Imprensa

07/04/2015 - Nádia Gomes Colhado

img
Nádia Gomes Colhado, de 26 anos, é um destaques do garrafão do UNINASSAU/América (PE), que disputa a quinta edição da Liga de Basquete Feminino (LBF). Segundo colocado na classificação geral, o time pernambucano apresentou o melhor ataque e a melhor defesa na primeira fase do campeonato. A paranaense de Marialva, que já soma médias de 10.3 pontos e 6.81 rebotes por jogo na competição é também uma das mais experientes do grupo comandado pelo técnico Roberto Dornelas. Totalmente adaptada ao clima americano, a pivô já está confirmada para sua segunda temporada vestindo as cores do Atlanta Dream na WNBA. Em 2015, Nádia completa dez anos defendendo a equipe canarinho e já pensa nas duas difíceis missões que o Brasil terá em solo canadense. O primeiro compromisso nacional acontece nos Jogos Pan-Americanos de Toronto, de 16 a 21 de julho, e depois na Copa América / Pré-Olímpico de Edmonton, de 8 a 16 de agosto.
img

Que análise você faz da participação do América (PE) na LBF?

O América fez uma ótima campanha no primeiro e no segundo turno da LBF. Acabamos em segundo lugar na classificação (16 vitórias e duas derrotas) e hoje somos o melhor ataque e a melhor defesa do campeonato.

Qual a expectativa para as semifinais da LBF contra São José?

Conseguimos nesta segunda-feira a nossa primeira vitória. Mas sabemos que mesmo jogando em casa as próximas partidas teremos que jogar muito duro, pois o São José é um time novo que vai vir forte atrás desses resultados. Mas confio que se nosso time jogar da mesma forma que o primeiro jogo, sairemos com a segunda vitória e consequentemente classificadas para a final.
img

Que análise faz de seu desempenho na competição?

No início do campeonato eu estava um pouco instável, mas fui crescendo e me mantendo regular no decorrer da competição. Espero que consiga ajudar ainda mais minha equipe a sair com o título da LBF.

Em 2015, você parte para sua segunda temporada na WNBA. Como está sendo a realização desse sonho?

Desde o início foi desafiador e ao mesmo tempo gratificante. É emocionante jogar ao lado das melhores jogadoras do mundo. E me sinto muito feliz pela oportunidade de poder vestir as cores do Atlanta mais uma vez e seguir fazendo parte dessa equipe.
img

Como foi a recepção e a adaptação no Atlanta?

Não senti muita dificuldade na adaptação, pois sempre estão comigo a Érika [de Souza] e o Fábio [Jardine, agente]. Eles me deram todo apoio e suporte necessários, ainda mais no Trainning Camp antes de garantir uma vaga na equipe. Lá eu também tinha a Tiffany Hayes, com quem jogo há dois anos em Recife. Praticamente me senti em casa.

Como é dividir o garrafão com a Érika de Souza no América, no Atlanta e na Seleção?

Como eu sempre digo, a Érika foi meu espelho quando eu era mais nova. Hoje me sinto muito honrada em poder jogar ao lado dela e a oportunidade de aprender com uma das melhores pivôs do mundo.

Fale um pouco da sua evolução técnica. Você acha que se tornou uma jogadora melhor?

Minha visão de jogo mudou e meu trabalho de pivô também. Na WNBA fazemos muito trabalho especifico por posição. Eu passo muito tempo fazendo esses treino com a Teresa [Edwards, assistente Atlanta]. Fiz um progresso muito grande em todos os fundamentos específicos, mas sou muito jovem e com certeza ainda tenho muita coisa a melhorar.
img

O que mudou da pivô que há dez anos atrás vestiu pela primeira vez a camisa da Seleção Brasileira, no Campeonato Sul-Americano Cadete (Venezuela/2005)?

Já se passaram dez anos desde a minha primeira convocação, hoje com certeza sou outra atleta. Evoluí muito, mas tenho certeza que no sentido de empenho e dedicação ao basquete, sou a mesma desde os 16 anos.

Esse ano o Brasil vai disputar o Pan-Americano e a Copa América. Quais as chances do Brasil?

Acredito que o Brasil tem condições de jogar de igual para igual com qualquer time. Acho que o ponto forte do nosso time é o jogo coletivo. As alas e armadoras são muito novas, mas muito rápidas. Claro que o setor das pivôs está muito bem estruturado, com quase todas atuando na WNBA. Com certeza o treinador [Luiz Augusto Zanon] vai explorar isso muito bem. Algumas jogadas do Brasil normalmente são especificas com o trabalho de pivôs. E sabemos o quanto será importante para nós obtermos um bom resultado nessas duas competições.
img

Como você vê o processo de renovação da Seleção Brasileira.

Acho muito importante, pois tenho observado nas outras seleções atletas jovens e de alta qualidade. Precisamos adquirir mais experiência em campeonatos internacionais, para que em 2016, esse grupo esteja bem acima do nível atual. Essa é uma situação natural de evolução e crescimento de um grupo que vem sendo muito bem preparado desde que esse processo de renovação iniciou com a chegada do Zanon.

Como é o clima em um grupo tão jovem?

O clima é dos melhores, com brincadeiras saudáveis. Esse clima ajuda muito na integração, união e ajuda dentro de quadra nos treinos e nos campeonatos.
img

Você toca piano, violão, violino, bateria e flauta, além de ter conquistado medalhas na natação na infância. O que fez você escolher o basquete?

Na verdade o dom musical veio de família, mas nunca quis seguir como uma profissão. Na natação sempre me destaquei, eu amava nadar. Mas me senti completa mesmo no basquete. Acho que foi o basquete que me escolheu.

O que o basquete te deu?

Tudo o que tenho e o que sou devo ao basquete, tanto na parte financeira quanto na vida pessoal. Conquistei amigos que hoje também fazem parte da minha família. E que são pessoas que vou levar comigo para sempre.
img

Quais sonhos ainda falta para você realizar?

O sonho mais próximo que quero conquistar é o título de campeã brasileira na LBF. Depois, quero uma medalha nas Olimpíadas do Rio, em 2016. E, claro, me firmar e continuar progredindo na WNBA.