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09/01/2016 - Palmira Marçal

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A ala Palmira Marçal, de 31 anos, é um dos destaques da Liga de Basquete Feminino defendendo a equipe do Sampaio Basquete (MA). A atleta, que trocou as pistas de corrida pelas quadras de basquete quer fazer bonito no Evento-teste para os Jogos Olímpicos do Rio 2016. Pela Seleção Brasileira, a jogadora foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007) e de bronze nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara (México/2011), campeã da Copa América / Pré-Olímpico (Colômbia/2011) e bicampeã sul-americana (Chile/2010 e Paraguai/2006). Além disso esteve na equipe nacional que defendeu o Brasil no Campeonato Mundial da República Tcheca em 2010 e participou da preparação nacional para os Jogos Olímpicos de Londres (2012). Em seu currículo, Palmira é taxativa quando questionada o que falta. A ala quer disputar os Jogos do Rio em agosto deste ano.
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Você começou na Seleção Brasileira com o técnico Antonio Carlos Barbosa. Depois de quatro anos você retorna sob o comando dele. O que significa esse retorno?

O Barbosa foi quem me deu a primeira oportunidade na Seleção Brasileira. E depois desses quatro últimos anos voltar sob o comando dele, é uma sensação muito boa. Gosto muito dele não só como técnico, mas também pela pessoa que é. Temos uma relação uma boa. Sou muito motivada sempre a defender o Brasil, independente do técnico que esteja no comando, mas saber que o Barbosa confia no meu trabalho é um fator a mais para mim. Estou muito focada, me dedicando aos treinos e quero estar na Olimpíada. Sempre há a possibilidade e estou com minha cabeça muito tranquila que não vou desistir nunca do meu sonho.
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Como está o Brasil para o Evento-teste?

Desde o primeiro dia de treino aqui em São Paulo não tivemos moleza. A preparação já está a todo ritmo, mesmo com poucos dias de concentração. É um grupo bastante unido no propósito e se preparando forte para os jogos que vamos fazer desde os amistosos até a competição em si. Nosso objetivo é trabalhar com responsabilidade e foco em quadra, mas também com tranquilidade e diversão. Não interessa que é um Evento-teste, ninguém gosta de perder. Tenho certeza que faremos o melhor possível. O clima aqui está muito bom e é disso que estamos precisando no momento. Vamos fazer uma boa apresentação e sair com essas vitórias. O Barbosa sempre diz que temos que procurar o primeiro lugar e temos tudo para fazer bons jogos.

A atual Seleção Brasileira contra uma equipe com atletas experientes mesclada com mais jovens. Como é essa interação entre as idades?

A equipe realmente está bem mista com atletas experientes e outras mais novinhas. Mas essa é uma característica de toda convocação, com o objetivo de ajudar o amadurecimento das mais novas, além de servir para ganharem experiência na hora de atuar em suas categorias. As mais novas são mais tímidas, então procuramos fazer brincadeiras para que elas também se soltem mais. Isso é muito importante, pois vamos precisar delas. As mais velhas de hoje são bem mais tranquilas do que as da minha época.
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Na atual temporada da LBF você está vestindo a camisa do Sampaio Basquete (MA). Como está a equipe para a competição?

Quando me apresentaram o projeto do Sampaio, mostraram todo planejamento e queriam a conquista do título. A equipe está muito bem na temporada e entre as favoritas ao título. Mas a competição está bem mais equilibrada nessa temporada. É difícil definir nesse estágio quem vai sair com o título. Mas acredito que esse equilíbrio entre as equipes seja bastante benéfico para o basquete feminino.

Como é a Palmira fora das quadras? O que faz para se divertir?

Lá no Maranhão divido a casa com a Carina Felippus (pivô), que também está aqui na seleção. Sou bastante brincalhona, mas muito tranquila também nos momentos fora de quadra. Passo grande parte do tempo vendo seriados, lendo ou escutando música. Acabei de assistir a temporada inteira do "The Black List" e a música que mais toca no meu playlist é da Beyoncé, mas sou eclética. Adoro também um samba e um pagode.

Como você começou a jogar basquete?

Comecei aos sete anos, em Matão (SP). Primeiro minha vida esportiva foi no atletismo, mas quando descobri que podia correr com a bola na mão, troquei de esporte. Foi uma paixão que não tive como controlar. Passei a treinar no SESI de Matão e depois a técnica Vilma Bernardes, uma das responsáveis pela descoberta da Janeth Arcain, me levou para Guarulhos (SP).
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Teve alguma atleta que você tenha se espelhado no início de carreira?

Sim, com certeza. Eu era muito novinha, mas já conhecia muito bem a história da Janeth Arcain. Quando fui treinar com a Vilma, fiquei encantada de saber que ela havia treinado a Janeth também. Imaginei logo que me tornaria como ela. Não aconteceu, mas só de ter jogado com a Janeth e ter vivido seus últimos momentos do basquete de perto, foi gratificante demais. Eu olhava para ela, Helen Luz, Alessandra Santos, Adrianinha, Adriana Santos e não acreditava que estava jogando ao lado delas. Meu olho brilhava quando ela vinha me dar instruções e ajudar em alguma situação de jogo. Eu me sinto emocionada até hoje quando encontro com ela. Acredito que as novinhas devem se sentir assim hoje em relação as mais experientes da seleção.

Falta realizar algum sonho na carreira?

Meu sonho sempre foi disputar uma Olimpíada. Essa está sendo uma grande oportunidade de realizar esse sonho. Se o Barbosa me achar com condições de ajudar o Brasil e tiver merecimento de estar em uma convocação, principalmente em casa, quero ajudar. Tive a oportunidade de disputar o Pan no Rio, em 2007, e quem sabe agora voltar ao Rio, mas em uma Olimpíada. É muita pressão jogar em casa, mas a força da torcida é de arrepiar.