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11/11/2015 - Bruno Guidorizzi

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Um dos segredos para vencer na vida e alcançar seus objetivos é se apaixonar pela própria profissão. É o caso de Bruno Guidorizzi que trabalha com paixão, sabedoria e dedicação. Aos 32 anos, Bruno faz parte da nova geração de técnicos do basquete nacional. Nascido na cidade paulista de São Bernardo do Campo, o treinador possui experiência em competições nacionais e internacional que lhe renderam o convite para integrar a comissão técnica das Seleções Brasileiras de Base. Nos Campeonatos Sul-Americanos Sub-17 foi medalha de ouro (Equador/2013) e bronze (Colômbia/2011), enquanto na Copa América (Porto Rico/2012) ficou com o vice-campeonato. Em 2015 participou da equipe nacional que terminou entre as dez melhores no Campeonato Mundial Sub-19, na Rússia. Hoje, o técnico assume um novo desafio: comandar a Seleção Brasileira Sub-17 Feminina no Sul-Americano da categoria, que será realizado entre os dias 1º e 5 dezembro, em Assunção, no Paraguai.

Como você encara o desafio de dirigir o Brasil no Sul-Americano?

Primeiro é uma honra poder defender as cores da nossa seleção como técnico, já que na minha primeira participação como assistente foi emocionante ouvir o hino. Sei que agora a responsabilidade aumenta, mas estou pronto para aceitar esse desafio.
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Qual será a sua filosofia de trabalho e as principais características desse grupo?

Temos um grupo bem talentoso e com várias opções táticas. São jogadoras muito atléticas e físicas. Então quero imprimir uma defesa bem agressiva, forçando erros dos adversários, buscando um jogo rápido de contra-ataque e transição. E buscando situações simples e objetivas no ataque armado devido ao curto período que teremos.

O que representa disputar um Sul-Americano nesta categoria?

O Sul-Americano é o início de um ciclo de três anos, que finaliza com o Mundial. Serve como experiência para muitas jogadoras que nunca disputaram competições internacionais. Isso contribui no desenvolvimento das atletas para que um dia possam representar a seleção adulta. Daí a responsabilidade da competição, pois o ciclo depende da classificação obtida desde o Sul-americano, passando pela Copa América até chegar no Mundial.
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Cite alguns momentos inesquecíveis da sua carreira.

Temos muitos jogos e campeonatos emocionantes, mas nem sempre o maior resultado é dentro das quadras. Aquilo que você conquista fora da quadra com seus atletas, o aprendizado e experiência que transmite, é maravilhoso. Uma vez havíamos sido campeões com um time feminino no Sul-Americano de Clubes. No ano seguinte, disputando uma categoria mais velha, fomos medalha de bronze com um grupo misto de atletas mais experientes e mais novas. Elas tiveram que dar seu melhor para alcançar o terceiro lugar. Quando perguntavam sobre qual conquista tinha sido mais importante, uma das atletas me respondeu. "Com certeza, o terceiro lugar porque a gente se superou. Eu nunca na minha vida tinha jogado 100% na maioria dos jogos e se a gente conseguiu a medalha, foi por sua culpa que sempre acreditou e fez de tudo pela gente". Então saber que você transmite valor e ideiais positivos para as atletas e que elas carregarão isso para o resto da vida, para mim foi muito mais que inesquecível.
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Como é o Bruno Guidorizzi fora das quadras?

Moro sozinho numa casa decorada com meus hobbies, basquete, música e quadrinhos. No meu tempo livre, busco estar com minha família, amigos, namorada, que ao lerem isso devem achar que é mentira, pois como sobra pouco tempo livre e ainda acabo me dividindo entre eles, então todos dizem que não tenho tempo para eles. Quando estou em casa adoro assistir um jogo de basquete para relaxar. Às vezes até parece demais, mas sou um apaixonado e não consigo ficar longe do esporte nem em casa. Até mesmo nas minhas férias, busco tentar conciliar com lugares que possam me enriquecer em conhecimento profissional ou da história do basquete.

Você foi um dos responsáveis em captar novos talentos para as Seleções Brasileiras de base no Campeonato Brasileiro Sub-15, em Curitiba. Como foi essa experiência?

É muito legal você ver as atletas começarem a despontar e poder ver o seu desenvolvimento. Detectar esses talentos e observar seu amadurecimento é muito bom. Em 2013, observei algumas atletas nos Brasileiros de base que hoje fazem parte dessa seleção. E isso deve acontecer com outras que foram vistas esse ano.
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Você participou de muitas clínicas técnicas internacionais e teve vivencia em grandes escolas espanholas. Conte um pouco sobre esse aprendizado?

Bom, isso foi durante uma das minhas "férias". Fui conhecer a Espanha, que hoje produz muito conhecimento específico de basquete e que tem uma escola de treinadores muito forte e organizada. Pude assistir aos treinos e jogos de todas as categorias e naipes, desde escolinha com 7 e 8 anos, até o nível profissional. O modo como eles pensam o jogo, a formação e o desenvolvimento dos jogadores, é muito interessante. Foi muito proveitosa essa experiência, pois consegui adaptar muita coisa. Quatro atletas foram convocadas para a Seleção Brasileira e no ano seguinte eu também fui convidado. Além de "férias" desse tipo na Espanha, também fui para Argentina e Estados Unidos. Busco sempre me atualizar, seja vendo jogos, conversando com outros técnicos, assistindo clinicas e palestras. Procuro sempre estar alinhado ao meio acadêmico e científico. Hoje sou monitor da disciplina de basquete da Universidade de São Paulo, trabalhando também em grupos de estudos e projetos científicos. E além da ciência do esporte, busco sempre ouvir as áreas de apoio, como a psicologia, nutrição, fisioterapia e médica.
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Houve algum técnico que o tenha se inspirado durante a carreira?

Sou de São Bernardo e cresci em uma quadra, não só jogando basquete, como vendo treinos de basquete. Na hora de decidir minha carreira, não tive dúvidas, pois cresci em meio ao treinamento. Posso dizer que logo de início, dois técnicos foram muito importantes para mim, o Luiz Watanabe, pelo seu enorme conhecimento da modalidade, e a Sônia Regina, pelo seu lado humano, de como tratava não só as atletas, mas todas as pessoas, fazendo com que isso trouxesse ótimos resultados em quadra. Foram eles que abriram as portas para mim, e assim comecei minha carreira. Outro técnico que me ajudou a ser um técnico mais crítico por me mostrar outros modelos e formas de jogar, foi Adriano Geraldes. Na época em que eu era estudante universitário, ele era o técnico inclusive com a responsabilidade de ensinar os alunos não só a jogar, mas também a ensinar. Mas não posso deixar de dizer que todos os técnicos que tenho contato e troco informações também contribuem para minha formação e desenvolvimento. Acredito que sempre temos algo a aprender. De maneira indireta, por meio de autobiografias e carreiras, John Wooden, Phil Jackson e Coach K, sempre foram grandes inspirações.

Quais jogadores se destacam atualmente no basquete brasileiro e mundial?

Acredito que hoje nossas pivôs são as grandes referências da modalidade. A Érika, já mais consolidada internacionalmente, e Clarissa e Damiris, já despontam como grandes destaques, tanto pelos resultados no país, como fora, na WNBA, que tem um dos campeonatos mais fortes do mundo.
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São cinco anos nas comissões técnicas da CBB, como você avalia sua evolução técnica?

Ter vivenciado tudo isso, me deixa muito mais seguro para dirigir a seleção. A partir dessa experiência sei como é uma competição internacional, como o jogo muda taticamente, como é cada escola de basquete e como o mundo joga. É muito diferente daquilo que você encontra na rotina de clube. Pensar em estratégias e táticas para modelos diferentes e analisar vídeos, faz com que você comece a enxergar outras coisas, que te fazem evoluir para poder ter sucesso. O jogo é muito dinâmico e a sua forma de jogar vem sendo mudada ao longo dos anos, por isso é muito bom, poder ter vivido tudo.

O que te proporcionou e o que aprendeu com o basquete?

Como minha vida foi praticamente toda envolvida pelo basquete, muitos dos meus amigos são do meio e sou muito grato por isso. Eu considero o basquete e o esporte em geral, um pequeno recorte da vida. Aprender a lidar com sucessos e perdas, conviver em grupo e harmonia, saber competir, ser leal, respeitar e assim por diante, são características que estão presentes em ambos, basquete e vida.