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21/04/2015 - Raul Togni Neto, Raulzinho

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Conhecido pelo estilo de jogo explosivo, Raul Togni Neto, o Raulzinho, já conquistou o seu espaço na nova geração da Seleção Brasileira e no time da Universidade Católica de Murcia, que defende pela primeira vez na temporada 2014-2015 da Liga ACB. Pela equipe nacional, Raulzinho mostrou a inteligência de um experiente armador e foi um dos nomes mais comentados e aplaudidos durante os jogos da Copa do Mundo da Espanha (2014). O Brasil conquistou a sexta posição e permanece entre os melhores do mundo. Com médias de 8.6 pontos, 2.2 rebotes e 4.2 assistências por jogo na liga espanhola, o brasileiro, de 22 anos e 1,84m, está mostrando todo seu potencial defendendo o Murcia ao lado do pivô Augusto Lima. Mas o armador sonha ainda alçar voos mais altos. Escolhido pelo Utah Jazz no Draft da NBA em 2013, Raulzinho quer realizar o sonho de disputar a mais competitiva liga do planeta.
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Qual avaliação que você faz do seu desempenho na Liga Espanhola na temporada 2014/2015?

Está sendo muito boa. O Murcia está batendo alguns recordes de vitórias. Sou o armador na equipe e estou muito feliz de estar conseguindo ajudar o time. Posso garantir que está sendo uma temporada bem proveitosa para mim.

Em quatro anos atuando na Espanha quais foram seus momentos mais marcantes?

Na temporada 2011/12, disputei o meu primeiro jogo na Liga ACB e a primeira partida pela Copa do Rei. Foram dois grandes momentos para mim. Na temporada atual, a vitória sobre o Real Madrid (86 a 79) na 25ª rodada também foi marcante não apenas pelo resultado, mas pelo clima que envolveu o ginásio e a torcida.

Como foi a adaptação no Murcia?

Foi muito rápida. Contei com o Augusto (Lima, pivô brasileiro) que me ajudou bastante, além dos outros jogadores que são pessoas muito boas. Está sendo muito bom ajudar o time nesta ótima temporada que o UCAM está fazendo até agora.
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Como está sendo jogar ao lado do Augusto Lima?

Está sendo muito bom, pois estamos bem acostumados um com o outro. Antes de jogarmos juntos no Murcia, treinamos juntos para o Draft e durantes três temporadas na Seleção Brasileira. Ele tem me ajudado bastante e o entrosamento ajuda ainda mais no jogo. Sei das qualidades dele e o nosso entrosamento acontece dentro e fora das quadras. Isso ajuda a equipe nos treinos e nas partidas.

O UCAM Murcia ainda tem chance de disputar os playoffs. Qual a estratégia para conquistar uma vaga?

Acho que é a mesma desde o começo. Pensamos jogo a jogo e no próximo adversário. Treinamos todo dia forte e com o objetivo de melhorar ainda mais nestes últimos cinco jogos. Se conseguirmos a classificação será muito bom, mas se não conquistarmos a vaga estaremos felizes, pois sabemos que batalhamos até o final. O importante é estar bem todo dia. A temporada não terminou ainda. Mas estamos fazendo boas partidas, melhor até do que esperávamos, como a oportunidade de disputar a Copa do Rei.
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Essa é a 10ª temporada com formato de 18 equipes e 34 rodadas, mas é a primeira que o UCAM atinge 14 vitórias. Como é o trabalho que vem sendo realizado pelo clube?

Acredito que desde a contratação dos jogadores no início desta temporada até a filosofia de não pensarmos no resultado, mas sim focarmos no dia a dia, são fatores que resultaram nesses bons resultados e momentos. Acho que é importante destacar o trabalho realizado pela UCAM que visa o desenvolvimento da modalidade das categorias de base até a adulta. A Universidade realmente investe no basquete e não é apenas na categoria adulta, nos técnicos ou nos jogadores, mas sim em um conjunto de fatores que fazem que o time cresça. E esse é o objetivo da temporada.
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Temos atualmente seis brasileiros na NBA e quatro na Liga ACB. Isso mostra a força do basquete brasileiro?

Com certeza. O ideal seria se todos esses jogadores que atuam fora estivessem jogando no Brasil. O Campeonato Nacional possui ótimos jogadores e vem crescendo cada vez mais. Alguns jogadores que atuavam no exterior já foram repatriados e essa situação também mostra o crescimento do basquete no Brasil.

Em 2013, você foi draftado pelo Utah Jazz. Qual a expectativa para jogar a primeira temporada na NBA?

Eu tento não pensar muito nisso. Procuro pensar em etapa por etapa. É claro que é um grande sonho que tenho, mas não me sinto pressionado. Vou seguir treinando forte para o dia que chegar essa oportunidade eu esteja pronto para disputar a NBA.
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Na Copa do Mundo foi muito aplaudido pelo bom desempenho, principalmente na vitória sobre a Argentina. Qual sua avaliação do Brasil na competição?

Acho que fui muito bem, ainda mais depois da disputa do Sul-Americano na Venezuela que não sabia nem se iria ser chamado para disputar a Copa do Mundo. Pessoalmente aproveitei e foi bem melhor do que eu esperava. Em relação ao grupo ficou aquele gostinho de que poderíamos ter conseguido mais, como uma disputa de semifinal.

O ano de 2015 tem Jogos Pan-Americanos e Pré-Olímpico das Américas. Pensa em disputar estas competições pela Seleção Brasileira?

Ainda estou esperando o treinador (Ruben Magnano) para uma conversa, mas também ainda não conversei com meus pais, nem meu agente. Ainda não decidi o que vou fazer no meu verão (estação na Europa, a partir do mês junho). Mas é sempre um desejo meu defender a Seleção Brasileira, mas também tenho outros sonhos. Depende de muita coisa.
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O Magnano está com data marcada para a viagem para a Espanha (28 de abril). Qual a expectativa para a conversa com ele?

Ele vem para saber pessoalmente como está a minha temporada e como estou fisicamente. Ele também apresentará o calendário da Seleção Brasileira e dirá o que espera de cada um de nós. É sempre uma conversa bastante amigável sobre o projeto e o planejamento nacional.

Já pensa nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016?

Com certeza. É o sonho de todo atleta disputar uma Olimpíada e serve como motivação para eu seguir procurando uma melhora e evolução diária. Mas como falei da NBA, apesar de ser um sonho que vou lutar para conseguir, não me pressiona.
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Quais sonhos você já conseguiu realizar e quais ainda faltam?

Já consegui disputar uma Olimpíada (Londres/2012), dois Campeonatos Mundiais (Turquia/2010 e Espanha/2014) e algumas temporadas no basquete espanhol. Ainda falta jogar na NBA.