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24/08/2015 - Ricardo Fischer

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Ele começou no futebol de salão, mas precisou de pouco tempo para descobrir que o basquete é a sua paixão. Aos 24 anos, o armador Ricardo Fischer é um dos talentos da nova geração do basquete brasileiro. Na última temporada, defendendo o Bauru, foi campeão paulista, da Liga Sul-Americana e das Américas, vice-campeão brasileiro e vai brigar pelo título mundial de clubes no final de setembro. No último mês de julho, ajudou a Seleção Brasileira a conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de Toronto e está na equipe comandada pelo técnico Rubén Magnano que vai disputar a Copa América do México. Nessa entrevista, Fischer fala da sua trajetória, evolução, família e os planos para o futuro.

Como foi o seu início no esporte e depois no basquete?

Quando eu nasci o meu irmão Fernando já jogava basquete, mas eu comecei no futebol de salão do Círculo Militar, em São Paulo. Todos os dias via meu irmão (Fernando) treinando. Certo dia estava brincando na quadra de arremessar e o técnico (Vitrola) me chamou para fazer um teste no basquete. Comecei a treinar e depois de um mês avisei ao meu pai que não queria mais o futebol de salão e sim o basquete. Foi tudo bem natural.
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E a presença do seu irmão no seu dia a dia.

A relação com meu irmão sempre foi muito boa dentro e fora de casa e nas quadras. Quando eu comecei a jogar com 12, 13 anos ele sempre ia aos meus jogos. Ficava na grade me dando a direção certa em cada jogada. Até hoje é assim. Mas o mais legal é que durante dois anos realizei o sonho de jogarmos juntos em Bauru.

Depois de defender a Hebraica você foi para a Suíça. Como foi essa transferência?

Meu irmão tinha acabado de ir para a Suíça. Um outro agente me viu jogando e disse que tinha uma oportunidade para mim também. Eu tinha 16 anos na época. Conversei com minha família, eles me apoiaram e acabei indo. Para mim foi excepcional. Joguei dois anos na 1ª Divisão Adulta e foi importante no amadurecimento do meu jogo e pessoalmente.
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Com o fim do contrato na Suíça você decidiu retornar ao Brasil.

Isso mesmo. Também já estava com saudades da minha família, dos amigos e decidi que era hora de voltar ao Brasil. Chegando aqui fui jogar no juvenil do Barueri (SP) e com a opção de ser protagonista no adulto. Acho que isso era o mais importante. Joguei um ano lá e fomos campeões juvenis. Depois fui para o São José dos Campos, um dos lugares que mais aprendi e em especial com o armador Fúlvio. Fiquei um ano e meio lá e fui vice-campeão brasileiro. Até que chegou uma hora que senti que precisava jogar mais. Então fui para o Bauru, onde estou até hoje.
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E o Bauru é um capítulo especial na sua carreira, já que a equipe ganhou quase todos os títulos que disputou. Como foi a evolução do Fischer nessa temporada?

Foi grande. Mas tudo começou no ano passado quando vim treinar com a Seleção Brasileira para o Sul-Americano da Venezuela e acabei me lesionando. Muita gente falava que precisava melhorar fisicamente senão não conseguiria jogar nesse nível. Voltei para Bauru com isso na mente. Conversei com o preparador físico do time (Bruno Camargo) e com a nutricionista e disse para eles que precisava fazer um trabalho especial. Fiquei um mês só trabalhando com eles, até separado do time para poder evoluir nisso. Além da parte física também trabalhei o lado mental, já que no ano anterior o time precisou muito mais que pontuasse, que fosse mais agressivo. E esse ano com tantos estrelas que vieram, precisava mudar meu jogo e fazer eles jogarem. Então foi uma junção de coisas que tornaram a melhor temporada na minha carreira.

Como você analisa hoje o armador Ricardo Fischer, mais maduro e com melhor leitura de jogo?

É verdade. Eu acho que o que me ajudou nesse último ano foi jogar com tantas estrelas, saber trabalhar com cada um deles. Foi uma temporada de muito amadurecimento, visão de jogo, o que precisava fazer para colocar eles em quadra. Então hoje eu digo que sou muito mais completo. É claro que ainda tenho que melhorar, mas com 24 anos posso dizer que sou um armador bem maduro.
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Seleção Brasileira. Como está sendo trabalhar com o técnico Rubén Magnano?

Excepcional. É um excelente técnico com uma visão bem diferente das coisas e sabe muito de basquete. Ele está me ajudando muito. Ainda não tinha vivenciado essas competições internacionais e ele me dá todo apoio. E o mais importante, o Rubén te passa uma visão que muitas vezes o jogador dentro da quadra não tem.
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Você estreou oficialmente na seleção com a conquista da medalha de ouro no Pan de Toronto. Conta um pouco como foi.

Sensacional por tudo o que aconteceu desde o primeiro dia de treino, pela seleção que foi. Muita gente não estava acreditando, falando se for bem já tá bom. Esse grupo representa uma nova geração do basquete brasileiro que está mostrando seu valor, querendo seu espaço e conseguindo resultados. Foi um time muito coeso e unido e mostrou isso no Pan. Tivemos muita humildade e solidariedade no ataque e na defesa. É claro que senti um pouco de nervosismo por seu o primeiro campeonato defendendo o Brasil, mas o saldo foi positivo. Agora é continuar trabalhando para ficar na seleção.

E o que esperar do Brasil na Copa América do México?

A expectativa é muito boa. Estamos juntos há dois meses e chegaram jogadores para somar como Marquinhos, Giovannoni e Derek. Já temos um time formado e isso é uma vantagem. Ainda precisamos acertar alguns detalhes, já que vamos ter um nível de competição um pouquinho maior. Mas estamos muito tranquilos e com chances de brigar por medalha.
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Copa Intercontinental. No final de setembro o Bauru vai brigar pelo título com o Real Madrid, atual campeão europeu. O que esperar dessa decisão?

O Bauru manteve a base da última temporada e se reforçou com o Léo Meindl e o Paulinho Boracini. Vai ser um pouco ruim chegar faltando dez dias para o primeiro jogo, vai atrapalhar um pouco, mas a gente já sabe como cada um joga. Vamos encarar uma grande equipe, não podemos errar, vamos ter que fazer um jogo quase perfeito, com muita paciência no ataque e na defesa para saber dá o bote na hora certa. Mas temos todas as condições de ganhar.
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Como é o Ricardo Fischer fora das quadras, com a família. O que você gosta de fazer em casa?

Eu sou um cara bem tranquilo. Gosto de chamar meus amigos em casa, ir ao cinema, ir aos barzinhos e restaurantes. Também gosto de ficar em casa assistindo filmes com minha esposa (Lívia) com quem estou há dois anos, é uma companheira que me faz focar só no basquete e cuida de mim.

E se arrisca na cozinha?

Eu tive que aprender quando joguei na Europa. Mas hoje quem cozinha é a Lívia, mas de vez em quando eu dou uma arriscada. Sujo tudo, ela fica meio brava, mas sei cozinhar. Eu sou fissurado com a parmegiana, é o meu ponto fraco.

Como é a presença da família no seu dia a dia?

A família é o meu porto seguro, a minha base. Vem em primeiro de tudo. Sempre que preciso estou com eles, principalmente com meu irmão, meu parceiro, falo com ele todos os dias aqui. Embora tenha muitas viagens, sempre que posso fico perto deles. Eles vão para Bauru ou eu vou para capital.
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E quais são os planos para o futuro?

Esse ano vai ser muito corrido com o Bauru. Depois da Copa Intercontinental em São Paulo vamos viajar para os Estados e disputar uns jogos contra equipes da NBA, que vai me amadurecer mais ainda. Mas os meus planos é a Europa. Eu quero voltar a jogar lá num grande time europeu, a Espanha é o meu foco, e quem sabe de lá ir para a NBA.