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15/12/2015 - Antonio Carlos Barbosa

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Uma vida dedicada ao basquete e vários momentos marcantes na modalidade. Com 50 anos de carreira, o técnico Antonio Carlos Barbosa está de volta ao comando da Seleção Brasileira Adulta Feminina pela terceira vez. Após muitos desafios e conquistas, o treinador que descobriu as jogadoras Paula e Hortência está pronto para mais um desafio em sua carreira. No currículo de Barbosa estão entre outros a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Sydney (Austrália/2000), o primeiro título em uma Copa América – Pré-Mundial (Brasil/1997), a medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro (2007), além de oito títulos sul-americanos adulto. Nessa entrevista, o técnico fala de sua carreira, a expectativa para o Evento-teste e os Jogos Olímpicos Rio 2016.

Quais serão suas metas iniciais?

O Evento-teste, de 15 a 17 de janeiro, é a primeira oportunidade para poder avaliar o grupo. Algumas jogadoras já são mais consolidadas dentro de uma seleção. Temos que entrosar, não vou tirar e nem colocar ninguém, vou manter a mesma convocação porque foi muito bem feita pelo técnico Zanon (Luiz Augusto). Já para as Olimpíadas, vamos avaliar o desemprenho de cada uma e ver o que será feito.
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Como vai ser a seleção brasileira para o evento-teste?

Esse ciclo é interessante. A maioria das atletas passou pela categoria de base e algumas conheço o trabalho que fazem desde nova. A Clarissa (Santos), Gilmara (Justino) e a Ramona (Isabela) são as únicas com quem não pude ter um contato maior. Com as demais já trabalhei, conheço e posso falar. Por tanto é um grupo que acompanho. Além disso, estou desde 2010 vendo e analisando a Liga Feminina.

E para os Jogos Olímpicos?

Vou levar as melhores jogadoras, trabalhar para que seja um grupo forte e que elas estejam prontas para lutarem por uma medalha. Temos que pensar grande. A atleta tem que ser competitiva e principalmente suportar as pressões que essa caminhada nos coloca.
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Como será a sua linha de trabalho?

Eu valorizo muito a presença do padrão físico de cada atleta. Tenho que sentar com a comissão técnica e definir as funções de cada um dentro dessa programação. O nosso preparador físico Clóvis Roberto Rossi Haddad, o Vita, vai definir a frequência nessa parte física, enquanto os assistentes técnicos Cristiano Cedra e Júlio César Patrício ficarão com o suporte e técnica individual. Eu vou trabalhar mais na parte tática e coletiva.

E a expectativa para os jogos Rio 2016?

Tivemos um nível muito forte no Campeonato Mundial de 2006, disputado no Brasil. Infelizmente perdemos na semifinal para a campeã Austrália. Fizemos uma ótima competição e tivemos muitas possibilidades de ganhar. De lá para cá, tivemos a queda de algumas seleções e a França foi a que manteve um patamar muito bom. Nos Jogos de Pequim (2008) e de Londres (2012) eu percebi uma queda. Esse ano, assisti aos jogos da Eurocopa e notei uma evolução em algumas equipes que emergiram. A Espanha está bem, a Sérvia esta ótima, e vejo a Europa com grandes equipes (França, Espanha, Turquia e Bielorrússia). O Canadá melhorou muito e também está jogando bem. O Japão era a grande força da Ásia, mas luta com problemas de estatura. Então, eu sou totalmente contra as pessoas que julgam o basquete brasileiro. Temos ótimas equipes de base, ótimas atletas na Seleção Sub-17. Isso me faz ter uma ótima perspectiva do basquete brasileiro.
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E a LBF 2015-2016?

As pessoas se assustam por termos somente seis equipes na competição. Em 1996, quando o Brasil foi sede do Campeonato Mundial, tivemos apenas cinco equipes no Campeonato Paulista. Hoje vejo essas meninas com níveis muito altos. O que prevalece é o nível técnico. Se tivéssemos mais equipes não teríamos jogos tão equilibrados. Hoje quando os times entram em quadra não sabemos quem vai ganhar.

Como você analisa o trabalho dos técnicos nas categorias de base?

Acho extremamente útil. Existe uma transição nesse período muito importante para a evolução profissional do treinador. Eu aprendi muito, treinei por um bom período as equipes de base no Campeonato Paulista e nos Jogos Escolares. E quando assumi a Seleção Brasileira, vim com um conhecimento muito grande. É necessário ter esse suporte e manter a mesma filosofia. É importante traçar uma linha de trabalho da base até a fase adulta.
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Conte um pouco sobre a sua passagem pela Seleção Brasileira.

Essa é a minha terceira passagem. A primeira foi um momento de total renovação do basquete feminino. Foi uma geração que contou com a presença de Paula (Magic Paula), Hortência (Marcari), Marta Sobral, Vânia Teixeira e Vânia Hernandes. Retornei em 1996 para o Mundial Juvenil e no ano seguinte assumi a equipe principal. Novamente tínhamos uma situação difícil, pois era uma equipe que havia sido campeã mundial (Austrália / 1994) e vice olímpica (Atlanta / 1996), mas em um momento que perdíamos os principais nomes do basquete brasileiro: Hortência e Paula. Seguimos com Janeth que deu uma boa base para esse grupo e conseguimos grandes resultados com a renovação. Fomos à Austrália com seis jogadoras estreantes na Olimpíada de Sydney (2000) e conquistamos a medalha de bronze. Um excelente resultado. Fora o Campeonato Mundial da China (2002), que foi uma fatalidade quando perdemos dois jogos por um ponto, terminamos em todos os campeonatos entre os quatro primeiros. Importante: sempre trazendo jogadoras jovens para completar o grupo.

Qual a motivação para voltar a assumir a seleção?

É com muito orgulho e satisfação que assumi o cargo. Sou um profissional com uma busca incessante de conquistas, de ver melhor aquilo que estou fazendo. Isso é um fator motivador. Se eu não tivesse isso, não estaria aqui. Eu vou adequar ao meu sistema e em tudo aquilo que acredito. O fato de disputar uma Olimpíada em cada também me motiva bastante.