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02/06/2015 - Tássia Carcavalli

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Garra, determinação e arremessos certeiros são características que fazem de Tássia Carcavalli uma peça importante nas horas decisivas de uma partida. Quem acompanha o basquete feminino, sabe que a armadora de apenas 23 anos vem liderando as seleções brasileiras de base e colecionando títulos ao longo dos seus 17 anos na modalidade. Tássia, traz em seu currículo a importante medalha de bronze do Campeonato Mundial Sub-19 (Chile/2011) e a participação nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. A armadora que recebeu recentemente o troféu de “Atleta Revelação” da LBF 2014/15, atuando pelo time de Santo André (SP), está de volta à Seleção Brasileira. Um dos 14 nomes da lista do técnico Luiz Augusto Zanon, Tássia, irá iniciar a preparação para defender o Brasil nos 17º Jogos Pan-Americanos de Toronto, no Canadá, entre os dias 16 e 20 de julho.

Como você está projetando a sua volta à Seleção Brasileira?

Por conta de uma lesão no joelho, eu fiquei dois anos fora da Seleção. Mas nunca perdi as esperanças. Continuei fazendo o tratamento e depois treinando muito. Eu quero dar sempre o meu melhor ao meu time. Eu estou pronta para brigar por um lugar no pódio, quero a medalha de ouro. Hoje, eu tenho mais maturidade, concentração e um pouco mais de confiança. Isso será fundamental para chegar à final no dia 20 de julho.
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Você foi um dos destaques na atual temporada da Liga de Basquete Feminino. Que analise você faz de sua participação?

Em Santo André eu tive uma oportunidade imensa de crescer profissionalmente. Então, eu analiso como uma experiência fantástica. Lá, eu tive a oportunidade de ficar muito tempo em quadra, e isso só agregou valores. Com certeza, o Troféu de Revelação veio através do esforço e da experiência que esse clube me proporcionou.

Pode contar como essas experiências te ajudaram a crescer como atleta?

Eu fiquei muito tempo em Americana (SP), e sei que ali eu tive espelhos. Saí dali com muitas inspirações, pude contar com a companhia de atletas mais experientes e que me ensinaram muitas coisas. Hoje, eu tenho essa mesma filosofia, eu passo tudo que sei e procuro ser o exemplo das atletas mais novas que dividem as quadras comigo.
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Presente em todas as seleções de base você trouxe alguns títulos importantes. Como foram seus primeiros passos com a seleção?

Eu morei seis meses em Jundiaí para treinar com a Seleção de Desenvolvimento em preparação para o Campeonato Mundial Sub-19, no Chile. E o que eu não esqueço é a união daquele time. Nunca vi nada parecido. O Luiz Claudio Tarallo era nosso técnico e ele se disponibilizava 24 horas para as atletas. Nesse período eu aprendi a lidar com os deveres que uma armadora tem dentro de quadra. Era fantástico. Na minha primeira Seleção, em 2007, eu me recordo dos momentos de nervosismo, que atrapalhavam muito e que me fizeram enxergar como isso amadurece com o tempo. São recordações boas que hoje eu agradeço muito.
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Você pode contar um pouco da experiência nos amistosos na Europa e nos Estados Unidos?

Os jogos das americanas são bem físicos, muito diferentes do Brasil. Mas toda parte técnica e tática eu trago de exemplo desse intercâmbio. Já na Europa, elas são mais rápidas. Cada um tem as suas qualidades bem gritantes. E que sem dúvida só tem a acrescentar no meu modo de me comportar em quadra.

Na última edição dos Jogos Olímpicos você foi reserva da Adrianinha. O que pretende fazer para conquistar a vaga de titular?

A única palavra que cabe é treinar. Temos que focar naquilo que mais queremos e agarrar as oportunidades. O que importa é que eu estou disposta a ajudar o time, seja saindo do banco ou não.
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Qual é a sua analise do trabalho que o técnico Luiz Augusto Zanon vem realizando no comando do basquete feminino brasileiro?

Conheço muito bem o Zanon, pois ficamos dois anos em Americana. Acho divino esse trabalho com a feminina. Eu acredito também que esse seja o time do futuro. É hora certa de todas as atletas ganharem experiência e evoluirem individualmente. Ele está de parabéns e só tenho a dizer que ele sempre vai ter a minha admiração.

Em 2012, você foi afastada por conta de uma lesão no joelho e ficou duas temporadas sem jogar. O que te fez não desistir diante de tantas dificuldades?

Eu fui muito forte. Porque existiam momentos em que eu fraquejava e só pensava em largar tudo. Uma atleta ficar parada é a pior coisa que pode acontecer. Eu fiquei muito triste, mas a minha mãe me segurou e me fez entender que tinha que passar por aquilo. Graças a Deus, essa fase passou e eu consegui voltar a fazer o que mais amo.
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Talento e determinação são duas fortíssimas qualidades suas. Você costuma ser assim na sua vida pessoal?

Acho que isso nasceu comigo. Tudo o que eu quero, vou atrás até conseguir. No basquete e fora dele, tenho a mesma personalidade.

Você é conhecida por ser brincalhona e é muito querida pelas suas companheiras. De onde vem tanto bom humor?

A minha vida sempre foi difícil, e para driblar os problemas eu optei por ser uma pessoa alegre. Rir é a melhor saída.
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Você também faz parte da equipe militar que disputará os Jogos Mundiais Militares, na Coreia do Sul, esse ano. Como que foi essa escolha de servir à Aeronáutica?

Na verdade foi uma convocação, que foi muito bem aceita. A gente entrou no ano passado e fomos campeãs do Campeonato Mundial, na França. Foi a minha primeira vez e estreei com o pé direito.

A escolha por Santo André também teve a ver com proximidade de casa. Como você lida com a saudade da família e do namorado?

Primeiramente, a técnica Laís Elena falou com a minha mãe, e de imediato fiquei muito feliz. Pois se tinha alguém que admirava o trabalho dela, era eu. Resolvi aceitar e unir o útil ao agradável. Estaria perto de casa e sendo treinada por uma pessoa que adorava. Sobre a saudade é algo que nunca vou me acostumar. Eu ainda sinto muita falta. De Americana para Santo André são mais ou menos duas horas, então não dá para sofrer muito com a distância agora.
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Como foi treinar com Laís Elena nessa última temporada da LBF 2014/15?

Ela é bem detalhista e dá um treino maravilhoso. Com a experiência dela, evolui bastante e só tenho a agradecer.

Como atleta, o que acha que ainda precisa melhorar?

Talvez comandar um pouco melhor o time. A liderança é algo que preciso realmente aperfeiçoar. Sem contar a defesa, que nunca é demais ser trabalhada. É crucial.

Qual é seu próximo objetivo?

Só existe um: ir para as Olimpíadas, se possível do Brasil em 2016. É nisso que penso o tempo todo!