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10/03/2015 - Rubén Magnano

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Técnico da Seleção Brasileira Masculina de Basquete desde janeiro de 2010, o argentino Rubén Magnano iniciou na semana passada uma nova etapa no seu trabalho com a Confederação Brasileira de Basketball (CBB). A fim de ficar mais próximo do Departamento Técnico da entidade e também do Comitê Olímpico do Brasil (COB), o campeão olímpico em Atenas-2004 com a Argentina passou a morar no Rio de Janeiro. Nesta entrevista, Magnano fala sobre a nova vida como “carioca”, Seleção Brasileira, Copa do Mundo, Jogos Olímpicos Rio 2016, entre outros assuntos.
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Como foi essa decisão de vir morar no Rio de Janeiro?

A verdade é que faz tempo que visito o Rio, desde a época em que comandava a Argentina ou clubes. Não é algo novo para mim vir ao Rio. Foi uma decisão pessoal combinada com a CBB focada basicamente em nossas necessidades futuras. Quando vim para o Brasil decidi ficar em São Paulo porque era mais conveniente. Hoje é necessário estar mais perto da CBB e do COB. Tenho um calendário de palestras com o COB muito interessante.

Como será seu dia a dia no Rio?

Vou morar na Barra da Tijuca. Por enquanto, foi tudo sobre a mudança. Eu vim na semana passada da Argentina, cheguei em São Paulo, peguei o carro e vim para o Rio. Eu posso imaginar como será o meu dia a dia. Será de muito basquete. Felizmente hoje temos à disposição na internet praticamente todos os jogos da Liga de Desenvolvimento e da Liga Nacional. Temos na CBB um programa que nos permite estar muito perto dos nossos jogadores nas ligas pelo mundo.
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Existe a possibilidade de a Seleção treinar no Rio?

Eu sou uma pequena parte da Seleção. Vamos combinar o trabalho com a CBB e analisar a situação e montar um posto de trabalho. Geralmente foi em São Paulo, mas em 2010, antes do Mundial da Turquia, o treinamento foi no Rio. Hoje não posso dizer que nosso local de treinamento será no Rio. No futuro, com certeza.

Você tem participado de reuniões no COB junto de outros treinadores. Como tem sido essa experiência?

O mais importante é ouvir a história de cada um dos treinadores, pois cada um tem sua experiência particular. Claro que você avalia a experiência do esporte individual e do coletivo. Não é a mesma coisa, mas existem coisas em comum que podem ser aproveitadas. Eu ainda não falei no congresso. Quando chegar a minha vez, falarei do desempenho do Brasil na Copa do Mundo da Espanha, em 2014, e qual a perspectiva para os Jogos Olímpicos Rio- 2016.
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Você guardou algo de especial que algum técnico tenha falado?

Acho que guardei algo de todos. Cada um vai jogando na mesa suas experiências. Ninguém joga uma fórmula e sim coisas proveitosas que podem ser avaliadas e você decidir o que serve e o que não serve. Temos de ter a humildade de continuar aprendendo. Fiquei muito impactado pelo que o técnico do handebol feminino (Morten Soubak) fez antes da final do Mundial contra a Sérvia (na ocasião, o dinamarquês criou 16 medalhas de prata de papel alumínio e, no vestiário, entregou para as jogadoras dizendo que se as jogadoras estavam no ginásio pela prata já poderiam ir embora. Acabaram ganhando o ouro).
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Hoje, como você avalia o desempenho do Brasil na Copa do Mundo no ano passado?

Falar somente de uma variável seria errado. Tem o fator psicológico e a questão da estatística, que está muito clara. Chegamos às quartas de final contra a Sérvia com média de 82 pontos por jogo e naquela partida fizemos somente 56. A equipe vinha jogando bem. Pode ter acontecido uma questão emocional, pois nas duas últimas edições não passamos das oitavas. Talvez tenhamos de insistir mais no nosso foco e nos momentos de adversidade. Contra a Sérvia (fase de grupos) e França nós revertemos. Acho que tivemos um momento de pouca inteligência emocional nas quartas de final porque perdíamos por quatro pontos, estava aberto e, em cinco minutos, jogamos fora tudo o que vínhamos fazendo. Temos de treinar com foco em momentos de adversidade. Não estamos falando de jogadores sem experiência, mas de campeões.
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Conversou com os jogadores após a Copa do Mundo?

Ainda não. No início de abril começo a fazer as visitas, primeiro nos Estados Unidos e depois na Espanha. E vamos falar sobre o que aconteceu na Copa do Mundo. O lado emocional está presente sempre. Acho que não foi justo como perdemos. Foi para uma grande equipe que vinha jogando muito bem, mas não merecíamos perder daquela maneira por tudo o que vínhamos fazendo. A parte emocional é importante e precisamos considerar. E claro que trabalhamos.

Você está esperançoso em obter a vaga olímpica pelo Brasil ser o país-sede?

A situação hoje é que não temos resposta. E não temos resposta nem para o sim e nem para o não. Assim, temos de trabalhar pensando o pior, de que teremos de ir ao Pré-Olímpico do México e tratar de ganhar a vaga. Não é fácil, são duas vagas na América. Claro que se a vaga vier, é muito melhor. Hoje, está complicado fazer uma programação.

Essa deve ser a última Olimpíada de alguns jogadores. É uma motivação extra?

Sem dúvida. Jogar em casa, representar o país em casa. Vai ser um desafio muito importante e vão encarar com muita responsabilidade, comprometimento. Temos que trabalhar isso e entender como vamos caminhar esse período até lá.
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A medalha nos Jogos Olímpicos é possível?

É o nosso grande desafio. Na Copa do Mundo esteve perto. Nunca tinha visto a chance de brigar por medalha ficar tão perto. De entrar na semifinal e ter dois jogos por uma medalha.

A demora na decisão da FIBA atrapalha em quanto o planejamento?

Eu vou visitar os jogadores e o que falo? Não sabemos o que vai acontecer. É um momento muito confuso e delicado para nossa programação. Temos três torneios hoje. No começo de junho já começamos a trabalhar a Seleção que vai para a Universíade Gwangju, na Coreia do Sul. Aí continuamos trabalhando com a Seleção que vai aos Jogos Pan-Americanos de Toronto (Canadá) e depois o trabalho para o Pré-Olímpico de Monterrey (México).

Você vai visitar os jogadores que atuam fora do Brasil?

Vamos viajar no início de abril aos Estados Unidos. Não conversei com eles depois da Copa do Mundo. Gosto de falar cara a cara.
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Quais competições que você vai estar presente?

Hoje, infelizmente, não tenho como falar onde vou estar, dizer o que vai acontecer com a comissão técnica. A possibilidade é grande de eu não ir ao Pan porque bate com as datas de treinos para o Pré-Olímpico. Mas não posso afirmar porque depois posso ter de desdizer. Essa situação de não ter resposta pode mudar muito nossa maneira de encarar cada torneio. Minha ideia é levar a melhor equipe em cada um. No momento que um torneio bate com a preparação de outro você precisa montar times diferentes.

Como você está vendo o desempenho dos jovens jogadores?

Temos muitos jovens fazendo bons trabalhos. O Davi (Rossetto), do Basquete Cearense, é o garoto que mais evoluiu. É um exemplo para muitos jovens que, com trabalho, você consegue chegar ou ficar perto das suas metas. Coelho (Henrique), do Minas. Gostei muito do que está fazendo nos últimos 50 dias o Cristiano Felício. Melhorou muito. Também tem o Lucas Mariano, Leo Meindl, Ricardo Fischer. O Suallison (Tavares) também vem bem. E não podemos esquecer do Bruno Caboclo. Um jogador de futuro na Seleção. Pena que não está jogando tudo que eu gostaria por conta dos poucos minutos em quadra.

Está gostando da temporada dos jogadores brasileiros na NBA?

Sim. Infelizmente o Anderson Varejão se machucou. Havia feito uma Copa do Mundo muito boa. Nenê está jogando em um nível bom. Tiago Splitter voltou bem. Leandrinho não começou bem, mas já melhorou muito.
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E os que estão na Europa?

Augusto Lima está fazendo uma grande Liga ACB na Espanha. Raulzinho e Rafael Luz também. E o Marcelinho Huertas é o armador do Barcelona. A equipe está com altos e baixos, mas ele continua sendo o armador de uma grande equipe.

E os jogadores que estão no Brasil?

É preciso avaliar como cada equipe está jogando. O Bauru tem vários jogadores da Seleção. No Flamengo, Marquinhos está fazendo um trabalho interessante e o Marcelinho Machado segue como um grande arremessador de três.

O que pretende fazer nos momentos de folga no Rio?

Estou morando perto da praia. Tenho tirado uma hora por dia para caminhar no calçadão porque preciso, para a saúde. Ainda não fui reconhecido na rua. Acho que com o tempo vou incorporar alguns hábitos do carioca.