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23/02/2015 - Alberto Marson

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Medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, na Inglaterra, em 1948, o casabranquense Alberto Marson, completa nesta terça-feira (dia 24) 90 anos. Além da Olimpíada, ele defendeu o Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Buenos Aires, na Argentina, em 1951, e no Campeonato Sul-americano do Paraguai, em 1949. Marson fez parte de uma geração comandada por Moacir Daiuto, da qual faziam parte craques como Ruy de Freitas, Afonso Évora, Algodão, Alfredo da Motta, João Francisco Braz e Alexandre Germiniani, entre outros. Geração esta que abriu as portas para a geração de ouro bicampeã mundial (1959 e 1963). Depois que parou de jogar, Marson, casado com a ex-jogadora de basquete e vôlei Dirce Marson, se tornou professor. Pai de três filhos, o único representante ainda vivo da Seleção Brasileira que ganhou o bronze em Londres-1948 se recupera de uma fratura no fêmur. Apesar do problema, não se furtou em contar um pouco da sua trajetória de jogador e professor.
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Como o basquete entrou na sua vida?

Foi em Casa Branca (SP), onde nasci. Eu tinha 13 anos e mais de 1,85m de altura, mas meu esporte era a natação. Foi quando meu professor chegou para mim e disse que minha altura era para jogar basquete. Achei interessante a observação dele e fui praticar basquete. Foi a melhor mudança esportiva que tive.

Fale um pouco de sua trajetória de jogador de basquete?

Na época não se pulava de um clube para o outro como hoje. Não existia o interesse financeiro que tem atualmente. Você jogava em um clube pelas amizades com o técnico, com os jogadores mais antigos. Foi assim minha vida, jogando pelo Tênis Clube Paulista, Pinheiros, Palmeiras e Tênis Clube de São José.

O que o senhor lembra dos treinamentos da Seleção Brasileira para os Jogos de Londres?

Os treinamentos da época eram muito diferentes dos de hoje. Não se pensava muito em força muscular. Os técnicos procuravam explorar ao máximo a característica de cada jogador, procurando fazer treinos diferenciados. Se você era bom embaixo da tabela, treinava ali. Se você era bom de arremesso, ficava na sua posição de chute.
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Como foi a preparação da Seleção Brasileira para a Olimpíada de 1948?

Foi muito boa. Faz muito tempo (risos), mas você pode ter certeza que fizemos o melhor e o resultado foi nossa medalha. Chegando em Londres, ficamos concentrados em base da Aeronáutica, sem sequer asfalto, sem academia e não tínhamos quadra para treinar. Fazíamos os treinamentos em um campo de futebol cheio de buracos e isso acabou fazendo com que o Évora (Afonso) tivesse uma torção muito forte.

E a viagem do Rio de Janeiro para Londres?

Não existiam voos diretos. Foi uma aventura. Saímos do Rio de Janeiro, paramos em Natal, no Rio Grande do Norte. Depois seguimos até Dacar, na África, e a última parada foi em Lisboa, em Portugal. Só aí fomos para Londres. Em cada parada, ficamos muitas horas esperando abastecer, fazíamos nossa alimentação entre outras coisas. Demorou muito. Quase três dias.
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Como era o ambiente entre jogadores e comissão técnica?

Era um ambiente muito bom e olha que eram quatro paulistas (eu, Bráz, Gemignani e o Massinet) e seis cariocas (Nilton Pacheco, Marcus Vinicius Dias, Ruy de Freitas, Algodão e Évora). Não existia sequer um problema. Era um grupo muito unido que se dava muito bem.

Aquela Seleção poderia ter ido mais longe em Londres?

Foi uma conquista muito bonita, não tenho dúvida. Poderia ter sido melhor. Poderíamos até ter conquistado uma prata senão tivéssemos perdido para a França. Seria bem melhor uma prata. Não iríamos ganhar o ouro porque esse posto era dos americanos.
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Quantas competições o senhor participou com a Seleção Brasileira?

Eu joguei todas as competições da época. Não existiam tantos campeonatos como hoje. Eu joguei o Sul-Americano, Pan-Americano e Mundial. Fui convocado, mas acabei não ficando para o primeiro Mundial, em 1950, na Argentina.

Qual foi o momento mais marcante na sua carreira?

Não tenho dúvida que foi em Londres. Aquela Seleção foi importante para o basquete brasileiro em conquistar a única medalha na Olimpíada. Foi uma participação brasileira que me deixa cheio de orgulho por ter estado presente. Disputar uma Olimpíada é um orgulho muito grande, ganhar uma medalha é realmente o máximo.
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E o grande jogador da sua geração?

Tínhamos ótimos jogadores para a época. Mas eu destaco dois fenômenos que foram o Ruy de Freitas e o Angelim. Eram craques que nasceram para jogar basquete.

Como o senhor observa o basquete de hoje?

Eu tenho acompanhado pouco e quando tenho paciência. Gostei muito da Seleção Brasileira nas últimas competições na Olimpíada de Londres (2012) e no Mundial da Espanha, ano passado. Temos bons jogadores, tanto fisicamente quanto tecnicamente.
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Como é a vida do Marson aos 90 anos?

Normal para um senhor de idade. Eu até o ano passado conseguia dirigir, fazer compras e visitar amigos. Mas acabei caindo e fraturei o fêmur. Já estou melhor. Consigo andar com dificuldade e com apoio, mas estou melhor. Pronto para outra.

O que significa chegar aos 90 anos e ter uma esposa com 89 anos?

Tivemos uma vida no esporte, sem vício nenhum. Gosto de dormir cedo, comer o necessário, sem exagero em nada. A vida no esporte sempre me ensinou isso. A nossa vida foi sempre muito boa e isso explica tudo.

Uma mensagem para os jovens que estão começando no basquete?

Dedicação, muita força de vontade e muito treino. Sem esforço pessoal, um atleta não chega a lugar algum.