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01/07/2015 - Karina Jacob

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Uma atleta com muita fé, determinação e amor ao basquete. Aos 30 anos, a pivô Karina da Silva Jacob conquistou inúmeros títulos nacionais ao longo de sua carreira. Revelada nas quadras do Grajaú Country Club (RJ), a carioca conquistou ainda mais espaço na modalidade e deu um grande passo quando se tornou revelação do basquete cruzmaltino. Além do Vasco da Gama, a atleta integrou as equipes do Lages (SC), Americana (SP), São Bernardo (SP), TTT Riga (Letônia), Ourinhos (SP), Catanduva (SP) e São José (SP). Com tanta experiência, seu destino não poderia ser diferente: a camisa verde e amarela. Entre suas principais conquistas estão duas medalhas de ouro nos Campeonatos Sul-Americanos (Equador – 2008 e 2014). Agora a pivô se prepara para defender novamente o Brasil, mas nos Jogos Pan-Americanos de Toronto.

Como foi a sua escolha pelo basquete?

Eu comecei jogando handebol e durante o colegial surgiu uma oportunidade de entrar na escolinha de basquete do Tijuca Tênis Clube (RJ), quando tinha apenas 13 anos. Dali eu fui para o Grajaú e comecei a disputar alguns campeonatos estaduais. Desde esse dia nunca mais sai e foi quando começou a minha história com o basquete.
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Você é carioca e mora no interior de São Paulo. Como foi a sua adaptação às diferentes cidades que o basquete te levou?

Foi um pouco difícil, mas acho que foi mais tranquilo do que imaginava. Eu já sabia que isso seria uma realidade, então sempre preparei a minha mente para isso. Fiquei no interior de São Paulo e nem era tão longe. Todos os finais de semana eu voltava para o Rio. Não trouxe tanto sofrimento assim.

Você subiu ao pódio em todas as edições em que disputou do Campeonato Nacional. Como foi essa experiência?

Todo atleta busca títulos, e eu não sou diferente disso. Isso é enriquecedor demais. Evoluir individualmente é sempre esse o foco. Derrotas e vitórias são elas que nos transformam em uma atleta. O interesse é crescer mais e mais e sempre pronta para dar um passo maior. Isso é a verdadeira experiência.
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Fale um pouco da diferença entre o basquete do Brasil e do Leste Europeu?

Temos alguns conceitos bem diferenciados. Aqui a gente trabalha muito na defesa e contra-ataque. Lá esse não é o foco principal. Eles trabalham muito o jogo de meia quadra, é bem aquele estilo europeu mesmo.
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O que você lembra da sua estreia na Seleção Brasileira?

Eu sempre almejei a Seleção. E quando isso aconteceu, tinha 23 anos e estava naquele momento de entrega máxima. Dei o meu melhor e fiz o que tinha que ser feito. Na primeira vez, me lembro de ter ficado nervosa, mas foi a ansiedade que tomou conta. Eu acreditei no meu potencial de estar ali, e fiz disso um melhor momento para mim. Sobre os títulos posso falar que ganhar é uma sensação maravilhosa. Em 2008, era mais coadjuvante, com menos maturidade e experiência. Então, o que me lembro da estreia foi a hora do hino nacional tocando. Aquilo me deixou extremamente emocionada. Já em 2014, sabia do meu papel dentro da equipe e subir no pódio novamente foi indescritível.
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E os técnicos que mais contribuíram na sua fase de formação:

São os nomes que marcam a minha história. As técnicas Maria Helena Cardoso e Heleninha. Eu não seria a Karina de hoje sem a passagem dessas mulheres na minha vida.

Você já dedicou uma cesta para a Maria Helena Cardoso

Tudo que ela me ensinou eu levo para a minha vida. E esse momento foi único porque foi uma cesta muito importante em um jogo importante. Ela me ensinou coisas simples, com grandes valores e que dedicaria todas as minhas cestas à ela. Não desistir, trabalhar e sempre ter fé e determinação, foram os legados que ficaram na minha vida.

Quem são seus ídolos? Você se espelha em alguém?

Quando eu era mais nova, admirava demais o Michael Jordan assim como qualquer jogador de basquete. Acho que todo mundo que é apaixonado pela modalidade sabe da importância desse cara. Mas algo em mim é bem curioso. Tenho um ídolo fora do basquete. Tenho um apreço incrível pelo Ronaldo ‘O Fenômeno’. Por toda carreira e pela superação como atleta. Sempre fui uma grande admiradora desse jogador, que para mim é completo.
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Como você vê o basquetebol brasileiro hoje?

Precisamos de mais praticantes, principalmente no feminino. A nossa evolução depende muito disso. Para termos mais visibilidade precisamos de mais incentivadores e apaixonados pelo basquete. Todo atleta luta e sonha com isso.

Como sua família vê a sua carreira esportiva?

Eu perdi a minha mãe muito cedo, mas ela se orgulharia de quem sou hoje e onde posso chegar. Moro com minha tia, prima e irmão. A quem sou muito grata. Eles sempre me ajudaram muito e isso foi fundamental em todos esses anos. Eu trouxe meu irmão para o basquete e embora ele não esteja com tanto tempo para exercer, fiz ele se tornar um apaixonado também.
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O que mais te atrai fora das quadras?

Eu já fui bastante de sair, de curtir noitadas, porém hoje estou mais devagar, curto mais um barzinho, cinema com os amigos. Um bom restaurante japonês me atrai também. Mas o ideal é sempre estar acompanhada dos amigos e de pessoas que nos fazem bem.

Como está sendo a experiência de integrar a equipe que está se preparando para o Pan de Toronto?

Todo treino para a seleção é puxado, muito intenso e com detalhes que devemos prestar muita atenção. Isso aqui é uma evolução maravilhosa na minha história como atleta, sem contar o desenvolvimento profissional que é muito válido. Com certeza, é uma experiência pra lá de enriquecedora.
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Quais suas expectativas para o Pan-Americano?

Primeiro terminar a semana de treinamento e fazer uma boa viagem. Quero chegar bem disposta e preparada para enfrentar a primeira fase, que será bem difícil. Estar pronta para a recuperação em curto tempo entre um jogo e outro, sempre manter a mente bem concentrada. Fazer o melhor que nós pudermos e buscar sempre a vitória a qualquer custo. Se a derrota vier, temos que saber lidar com isso. É importante termos a noção que fizemos o melhor. A expectativa é ótima e sabemos do nosso potencial. O objetivo é colocar nossas qualidades dentro de quadra e brigar por um lugar no pódio.
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O que a torcida brasileira pode esperar da equipe nos Jogos de Toronto?

Eles podem esperar a raça e superação. Tem pessoas acreditando na nossa capacidade e, com isso, vamos mostrar que somos um grupo que acredita e que trabalha muito para fazer bonito. Somos uma equipe vencedora indo atrás de um título. Queremos ganhar e estamos indo atrás disso.