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28/07/2015 - Iziane Castro Marques

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Cestinha da edição 2014-2015 da Liga de Basquete Feminino (LBF), Iziane Castro Marques, após quase três anos afastada, está de volta à Seleção Brasileira Adulta, que disputará a Copa América / Pré-Olímpico em Edmonton, no Canadá, entre os dias 9 e 16 de agosto. Aos 33 anos, a ala foi uma das novidades da lista do técnico Luiz Augusto Zanon para a competição. Na LBF, o Maranhão Basquete (MA) ficou na quarta posição e Iziane registrou a média de 20.6 pontos por jogo, somando no total 433 pontos em 21 jogos. A atleta carrega também na bagagem a experiência de quem já atuou em times da França, Espanha e WNBA (liga profissional americana). Hoje mais madura, a ala quer ajudar o técnico Zanon no processo de renovação da equipe, além de levar o Brasil à conquistas.
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Como foi receber a notícia que estava entre as 12 convocadas para a Copa América do Canadá?

Fiquei muito feliz em saber do meu retorno à Seleção Brasileira. Já sabia que seria convocada, pois o Zanon havia conversado comigo sobre esse possível retorno. Depois do período que passei em Campinas (SP), dei início a um trabalho técnico e físico organizado pelo preparador físico, o Vitta [Clóvis Haddad], já como preparação para essa convocação.

Qual a expectativa para voltar à defender a Seleção Brasileira?

A melhores possíveis. O Pré-Olímpico é o nosso primeiro passo visando o grande momento do esporte brasileiro que é os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Mesmo sabendo das dificuldades que teremos na competição, estou confiante em um resultado positivo.
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Como está a preparação em São Sebastião do Paraíso (MG)?

A preparação esta bastante intensa aqui em São Sebastião. Estamos com a competição batendo na porta e precisamos consertar tudo aquilo que não funcionou no Pan-Americano de Toronto, além de me incorporar e as outras jogadoras novas no esquema tático. Assim chegaremos prontas em Edmonton.

Você assistiu o Brasil no Pan de Toronto? O que acha que falta melhorar para a estreia do Pré-Olímpico?

Com certeza, assisti a todos os jogos do Brasil. Precisamos melhorar muito a nossa intensidade de jogo, juntamente com tomadas de decisões ofensivas. É nisso que estamos trabalhando.
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O que está achando do estilo de trabalho do técnico Luiz Augusto Zanon?

Gostei muito do estilo do trabalho do Zanon. Acho que ele incorpora o basquete internacional dentro das características das nossas jogadoras tentando assim elevar o nível tecnico do grupo.

Qual o seu papel no selecionado brasileiro e o que a torcida pode esperar da Iziane em Edmonton?

Eu venho para somar sendo uma referência para as mais novas e um apoio para a equipe em geral. Quero com a minha experiência ajudar o grupo, principalmente com meu poder de decisão ofensiva. Espero que possa realmente dar o meu melhor e conseguir passar toda essa experiência de tantos anos de jogos internacionais para o time.
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O que mudou na Iziane que conquistou o título da Copa América (Brasil/2001) para a atual?

Mudou muita coisa. Foram 14 anos e nesse período deixei de ser uma menina com sonhos e passei a ser uma mulher com uma história de realizações desses sonhos. Além, é claro, de todo o amadurecimento humano envolvido no processo das experiências adquiridas em todos os setores da vida.

O que achou dos adversários do Brasil na fase de classificação do Pré-Olímpico?

Acho que caímos em um grupo muito bom, sendo a Argentina nossa principal adversária na primeira fase. Os outros adversários, Venezuela e Ilhas Virgens, merecem cuidados, mas o nosso históricos é favorável.
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Você foi a cestinha da LBF 2014-15. Qual o seu diferencial para alcançar esse resultado?

Acho que é o meu poder ofensivo. Essa sempre foi a minha melhor qualidade como atleta. Isso acaba sendo uma arma natural minha dentro da competição e o que me leva a ter uma média mais alta de pontos.

Como foi a temporada no Maranhão Basquete?

A temporada do Maranhão Basquete foi dentro das expectativas colocadas no início da temporada. O objetivo inicial era estar entre os semifinalistas. A partir daí construir um caminho até a final e um possível título. Alcançamos o primeiro objetivo e nos preparamos para a próxima temporada.

Como está a preparação do Maranhão para a temporada da LBF 2015-16?

Estamos na fase de contratação visando montar uma equipe de alto nível para mais uma temporada. Queremos chegar novamente aos playoffs, além de buscar o tão sonhado título.
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Você possui uma vasta experiência atuando no exterior. Chegou a ser eleita a melhor jogadora da semana da WNBA (MVP). Sonha em retomar a carreira internacional?

Acho que minha carreira internacional chegou ao fim. Com a LBF, acabo tendo que optar entre atuar na Europa ou permanecer no Maranhão Basquete. Com a minha volta para a Seleção Brasileira preciso também focar na preparação. E a temporada da WNBA acaba coincidindo. Tentei voltar, mas a minha convocação acabou realmente consolidando minha permanência no Brasil. Mas não descarto uma carreira internacional. Se aparerecem propostas interessantes é sempre algo para deixar como opção.

Em 2014, você marcou presença no Campeonato Brasileiro de Seleções Sub-15, em Poços de Caldas (MG), acompanhando as seleções maranhenses. Como você vê o trabalho de desenvolvimento das categorias de base do Maranhão.

Vejo o desenvolvimento da base ainda muito aquém. Precisamos olhar mais para as categorias de base. O desenvolvimento da base do Maranhão decaiu muito com a ideia errada do poder privado de que esporte não é educação. Com isso, aconteceu uma evasão esportiva muito grande a nível escolar. Os poderes público e privado precisam fazer valer o direito da criança e do adolescente à prática esportiva. Sem políticas públicas esportivas mais eficazes somado ao apoio da iniciativa privada, será impossível desenvolver essas crianças para se tornarem futuros atletas.
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Como é a Iziane fora das quadras?

Sou uma pessoa feliz e muito tranquila. Sempre antenada com o mundo e seus acontecimentos. Busco sempre o melhor da vida e valorizo todas as minhas conquistas e as pessoas que estão ao meu redor, como família e amigos.

Você namora a muitos anos. Sonha em formar uma família e ter filhos?

Eu e meu namorado queremos ter um menino. Já temos até um nome escolhido. Ele vai ser atleta como nós, de preferência jogador de basquetebol como o pai e a mãe.
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Qual suas expectativas para o futuro?

São muito boas. Com o Maranhão Basquete vamos em busca do título da LBF. Espero também que a vaga olímpica venha para o Brasil. E a partir daí começar um novo ciclo de preparação visando os Jogos do Rio. Quero muito defender as cores nacionais em casa e obviamente conquistar uma medalha. Em paralelo a isso, quero continuar desenvolvendo o instituto Iziane Castro e suas ações sociais e os projetos junto a comunidade.