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06/05/2015 - Felipe Braga Alfredo

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O pivô Felipe Braga Alfredo, de 20 anos, é um dos gigantes da nova geração do basquete. Do alto de seus 2,13m o mineiro, de Belo Horizonte, fez suas primeiras cestas aos dez anos de idade seguindo os passos dos irmãos mais velhos e buscando uma oportunidade nos estudos. A escola em que o pivô estudava ofereceu para ele uma bolsa e em troca defenderia a modalidade pelo time do colégio. Em 2011, Felipe conheceu como funciona a rotina de um atleta quando vestiu pela primeira vez a camisa verde e amarela. O jogador morou por seis meses com mais 15 jogadores em São Sebastião do Paraíso, no interior de Minas Gerais, para fazerem parte da Seleção Brasileira Masculina de Desenvolvimento. Atualmente, feliz pelo basquete ter se tornado sua profissão, Braga que defende a equipe Sub-21 do time francês Elan Bernais Pau-Lacq-Orthez, sonha mais alto. Felipe deseja dividir com seu ídolo, Tiago Splitter, o garrafão da Seleção Brasileira Adulta.
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Quando surgiu seu interesse pelo basquete?

Sou de uma família onde todos os filhos são bastante altos. Quando tinha dez anos consegui a mesma bolsa de estudos do que meus irmãos tinham no Colégio Magnum em troca de jogar no time de basquete. Fiquei jogando pela escola até os 14 anos. O interesse pelo basquete surgiu meio que de repente por causa do meus irmãos e pela oportunidade nos estudos. No ano seguinte, defendi por um ano o Olympico Club (MG).

Você teve bons professores no decorrer de sua carreira?

Um dos técnicos que mais me ensinaram logo no começo da carreira foi o José Alves Neto, quando fiz parte da Seleção de Desenvolvimento, em 2011. Na época, moramos durante um ano na cidade de São Sebastião do Paraíso, interior de Minas, e era treinado pelo Neto e pelo Rubén Magnano. Foram dois grandes professores. Em 2012, me vim transferi para a França e tive pela primeira vez contato com o treinador Laurent Vila, meu técnico até hoje. Aprendi muito com ele na questão disciplinar no esporte e na vida pessoal. Cheguei aqui no Elan Bernais Pau-Lacq-Orthez defendendo a categoria Sub-18, agora já jogo na Sub-21 e treino na adulta.
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O que você aprendeu na Seleção de Desenvolvimento em 2011?

Esse foi o ponto inicial da minha vida no basquete, pois foi quando comecei a ter rotina de um atleta e o basquete se tornou uma profissão para mim. Sempre tive o sonho de defender a Seleção Brasileira e nesse período em que morei e treinei em São Sebastião aprendi quase tudo que sei hoje.

Depois da Seleção de Desenvolvimento, você foi jogar na França. Fale um pouco desse período no Elan Bernais.

A minha primeira temporada aqui foi mais de adaptação. Fiz bons jogos na primeira temporada, mas tive uma tendinite muito grave e fiquei o ano de 2013 parado. Em 2014 voltei a jogar treinando com a equipe adulta, mas jogando na categoria Sub-21. Cheguei a fazer quatro jogos no time adulto e fui bem, mas senti uma dificuldade muito grande. Na base sou conhecido e algumas jogadas são comigo, então a marcação é cerrada. Já no adulto, sou apenas o moleque novinho. É bem diferente.
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Você já está 100% familiarizado com a língua? No início, quais foram as maiores dificuldades que você encontrou?

Com certeza a minha primeira dificuldade foi a língua francesa. Falo fluente inglês e espanhol, mas nunca imaginei que o francês fosse ser tão difícil. Demorei um ano para ficar fluente. Na alimentação passei por um processo de adaptação muito rápido. Sinto um pouco falta de feijão e, principalmente, de alguém para me ajudar a cozinhar. Nunca tinha morado sozinho antes. Tive que aprender a cozinhar coisas mais básicas como macarrão e carne.

Você disputou o Mundial Sub-19 da República Tcheca (2013), última categoria de base. Qual a expectativa para uma convocação para a Seleção Adulta?

Com certeza é um sonho, mas procuro pensar no meu dia a dia e desafio a desafio. Tenho muito ainda a evoluir, mas pretendo estar pronto quando a oportunidade chegar. Eu sou de uma posição que é bastante concorrida por ótimos jogadores na Seleção Brasileira, então fica difícil ter uma vaga hoje. Mas esse é um dos meus objetivos.
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Como é para você representar o Brasil?

Como falei sempre tive o sonho de defender o Brasil e o dia que isso aconteceu fiquei muito feliz. Se fiquei emocionado na categoria de base, imagino como vai ser na adulta. A primeira vez que ouvi o hino do Brasil foi uma sensação maravilhosa e um orgulho muito grande.

Sua família sempre te apoiou?

No início eles ficaram indecisos, pois tinham medo que a rotina de viagens e jogos atrapalhasse meus estudos. Em 2010 muitos técnicos me convidaram para jogar em seus clubes e foi quando meus pais entenderam que eu tinha talento. A partir daí sempre me apoiaram.
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Como é o seu dia fora das quadras?

É um dia tranquilo. Tento ficar em casa para descansar, mas também vou ao SPA do clube para relaxar e tentar me recuperar da rotina de treinos. Às vezes vou com uns colegas tomar um café olhando para as montanhas. Aqui tem uma vista linda.

Você é fã do Tiago Splitter. Sonha em dividir o garrafão com ele? E qual seria a sua primeira conversa com ele?

Eu procuro me espelhar nele. Seria uma felicidade muito grande dividir o garrafão com ele. Nunca o vi jogando pessoalmente, somente pela televisão, mas iria observar muito e tentar absorver mais ainda. Só tenho certeza de que aprenderia muito com ele.

Todo jogador de basquete sonha em jogar na NBA. Esse também é seu sonho?

Com certeza. A NBA é um sonho de carreira, desde criança pensava nisso. Mas nesse momento penso em jogar em um grande clube na Europa.