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23/11/2015 - Geovana Fonseca

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Muitas vezes o amor pelo esporte faz uma jovem atleta se tornar uma grande vencedora. Aos 16 anos e com 1,90m, Geovana Fonseca Lopes já superou dificuldades e vem mostrando a cada dia mais o seu amor pelo basquete. Após passar por duas cirurgias delicadas, a atleta superou obstáculos e hoje comemora o momento mais especial da sua carreira: a terceira convocação para a Seleção Brasileira. Natural da cidade sul-mato-grossense de Bataguassu, a integrante do time Top Therm/Grupo Leonardi/Sicredi/UNIMED/Presidente Venceslau (SP), conheceu a modalidade aos 13 anos de idade. Hoje a pivô soma inúmeros resultados positivos defendendo seu clube. O mais recente é o título de campeã dos Jogos Regionais, em 2015. Pela Seleção Brasileira, Geovana conquistou a medalha de ouro no Campeonato Sul-Americano Sub-15 (Venezuela/2014) e a prata da Copa América / Pré-Mundial Sub-16 (México/2015). Com muita garra e determinação, Geovana entrou para a história quando o Brasil eliminou os Estados Unidos na semifinal e faturou o vice-campeonato da Copa América. Nessa entrevista a jogadora contou sobre sua postura na modalidade, sua expectativa para a estreia na competição e do seu amor pelo basquete.

O que esperar da Geovana no Sul-Americano do Paraguai?

Eu estou extremamente feliz por poder mais uma vez defender o meu país com o esporte que tanto amo. Estou muito confiante e com uma vontade incrível de entrar em quadra. Espero ajudar muito esse grupo e dar ao máximo todo meu potencial e voltar com o melhor resultado possível.
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Você esteve no vice-campeonato da Copa América Sub-16, no México. O que adquiriu de experiência nesse período?

Foi um campeonato inesquecível. Não tem sensação melhor do que tirar os Estados Unidos da final. Estou um pouco mais experiente e sei que isso agrega muita coisa na hora de tomar as decisões dentro de quadra. Já passei por duas competições, então a confiança e o jeito de jogar ganham uma responsabilidade a mais. A pressão é imensa, mas estou firme nesse objetivo de vencer com esse grupo.
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Como o basquete aconteceu para você?

Na minha cidade não temos muito esse desenvolvimento no esporte. E há quatro anos uma amiga da minha mãe mostrou um jornal que tinha uma matéria sobre o basquete de Presidente Venceslau (SP). Surgiu meu interesse e ela resolveu se informar sobre o assunto. Fomos até a cidade e consegui a vaga para treinar. Eu tinha 12 anos e 1,83m. Quando comecei me espantei, pois não sabia absolutamente nada. Mas posso dizer que esse processo de adaptação foi rápido demais. Entrei em janeiro e em março já era titular no time. As coisas fluíram de forma rápida e graças a Deus estou aqui até hoje, fazendo o que eu realmente amo.

O que você faz fora das quadras?

O meu tempo é muito complicado porque nessa idade temos que dividir a nossa vida entre o esporte e os estudos. Eu procuro administrar muito bem esse lado e posso afirmar que faço isso muito bem. Sou uma ótima aluna. Mas fora das quadras procuro dedicar o meu tempo para minha recuperação. Academia, fisioterapia, isso tudo faz parte ainda desse processo.
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Fale da influência dos seus pais na sua vida como atleta.

Eles estão presentes em todos os momentos. Quando me machuquei o meu pai sofreu tanto que dava mais pena dele do que de mim. Meu pai é um grande ídolo na minha vida. Teve uma vida inteira no futebol e entende completamente esse sentimento esportivo. A minha mãe é aquele negócio de mãe mesmo, protege e cuida a todo instante. E o meu irmão de dez anos faz questão de participar de tudo e ir aos jogos junto com os meus pais.
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Como foi ficar longe das quadras durante esse período de lesão?

Aos 14 anos eu rompi o ligamento do joelho. Aos 15 machuquei o outro. Foram oito meses fora das quadras, mas a motivação da minha família e do meu time me fizeram manter o foco e nunca desistir de jogar. Eu sou tão nova, mas ficava imaginando se não pudesse mais entrar em quadra. Eu tinha acabado de descobrir o meu amor pelo esporte. Seria muito triste.

Você defende o time de Presidente Venceslau (SP), uma cidade que vem revelando algumas atletas do basquete feminino de base. Como você enxerga esse crescimento da modalidade na sua cidade?

O basquete aqui é muito forte. Hoje o feminino tem uma força imensa. Crescemos, evoluímos e espero que isso dure por muito tempo. Eu estou há apenas quatro anos aqui, mas as outras meninas estão desde pequenininhas. O basquete por aqui tem muita força. Eu fico muito feliz por fazer parte desse crescimento e dessa geração.
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Depois do Brasileiro Sub-15 de Poços de Caldas (MG), você começou com o pé direito na Seleção Brasileira e ajudou o Brasil na conquista do título Sul-Americano na Venezuela. O que lembra desse momento?

Minha primeira Seleção nunca vou esquecer. Nós éramos rivais no Campeonato Paulista e chegamos ali para vestir a mesma camisa. Foi tudo muito novo na minha cabeça. Mas posso dizer que o entrosamento foi também muito rápido e gostoso. Pegamos com velocidade a filosofia da equipe brasileira. Trouxemos a medalha de ouro em decorrência de um ótimo trabalho das atletas e comissão técnica.

Você é uma jogadora de força, defende bem e pega muitos rebotes. Como você se vê nesse papel?

A altura ajuda muito no rebote, mas tem que ser esperta. Eu peço ajuda em quadra para elas marcarem firme para eu poder fazer um bom trabalho. O basquete é um esporte coletivo, então uma não faz nada sem a ajuda da outra. Por conta da lesão, não tenho muito força nas pernas e por isso preciso ainda mais das minhas companheiras. Elas estão sempre ali para me ajudar. Uma atitude boa em quadra sempre vem seguida de outra. É todo um trabalho de equipe.
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Qual a diferença entre os treinos na Seleção Brasileira e no clube?

No clube, se não tiver você não tem outra. Na Seleção, temos que ter entendimento melhor do jogo, saber lidar com as adversárias de clube dentro do mesmo time. É tudo muito mais intenso. Quando você chega lá, é uma camisa só.
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Como é a sua relação com as meninas?

Nós somos uma família. Parceria e amizade total. Estamos juntas há muito tempo e sabemos das necessidades de cada uma. Tanto no clube quanto na Seleção, a convivência é sensacional.

Das atletas que já viu jogando na equipe nacional principal, qual a te impressiona e serve de espelho?

Tenho uma admiração imensa pela pivô Clarissa dos Santos. Tive a oportunidade de vê-la em Presidente Venceslau. Depois que todos tinham ido embora, eu me deparei com ela sozinha de fone de ouvido arremessando na quadra. Não sei porque, mas aquilo mexeu muito comigo.