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16/02/2015 - Tiago Splitter

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Em 2010, Tiago Splitter realizou um sonho e iniciou sua trajetória na NBA. Com a camisa do San Antonio Spurs, o pivô conseguiu, no ano passado, em sua quarta temporada na liga americana de basquete, o que nenhum brasileiro tinha conquistado: o anel de campeão. Também em 2014, ele jogou pela Seleção Brasileira e ficou em sexto lugar na Copa do Mundo da Espanha. Aos 30 anos, Splitter relembra a última temporada, fala da atual e do sonho de ser bicampeão, além de comentar os planos para o futuro.

Qual a avaliação que você faz do seu desempenho na última temporada?

A última temporada foi ótima, com certeza uma das melhores da minha carreira. Consegui ser campeão da NBA e ajudar muito o meu time. Com a Seleção Brasileira, acho que fizemos uma boa atuação na Copa do Mundo da Espanha. Infelizmente, perdemos nas quartas de final, mas tivemos uma atuação digna e representamos bem o basquete brasileiro.
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O que representa para você ter sido o primeiro brasileiro campeão da NBA?

Com certeza é um orgulho. É muito difícil estar na NBA, é muito difícil estar numa equipe competitiva na NBA. E ser campeão é muito mais complicado. É um orgulho, estou feliz por isso, mas espero que outros brasileiros consigam o mesmo feito.

O que os outros jogadores brasileiros que atuam na NBA falaram depois que você foi campeão?

Conversei com eles, todos me deram os parabéns, foi bacana. E claro que eu passei para eles a mesma força querendo que eles estejam lá um dia.
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Quais foram os momentos mais marcantes para você na NBA na última temporada?

Com certeza os playoffs foram os momentos mais marcantes depois de uma temporada regular difícil. Nos playoffs, os jogos são importantes e decisivos. O quinto jogo contra o Miami Heat foi um momento especial (os Spurs ficaram com o troféu ao vencerem o rival por 4 a 1).

O que mudou desde que você ganhou o anel de campeão?

Acho que não mudou muito. A minha vida continua igual. Sigo treinando, querendo ser melhor. É claro que o reconhecimento das pessoas no Brasil, na Espanha e nos Estados Unidos é maior, mas continuo sendo a mesma pessoa.
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Você guarda o anel em algum lugar especial?

Por enquanto está guardado no armário, mas no futuro vou ter um lugar especial para isso. Não só para o anel, mas para todas as recordações que eu tenho do basquete como, por exemplo, as camisas que vou guardando ao longo dos anos. Minhas e dos adversários.

O bicampeonato da NBA em 2015 é possível?

Claro que é. É o nosso objetivo. Ainda temos força para isso. Temos um time veterano, mas queremos ser campeões de novo.
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Como avalia o seu desempenho e dos Spurs até agora na temporada 2014/2015?

Essa temporada não está sendo da forma que a gente queria. Tivemos várias lesões, algumas complicações no início da temporada, mas aos poucos acho que o time está jogando melhor e conseguindo vitórias importantes para estar lá em cima na classificação.

Uma lesão te atrapalhou no início da temporada. Já está completamente recuperado?

Tive uma lesão na panturrilha direita, me recuperei, mas ainda não estou 100% fisicamente. De vez em quando me incomoda um pouco, mas estou apto para jogar e tenho dado meu máximo na quadra para conseguirmos ganhar jogos.

Temos atualmente seis brasileiros na NBA. Isso mostra a força do basquete brasileiro?

Com certeza. O Brasil está bem representado na NBA, temos muitos atletas jogando aqui, muitos que vão vir ainda e espero que continue assim. Quanto mais brasileiros, melhor. Isso mostra que o nível do basquete está melhorando e esperamos que não só na NBA, mas também no Brasil e pelo mundo todos possam crescer.
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Como vê a chegada e o potencial dos jovens Bruno Caboclo e Lucas Bebê?

Eles são o futuro imediato do Brasil na NBA e têm um futuro enorme pela frente. Ainda são jovens, mas espero que consigam se firmar na NBA, que consigam ter minutos e possam representar o basquete brasileiro.

Qual sua avaliação do desempenho do Brasil na Copa do Mundo da Espanha?

Como eu falei, tivemos uma atuação digna. Não era o que esperávamos, mas acabamos ficando em sexto lugar. Talvez pudéssemos ter beliscado uma medalha. Sabíamos do nosso potencial, tivemos um jogo ruim contra a Sérvia e eles jogaram bem. Tínhamos ganhado deles na primeira fase, mas basquete é assim, mata-mata é assim e acabamos caindo nas quartas de final.
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E o seu desempenho na Copa do Mundo?

Acho que o atleta sempre pede mais, nunca estamos felizes com o que fizemos. Eu diria que foi razoável. Espero ainda jogar melhor pela Seleção e conseguir uma medalha que aí sim eu estarei satisfeito.

Em 2015, o Brasil vai jogar a Copa América, válida como Pré-Olímpico. O que esperar dessa competição?

Ainda é uma incógnita se teremos ou não a vaga na Olimpíada Rio 2016. Espero que a Copa América seja uma boa competição. Se o Brasil não estiver classificado, que obtenha a classificação. Se já estiver garantido na Olimpíada, que possamos desenvolver um bom basquete e jogar com atletas jovens que precisem de minutos e experiência na Seleção Brasileira.

Você pensa em jogar a Olimpíada do Rio, em 2016?

Sim, estou à disposição, é claro. Uma competição importante, no Brasil, qual é o atleta que não quer jogar? Todo mundo pensa na Olimpíada do Rio.

No dia 1º de janeiro, você completou 30 anos. O que passa na cabeça de um atleta ao chegar nessa idade?

Quando você chega aos 30 anos passa uma barreira psicológica, mas eu me sinto bem e espero continuar jogando muitos anos basquete porque é o que eu gosto e sei fazer.
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Você pensa em fazer algum tipo de trabalho social em Blumenau?

Bom, trabalho social é um pouco difícil de fazer quando você está fora do Brasil, mas quando estou lá, como nas férias no ano passado, tento ajudar na escolinha de Blumenau. Existe uma iniciativa bacana de fazer vários polos na cidade, que tem menos de 300 mil habitantes, mas que existe muito basquete. Queremos ter Franca como exemplo. Fazer o mesmo em Blumenau. Ter várias escolinhas dentro da cidade com certeza vai ajudar muito.

Quais sonhos você já conseguiu realizar e quais ainda faltam?

Já realizei bastantes sonhos: jogar pela Seleção, representar o Brasil numa Olimpíada (Londres 2012), jogar na NBA, ser campeão da NBA. Agora quero tentar ser campeão de novo e conseguir uma medalha com a Seleção. Estes são os objetivos que estão na minha frente.