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30/04/2015 - Antônio Carlos Vendramini

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Na última segunda-feira (dia 27), a ADCF Unimed/Americana conquistou o segundo título consecutivo, o terceiro na história da Liga de Basquete Feminino (LBF), ao derrotar na final o Uninassau/América (PE) por 79 a 77. O responsável por manter a equipe paulista no topo da competição foi o técnico Antônio Carlos Vendramini, de 64 anos. Campeão do primeiro Nacional Feminino, com o Fluminense, em 1998, Vendra, como é conhecido, chegou a 12 títulos nacionais na vitoriosa carreira. Com passagem pela Seleção Brasileira Feminina, sendo campeão do Sul-Americano do Chile, em 1989, o treinador falou sobre a mais recente conquista.
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O que representou essa nova conquista com a equipe de Americana?

Apesar da experiência de ter conquistado muitos títulos nacionais, cada um tem algo especial. Tivemos alguns problemas nesta temporada, mas todos se uniram em prol da equipe. Essa conquista mostrou a força da diretoria, da comissão técnica e das jogadoras. Foi uma vitória do coletivo. Tínhamos um adversário de alto nível, mas tivemos um trabalho árduo, com muito treinamento e união do grupo.

Você conta com muitos talentos individuais, mas pelo visto o coletivo foi o mais importante?

Sem dúvida. O basquete é uma modalidade coletiva, mas não privamos nossas atletas de suas qualidades individuais. Só que os destaques individuais trabalham em prol do conjunto. Conseguir isso é mérito das jogadoras e da comissão técnica. Individualmente, temos grandes atletas, mas isso não bastaria para a conquista. Conquista essa que faço questão de frisar que foi valorizada pela qualidade do adversário.
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E o que representa o bicampeonato consecutivo com Americana?

É algo especial. Um trabalho que começou na última temporada e segue dando frutos. Pelas finais neste ano, deu para notar o tanto que a torcida está com a equipe. A quadra estava lotada, com muitos torcedores do lado de fora. Essa conquista mostrou o carinho da torcida com a equipe. Nos momentos difíceis, nossos torcedores carregaram o time no colo. Nada mais justo do que dedicar a eles esse título.

Faltando 5s para o fim do jogo, América teve um tempo técnico com Americana vencendo por quatro pontos. Fale sobre esse momento.

Pedi calma para algumas jogadoras que já estavam comemorando, pois aquilo poderia comprometer nossa vitória. Mas quando olhei para o placar e vi a diferença de pontos, vi que o América não conseguiria nos alcançar. Não havia tempo suficiente para baterem um fundo bola, irem ao ataque, fazerem a cesta e terem um novo ataque. Mas volto a reiterar a qualidade do América. Depois do jogo, conversei com o Dornelas (Roberto, técnico do América) e falei que a oportunidade tinha vindo para o nosso lado, mas que poderia ter ido para o dele.

Americana disputou 23 jogos na LBF 2014/2015 e venceu 21. Foram apenas duas derrotas, ambas para o América, sendo uma na fase de classificação e outra na primeira partida da final. Você esperava essa campanha quase perfeita?

Tememos um pouco no meio da competição, pois tivemos atuações abaixo do esperado. Nossa elenco é forte pelo conjunto e a comissão técnica precisou realizar reuniões com o grupo. Conseguimos passar que somente somos fortes com o coletivo. Temos um grupo muito bom e elas entenderam isso. Conversamos e a equipe respondeu prontamente.
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Americana terminou a LBF invicta em casa, com 13 vitórias. Fale sobre o desempenho no ginásio Municipal Centro Cívico.

Nosso desempenho em casa foi fundamental para a conquista. Não só na fase de classificação como também nos playoffs, em que tivemos a vantagem de jogar mais vezes no nosso ginásio. E contamos sempre como apoio da torcida. Não só em dia de jogo. Essa relação é no dia a dia, pelas redes sociais, na interação entre torcedores e jogadoras. E quando sabiam das nossas dificuldades, a torcida tentava ajudar de alguma maneira. Isso fez a equipe crescer, ajudou a trazer confiança.

Nestes dois títulos da LBF, em 2014 e 2015, Americana perdeu apenas uma partida nos playoffs – para o América no primeiro jogo da final este ano. Esperava esse desempenho?

Costumo dizer que um campeonato não se ganha só nos playoffs. Se ganha quando você monta o grupo de trabalho para a temporada e fica preparado para as dificuldades que virão pela frente. A maioria das jogadoras estava conosco na última temporada e já sabia como eu gosto de jogar. Montamos uma comissão técnica quase perfeita e distribuímos bem as funções.
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Como você avalia o desempenho das jogadoras, sobretudo as da Seleção?

Particularmente, a Damiris e a Clarissa tiveram um crescimento nas duas últimas temporadas a olhos vistos. Todo mundo elogiou e comentou sobre isso. Elas são duas jogadoras que se dedicam ao basquete de corpo e alma. Ambas começam a trabalhar antes e depois do horário do treino. Nenhuma outra jogadora brasileira teve um crescimento tão grande nos últimos anos como a Damiris.

A Clarissa e a Damiris vão jogar na WNBA, nos Estados Unidos. O quão é importante esse momento na carreira delas?

Muito importante. O confronto com jogadoras de grande nível ajuda bastante no desenvolvimento. Vai somar para a carreira das duas e vão aproveitar ao máximo isso. Vão brigar para ganhar espaço e destaque. Quem ganha com isso é a Seleção Brasileira. Da mesma maneira que a vinda de estrangeiras para o Brasil também é importante, pois obriga a brasileira a crescer o seu jogo.
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Você foi campeão do primeiro Nacional Feminino, em 1998, com o Fluminense. Como foi essa conquista?

Eu era técnico em Americana, mas ficamos sem o patrocinador e não tínhamos como disputar o Nacional. Acabamos vindo para o Fluminense que, naquela época, estava com o futebol na Terceira Divisão do Campeonato Brasileiro. Chegamos devagar, aos poucos começamos a ganhar e a quadra começou a encher. Acabou que fizemos um baita campeonato. Na final, enfrentamos o Osasco/BCN, da Maria Helena Cardoso. Foi uma conquista maravilhosa.

Quais os planos para a próxima temporada?

No final de maio teremos a primeira fase do Campeonato Sul-Americano de Clubes, no Equador. Tenho que encontrar duas jogadoras para substituir a Clarissa e a Damiris. Para a próxima temporada, ainda é cedo para definições. A diretoria quer que eu continue e a maioria das jogadoras deve ficar.
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Qual avaliação você faz da sua carreira?

Sou um privilegiado. Eu era jogador e me tornei técnico em Oswaldo Cruz porque o técnico tinha saído e eu acabei assumindo. Depois recebi o convite da Prudentina. Aceitei ser treinador no alto rendimento e virou uma carreira de conquistas. Trabalhei por uma década com a Hortência. Sempre fui convidado para grandes projetos. Conquistei 12 títulos nacionais e 12 paulistas. Também ganhei o paranaense e o carioca. Fico feliz com o que fiz no basquete. Sou um técnico reconhecido e continuo ganhando. Estava fora do basquete quando vim para Americana e houve desconfiança. Mas ganhamos diversos títulos. Enquanto eu achar que estou sendo útil, e minha autocrítica é severa, continuarei sendo treinador.