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02/02/2015 - Técnico Roberto Dornelas

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Nas duas últimas edições da Liga de Basquete Feminino (LBF), o técnico Roberto Dornelas esteve na final com o Sport Recife (PE). Em 2012/2013, foi campeão invicto. Na temporada seguinte, ficou com o vice. Na atual edição, o treinador comanda o Uninassau/América (PE), com praticamente o mesmo elenco do Sport, e lidera a competição em busca de mais um título nacional. Nesta entrevista, o pernambucano de 54 anos fala sobre o novo trabalho, o período no Sport, entre outros assuntos.
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Como está sendo essa nova fase na sua carreira, agora no Uninassau/América?

É o mesmo projeto que eu tinha no Sport, só que ampliado. As jogadoras vieram comigo e o grupo é praticamente o mesmo. O Uninassau era um dos parceiros no Sport e no América se tornou o patrocinador principal. Estamos nos saindo muito bem, na liderança da LBF. Temos também a parceria com o SESC, que é muito importante.

Como é essa parceria com o SESC?

É um dos parceiros na área social. Aproveitaremos as unidades espalhadas pelo estado para ampliar o nosso projeto de escolinhas “Cestinhas do Futuro”. Estamos montando aos poucos. Temos três turmas no SESC Santo Amaro, em Recife, que é nosso principal local de treinamento e onde mandamos nossos jogos na LBF. Estamos ampliando para o SESC de outras regiões do estado.
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Você já vinha trabalhando com a maioria das jogadoras. Então, acredito que liderar a LBF na primeira fase até o momento não foi uma surpresa. Ou foi?

Esperávamos ficar em primeiro ou segundo. Respeitamos todas as equipes, mas sabemos da nossa força. Hoje não temos nenhuma jogadora com problema de lesão e temos muita qualidade para fazer o rodízio em quadra. A equipe vem num crescimento e estamos encaixando o jogo. Perdemos a Fran e a Palmira, mas contratamos duas jogadoras: a Tamera Young e a Tainá, esta última a substituta da Adrianinha na Seleção Brasileira. Talvez não esperasse terminar o primeiro turno invicto. O campeonato está muito disputado e não podemos bobear.

Foi uma equipe montada para ser campeã da LBF este ano, certo?

Esse grupo dá uma possibilidade muito grande. É um grupo que está junto há três anos e isso é uma grande vantagem a nosso favor. Em 2011, quando montamos a equipe do Sport, não quisemos tirar jogadora de nenhum outro time. Repatriamos jogadoras que estavam no exterior e contratamos quem estava sem clube. O grupo atual dá continuidade ao trabalho iniciado lá atrás.
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E nestes três anos você segue com a parceria com o Atlanta Dream, da WNBA, não?

Sim. Já fui aos Estados Unidos três vezes. É sempre um aprendizado. E não vou sozinho, já fui com integrantes da comissão técnica. É benéfico para todos. Procuro aplicar aqui o que aprendo lá. Uma das coisas que trouxe foi ter três capitãs na equipe: a de quadra, de treino e a disciplinar. Cada uma ajuda a comissão técnica de uma maneira. Isso vem dando muito certo.

Fale mais sobre essa questão das três capitãs.

Eu escolho a capitã de quadra e o grupo, em votação, escolhe as outras duas. A Adrianinha, por sua experiência, é a capitã de quadra, função tradicional no esporte. A Iza [Izabela Andrade] é a disciplinar. Nós temos regras de comportamento, de vestimenta, uso do material, entrevistas, saídas, atrasos. Ela cuida de tudo isso. Se alguém atrasa para um treino, tem de deixar o dinheiro na caixinha. A Érika [De Souza] é a capitã de treino. Ela recebe os treinos antes e ajuda a comissão técnica no trabalho. Ela orienta se alguém está fazendo algo errado e traz para a comissão técnica os que as jogadoras estão achando dos treinos.
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O que as jogadoras falaram quando você propôs essa ideia das três capitãs?

Apresentei para elas o que tinha visto no Atlanta e elas gostaram. Além dessa ajuda, as três podem participar de algumas reuniões da comissão técnica. Isso dá uma responsabilidade ainda maior para as atletas. E elas se sentem ainda mais integradas ao projeto e a todo o planejamento.

Quem são os principais adversários na busca pelo título da LBF este ano?

O Maranhão é uma equipe que sempre cresce. E tem a Iziane [Marques] que, em casa, joga como nunca. Americana é o atual campeão e tem um time forte. O São José tem um bom grupo que possui em seu elenco uma grande parte de jogadoras da seleção. Pode surpreender muita gente.

A Adrianinha está trabalhando com as categorias de base do América. Foi ideia sua?

Sempre que eu monto um projeto tenho como um dos objetivos a evolução do basquete no estado. No Sport, a gente visitava colégios e clubes para incentivar as escolhinhas e ela sempre tomava a frente nas atividades sem ninguém pedir. Vimos que ela tinha jeito e colocamos isso para ela. E a Adrianinha, que hoje mora em Recife, topou. Ela voltou a estudar e me pediu uma turma para ensinar. Estruturamos o horário de treino para facilitar. Ela está fazendo peneiras atualmente para o time sub-21. E dá aula na escolinha no SESC Santo Amaro pela manhã.
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Você tem no elenco a armadora Tainá. É uma jogadora de grande futuro?

É uma jogadora que veio trabalhar conosco em abril do ano passado. Ela jogou o Sul-Americano pelo Sport e veio para o América. É uma atleta que esta em franco crescimento, principalmente pelo fato de estar diariamente com a Adrianinha. Esse aprendizado está sendo muito bom para ela.

Como foi o período de trabalho no Sport, com um título e um vice da LBF?

O trabalho no Sport começou para disputa do Nacional de 2005. Ficamos em terceiro. Nos dois seguintes ficamos em quarto. Depois, em sexto. Então, sempre estivemos nas primeiras posições. Assim, criamos uma expectativa na torcida. Mas eu acabei saindo em 2009 e só voltei em 2011. Com a experiência adquirida, vimos o que precisávamos para montar a equipe. Fomos atrás de parceiros. Nos filiamos à LBF, mas só começamos a disputar no ano seguinte. Quando vimos no papel o time que tínhamos montado, percebemos que era um grande time. E fomos campeões. No ano seguinte, tivemos alguns problemas, mas perdemos para Americana, outra grande equipe.
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No Sport, você repatriou jogadoras como Adrianinha, Franciele e Érika. Como foi esse trabalho de convencimento?

Elas sabiam que o prometido seria cumprido. As jogadoras queriam voltar. Nem todas estavam recebendo propostas. Elas vieram pelo desafio, pelo fato de poderem ajudar o basquete do estado e pela torcida.
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Você pensa em ser técnico da Seleção Brasileira?

Se eu disse que não estarei mentindo. Todo técnico pensa nisso. Mas não é algo que me deixa chateado ou desesperado. Respeito muito o trabalho do Zanon [Luiz Augusto], troquei muita ideias com o Paulo Bassul quando ele estava no cargo e cheguei a trabalhar com o Luiz Claudio Tarallo. Sei da dificuldade e do desafio do cargo.

Como foi a participação na Escola Nacional de Treinadores no ano passado?

Sou formado em Educação Física, com pós-graduação em treinamento esportivo e penso em fazer mestrado. Estou sempre buscando aprender para o trabalho melhorar sempre. Participar da ENTB é uma oportunidade de troca de informações, de conversar e discutir o basquete. De os treinadores se atualizarem e conversarem sobre coisas novas.