Imprensa

19/05/2015 - Árbitro Fabiano Huber

img
Aos 30 anos, o árbitro internacional Fabiano Huber está com data marcada para fazer sua estreia internacional. Ao lado de Cristiano Maranho, Fabiano estará entre os árbitros que vão administrar as partidas de basquete nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, de 16 a 25 de julho. Huber é natural de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, mas o coração é goiano. Casado com a também árbitra goiana Gabriela Salles, o gaúcho fincou o pé na terra da amada.

Fale um pouco da sua trajetória no basquete.

Comecei a apitar em 2006, quando fiz um curso na Federação Goiana de Basquetebol e passei a apitar jogos no meu estado. Mas foi em um Campeonato Brasileiro de Base que o coordenador da arbitragem no evento, o árbitro internacional Francisco Ferreira (SP), me observou apitando e conversou com o Coordenador na época da CBB, o Geraldo Miguel Fontana. Depois disso, arbitrei nas Olimpíadas Escolares, em Londrina, e lá conheci ótimos árbitros que me ajudaram muito como a Flávia Almeida e o Vander Lobosco Jr. Na sequência apitei os jogos do Campeonato Nacional Feminino, onde tive a alegria de trabalhar na final, mas já como arbitro nacional. Fiquei um tempo afastado das quadras, mas retornei e voltei a fazer o que mais gosto, que é apitar.
img

E quais foram os momentos marcantes da carreira

Acho que todos momentos foram bons, mas dois em especial me marcaram. Um foi arbitrar ao lado de um grande amigo que faleceu recentemente, o Márcio Ruzisca. E o outro foi este ano com meu irmão, Juliano Huber, durante a Liga de Basquete Feminino (LBF).

Como foi o teste para tirar a licença para árbitro internacional?

Foi uma experiência muito boa. Fiz meu teste em 2011, na cidade de Santa Fé, na Argentina, e renovei meu carnê este ano em Montevidéu, no Uruguai. Tive algumas dificuldades por causa da ansiedade e de querer fazer tudo certo. Eram muitas etapas como apresentação, teste físico, prova escrita e prova prática. Felizmente, tudo correu como esperado e fui aprovado.
img

Você foi indicado para apitar nos Jogos Pan-Americanos de Toronto. Qual a sua expectativa?

Muito grande. Não esperava por esta indicação e quando recebi a notícia agradeci muito a Deus. Quero aprender com esta competição e com o Cristiano Maranho, que também vai atuar no Pan-Americano. Quero captar todas as experiências dos árbitros mais experientes e aproveitar para praticar mais a língua inglesa, além de desfrutar tudo que posso deste momento.

Como é a preparação antes de um campeonato deste nível?

Esta é a minha estreia em uma competição internacional, mas sempre cuido muito da parte física e mental. Acho que quando a parte mental do árbitro está boa, fica mais fácil na hora de tomar decisões. Tenho estudado a língua inglesa, mas dei uma intensificada nestes últimos meses.
img

Quais os maiores obstáculos que você espera encontrar?

Sou uma pessoa muito calma dentro e fora da quadras, mas com certeza vou sentir um friozinho na barriga antes da estreia. Se tiver algum problema, quero ter sabedoria para resolver.

Você faz parte da nova geração de árbitros nacionais. Em quem você se espelha?

A geração é nova, mas é muito boa. Inclusive, com a presença de amigos como Diego Chiconato, Maria Claudia, Leandro Sehnem, entre outros. O Brasil sempre teve grandes nomes na arbitragem e tenho o prazer de poder estar aprendendo com alguns deles como Cristiano Maranho, Marcos Benito, Fernando Serpa, Guilherme Locatelli, Jacob Barreto. Presto muita atenção sempre nos árbitros mais experientes para aprender situações boas que possam ser aplicadas na minha carreira.

Você apita jogos da Liga Nacional Feminina e Masculina. Quais as principais diferenças?

Acho que a principal diferença é o nível de contatos de um jogo masculino para um feminino. O masculino é bem mais forte.
img

E a Liga Sub-22?

Este ano fiz minha estreia também na Liga de Desenvolvimento. Foi um ano de muito aprendizado e bastante jogos. Também tive a alegria e a oportunidade de apitar a final entre Basquete Cearense (CE) e Flamengo (RJ).
img

Você é gaúcho, mas mora em Goiânia. Por que essa mudança?

Sim, me considero quase um goiano, inclusive perdi bastante do meu sotaque. Há dez anos vim com minha mãe e irmão para viver e trabalhar em Anápolis (GO). Nessa época, eu não pensava em arbitragem, mas jogava basquete. Em um dos meus jogos da Copa SESC, as árbitras da partida eram duas mulheres. Foi quando me apaixonei a primeira vista por uma delas, a Gabriela Salles. Não lembro se fiz pontos ou faltas naquele jogo, mas lembro de ter ficado aproximadamente os 40 minutos olhando para ela. Quando acabou a partida fui falar com ela, que não quis me passar seu telefone, só o e-mail. Ela morava em Goiânia e por isso me mudei para a capital. Este ano, comemoramos oito anos de casados.

Quais seus principais objetivos na carreira?

Sonho poder arbitrar nos melhores campeonato internacionais possíveis, mas não tenho nenhum tipo de cobrança pessoal quanto a isso. Confio em Deus e o que tiver que acontecer, eu aceito.