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14/10/2015 - Fátima Aparecida da Silva

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No esporte não são apenas os atletas que fazem história. A arbitragem brasileira também marca gerações nas quadras como é o caso de Fátima Aparecida da Silva, que encerrou em 2009 a carreira de 23 anos como árbitra. O último compromisso internacional da paulista foi os Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Fátima tem no currículo entre outras competições, quatro Campeonatos Mundiais: Sub-21 Feminino (Croácia / 2003), Interclubes (St Petersburg / 2004), Adulto Feminino (Brasil / 2006) e Sub-19 Feminino (Eslováquia / 2007). E para quem não sabe, em 2011, começou a fazer parte do quadro de comissários da FIBA (Federação Internacional de Basketball). A partir de agora, Fátima tem um novo desafio: assumiu o comando da coordenação de arbitragem da Confederação Brasileira de Basketball (CBB).
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Quando e como foi o início de sua carreira?

Fui atleta até o primeiro ano da faculdade de Educação Física. Em 1986 fiz meu primeiro curso na Federação Paulista e tive como professor o ex-árbitro internacional Antônio Carlos Affini. Naquele momento me tornei uma oficial de mesa. Um ano depois, fiz um novo curso, desta vez com o Geraldo Miguel Fontana, que hoje é Referee Manager da FIBA. Ali, iniciei a carreira de árbitra. Meu primeiro campeonato foi o Mini Feminino, em Santo André (SP), em 1987. Foram 23 anos até encerrar a carreira em 2009.

Você esteve recentemente no Campeonato Brasileiro de Seleções Sub-17 ministrando a Clínica da Escola Nacional de Arbitragem Como foi ver em ação mais de 50 árbitros em uma competição tão importante para o basquete brasileiro?

Foi uma excelente experiência, pois conheci coordenadores, oficiais de quadra e oficiais de mesa de vários lugares do Brasil. Tivemos a oportunidade de mesclar a experiência e a juventude. Relembrei minhas participações nos Campeonatos Brasileiros que foram importantes na minha trajetória.
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Fale um pouco sobre a importância desse primeiro contato?

Compartilhar as vivências com o grupo foi muito gratificante, além de ter ficado muito entusiasmada com as perspectivas de trabalho.

Comente sobre os seus planos para melhorar ainda mais o nível da arbitragem brasileira.

Inicialmente pretendo realizar um levantamento a fim de saber como estão os quadros de coordenadores, dos oficiais de quadra e de mesa das 27 Federações. Além disso, quero entender as necessidades dos departamentos de arbitragem das Federações e Ligas. A partir daí, vamos organizar um calendário de clínicas, acampamentos e eventos que possam fortalecer ainda mais o crescimento da arbitragem nacional.
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Hoje o Brasil tem mais de 20 árbitros internacionais. Como você enxerga esse número?

O Brasil sempre contou com um número grande de árbitros internacionais devido à extensão territorial e também pela qualidade dos trabalhos desenvolvidos. Em nosso quadro há uma mescla de árbitros com maiores participações em eventos internacionais e alguns que ainda não tiveram a oportunidade, mas que estão trabalhando com afinco para representarem muito bem nosso país.

As clínicas de arbitragem são essenciais para a aplicação das novas regras e preparar os oficiais para os próximos campeonatos. Você tem alguma dinâmica para os próximos cursos?

Junto com o Departamento Técnico da CBB pretendo preparar um calendário de encontros e aprimorar as questões teóricas, físicas e práticas dos oficiais. Junto com os coordenadores de arbitragem das Federações, elaboraremos planos de cursos de arbitragem e sistemas de estudo à distância, aproveitando a tecnologia, para diminuir a distância. Vamos compartilhar metodologias e aprimorar a nossa prática diária.
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A missão da ENAB é deixar o quadro de oficiais sempre preparado para qualquer jogo, seja estadual, nacional ou internacional. Fale um pouco sobre isso?

Com certeza, é um grande objetivo e precisaremos dar continuidade ao trabalho para fortalecermos os que já estão atuando. Além disso, descobrir novos valores através dos trabalhos integrados com os departamentos de arbitragem de todas as Federações.

Você acredita que a arbitragem no país atua em alto nível?

Nosso quadro conta com excelentes oficiais de quadra e de mesa, porém precisamos fortalecer ainda mais. Temos que mantê-los aptos às competições de alto nível. Nós contamos com alguns oficiais de quadra e de mesa que necessitam de oportunidades e formação contínua para crescerem e desenvolverem suas potencialidades. Isso acontece tanto no âmbito estadual, quanto nacional e no futuro, internacional.
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Qual experiência que você traz como árbitra para essa sua nova função?

Todas as experiências vividas são muito ricas para o nosso aprendizado. Espero que a somatória das vividas em quadra e extra quadra, assim como as capacitações e cursos, realizados, possam me auxiliar a desempenhar e trilhar da melhor maneira a nova função.
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Qual foi o jogo mais difícil que você já apitou?

Durante a minha carreira tive alguns jogos difíceis e importantes, gostaria de citar três deles. Em 1998, apitei o quinto jogo da final do Campeonato Brasileiro Feminino entre Fluminense e BCN/Osasco, no Ginásio do Tijuca. Depois, em 2001, Canadá e Argentina na Copa América Feminina. A partida valia a terceira e última vaga para o Campeonato Mundial da China, em 2002. E para finalizar, em 2008, Estados Unidos e República Tcheca nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Cite as principais características para ser um bom árbitro.

Acredito que uma excelente condição física e prática constante. Conhecimento das regras e estudo diário. Um bom conhecimento do jogo, além dos aspectos técnicos da arbitragem, técnico e tático da modalidade. A inteligência e liderança também são fatores primordiais.