícil é, mas temos que lutar por isso. Há muitas variáveis que devem ser levadas em conta, mas acredito nessa possibilidade.

O que o Brasil precisa fazer para passar das quartas de final e ficar mais próximo do sonho da medalha?

Nós vamos passar, mas precisamos chegar lá primeiro. Depois que chegarmos, vamos ver o que fizemos nos anos anteriores e o que precisamos fazer diferente para alcançar um resultado diferente. Depois precisamos ver a questão psicológica dos jogadores. Mas confesso que este jogo já está na minha cabeça.
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O que podemos esperar do nível dos jogos?

Pelo que ando lendo e escuto das equipes, teremos jogos interessantes. As equipes virão para o Rio com suas seleções completas. Serão partidas duras e interessantes de jogar. É claro que não é novidade que Estados Unidos, campeão do mundo, e Espanha, campeão europeu, serão partidas ainda mais duras.

Como será a preparação do Brasil para os Jogos Olímpicos?

Temos algumas reuniões ainda, mas está quase certo que nos apresentamos entre os dias 15 e 20 de junho, em São Paulo. Teremos cerca de 50 dias de preparação até a estreia, além de dez partidas amistosas. Já entramos em contato com as equipes, mas estamos aguardando as confirmações. Falamos com China, Lituânia, Austrália, além de França, caso classifique no Pré-Olímpico Mundial, mas as possibilidades estão abertas. Esses jogos serão importantíssimos para colocarmos principalmente os jogadores que não estiverem no ritmo preparado para os Jogos Olímpicos.
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O que podemos esperar do Pré-Olímpico Mundial na Itália, Filipinas e Sérvia, de 4 a 10 de julho, que classificará três equipes?

Nossa ideia é ter um scoutista em cada uma das três cidades. Precisamos de todas as informações sobre a parte tática das equipes que vão disputar as competições. Nos dias 11 e 12 março, será realizado o sorteio dos grupos das Olímpiadas e aí teremos mais definido aonde deveremos focar para aprimorar o scout.
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O que é mais difícil na montagem da equipe?

Infelizmente o Brasil não tem uma grande quantidade de jogadores de nível olímpico. A possibilidade de ficar sem o Tiago (Splitter) é um problema para nós, é uma adversidade. Ele é uma referência para a seleção, que encaixa muito bem ofensiva e defensivamente com a equipe. Mas não vou fechar essa janela por agora. Eu tenho uma ponta de esperança e vamos ver o que vai acontecer, mas precisamos esperar conversar com o médico do Brasil para saber se realmente podemos esperar por ele. Até lá estarei pensando e sonhando com a presença dele. Esta é a nossa posição e nosso panorama. Mas vamos falar de coisas positivas e quais as soluções para chegarmos no dia da estreia com a bola ao ar e da melhor maneira possível.
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Anderson Varejão acaba de trocar de franquia. Saiu do Cleveland Cavaliers, que defendeu por 12 anos, e foi para o Golden State Warriors. O que achou dessa mudança?

Era um desejo enorme que Anderson fosse trocado, pois não estava sendo considerado mais em sua equipe. É uma troca excelente, pois precisamos que Anderson tenha minutos de quadra para que chegue com basquete na nossa preparação e nas Olímpiadas. É difícil garantir, pois é muito recente, mas espero que ele consiga ingressar na rotação da equipe. Curiosamente, é uma equipe que trabalha muito com esse estilo de rotação. Eu tenho muitas esperanças que comece jogando. Quando estive em Cleveland conversamos bastante, falamos sobre essa situação e como deveria chegar preparado nos Jogos do Rio. Mas ele também estava se preparando e treinando forte para quando chegasse a hora estivesse bem.

Quem seria hoje a equipe titular do Brasil?

Não falo de titulares. Falo de jogadores que abrem a partida e outros que vem de trás. Para mim possuem valores iguais. E a minha equipe sabe disso. Quem estiver bem, joga.
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Você viaja para a Espanha na sexta-feira (dia 26) para conversar com os atletas que atuam na Liga ACB. Como está a programação desta viagem?

Faço anualmente esta viagem para conversar com os jogadores que atuam na Europa. Assistirei no domingo (28) o jogo UCAM Murcia contra Unicaja Malaga, em Málaga. E me encontro com Vitor Benite depois da partida para conversarmos sobre sua temporada na Espanha, o planejamento da Comissão Técnica e o calendário 2016. Na quarta-feira (2 de março), viajo para Madri onde assistirei o confronto entre Real Madrid e CSKA Moscou, pela Euroliga. Assim como Benite, me encontro com Augusto Lima depois da partida para conversarmos. Augusto está muito bem, possui experiência de Espanha e evoluí muito a cada temporada. Benite foi símbolo de dúvida quando foi anunciado na Europa, mas hoje vejo como está bem. Ele está com a concepção de jogo da Europa e do basquete FIBA.
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Você acredita que esses Jogos Olímpicos têm como missão também aumentar o número de jogadores e torcedores nacionais para a modalidade?

A verdade é que não dá para falar muito disso. O número de jogadores é grande e eles estão prontos para jogar, mas não a nível olímpico. Representar o Brasil em uma competição olímpica é muito especial. Minha intenção sempre foi trazer gente nova e ir mesclando com os mais experientes pelo futuro do basquete. Infelizmente alguns jovens deram a negativa para a seleção e hoje é realmente um problema. Hoje, na véspera da competição, não podemos mais fazer testes. Eu convoquei muitos jogadores para participarem de competições e hoje estarem preparados para esta situação. Mas vamos seguir lutando e buscando isso, alimentando o comprometimento dos nossos atletas e esperar pra ver o que aconteça.
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O que falta para o basquete voltar à preferência do brasileiro?

O basqueteiro que acompanha a modalidade e me conhece, esse me para na rua e fala que voltou a acompanhar basquete, se gosta ou não do que estou fazendo. Isso me agrada muito. A credibilidade é o mais importante para o nosso basquete. Sem a credibilidade fica muito difícil. A imagem da Seleção Brasileira é muito forte e muito boa. Não temos uma obrigação numérica, mas recuperar o torcedor. Vamos lutar em quadra. Esse é o nosso grande objetivo e sonho, mas precisamos também trazer a melhor imagem possível para nossos torcedores. A história do basquete brasileiro é muito rica. Quero que identifiquem na nossa seleção alguns valores que tem a ver com esporte. Para mim isso é muito importante.
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Jogar em casa é uma vantagem?

Jogar em frente à torcida é uma vantagem. Se me perguntarem o que prefiro jogar em casa ou fora? Com certeza, em casa. É uma coisa única e que poucos atletas, técnicos, dirigentes e torcedores têm como privilégio de ver em casa a sua seleção. Mas temos que avaliar, analisar para não se tornar um problema, com efeito, bumerangue. Isso não me preocupa tanto. O primeiro jogo que temos que ganhar é o da nossa preparação.

E como está a sua preparação para a competição?

Estou bastante confiante. Eu também me preparo para as competições. Assisto todos os jogos dos rivais e acompanho todos os jogadores selecionáveis, já pensando também no futuro do basquete brasileiro. O basquete vai continuar depois de 2016, então não posso perder um minuto. Essa será a quarta vez que disputo uma Olimpíada e também será um desafio para mim.