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26/01/2015 - André Luiz Barbosa, o Dedé

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Nascido no Rio de Janeiro, André Luiz Chueri da Silva Barbosa, ou simplesmente Dedé, foi um jogador de basquete marcado pelo temperamento explosivo em quadra. Com passagem por grandes times brasileiros, foi campeão nacional em 2005 com o extinto Telemar (RJ). O bom desempenho nos clubes o fez chegar na Seleção Brasileira. Com a Amarelinha, foi campeão sul-americano, no Uruguai, e ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, ambos em 2003. Hoje, aos 37 anos, Dedé começa a chamar a atenção como treinador. Depois de passar dois anos como assistente técnico de Demétrius Ferracciú no Winner/Limeira (SP) e comandar a equipe sub-22 do time paulista, ele assumiu o comando da equipe principal nesta temporada. E colocou o Limeira na liderança da temporada regular do Campeonato Brasileiro.
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Como está sendo a experiência como técnico?

Para mim, foi uma transição natural de jogador para técnico. E a experiência está sendo bem tranquila. Procuro ser aberto e honesto com os jogadores, tratando todos da melhor maneira possível. Acho que me encontrei na função de treinador. Além disso, meu início está sendo facilitado pelo fato de eu conhecer a maioria dos jogadores, muitos da minha geração.

E como foi a decisão de se tornar treinador?

Quando eu estava com 26 para 27 anos, já não queria mais jogar, não tinha mais aquele tesão, aquela motivação para treinar. E o basquete se tornou muito físico, hoje em dia o jogador não sobrevive só do talento. É preciso estar bem fisicamente e bem treinado, caso contrário não consegue jogar. Quando surgiu a oportunidade de vir para o Limeira, já estava com o pensamento de ser técnico. Eu gosto do ambiente, para mim o basquete é tudo. Queria continuar e ser treinador era o caminho natural.

Então imagino que você não sinta saudade de estar na quadra jogando?

Não sinto saudade nenhuma.
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Você sempre foi um jogador com temperamento explosivo. Como é o Dedé treinador?

Sempre fui um jogador de temperamento explosivo e inconsequente na quadra. E acabava agindo de forma errada. Hoje estou mais maduro, vendo como é estar do outro lado, ter de ser um líder, um exemplo para os jogadores. E ser exemplo é muito difícil. Continuo sendo hiperativo e tenho tentado me controlar. No jogo contra o Flamengo, pelo NBB, fui expulso. Não era para acontecer isso e tenho de assumir meus erros.

O técnico Dedé seria treinador do jogador Dedé?

Não. Como técnico, eu não gostaria de me ter como jogador. Tenho noção dos defeitos que tinha como jogador, do caminho errado que segui, das atitudes erradas que tomava na quadra.
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Como foi o período de aprendizado no sub-22 do Limeira e como assistente técnico do Demétrius?

Aprendi demais. Desde o começo, quando aceitei ser assistente técnico, deixei claro que meu objetivo era o de ser treinador. Fiz cursos, fui para a Europa, Estados Unidos, fui me preparando. Ainda assistente técnico, recebi alguns convites de outras equipes para ser técnico, mas não achava que fosse o momento. Eu me preparei o máximo possível quando chegasse a hora. Ainda tenho muito a aprender, mas estou me sentindo bem, aproveitando cada jogo, cada treino.
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Você jogou com o Demétrius no Telemar. Isso ajudou na relação de vocês?

Ajudou, lógico. Tanto no Telemar quando na Seleção, o Demétrius foi meu companheiro de quarto nas viagens. Eu e ele temos conceitos de jogo muito próximos. As ideias batem. Quando saí do Flamengo, ele me deu a oportunidade. Claro que ninguém é igual, cada um tem sua filosofia, mas temos pensamentos bem semelhantes no basquete.

Como recebeu a notícia de que seria técnico da equipe principal do Limeira?

Não foi simples, pois teve muita coisa envolvida. Quando perguntaram se eu aceitava ser o técnico, tive de ir à casa do Demétrius conversar com ele. E foi uma conversa chata, complicada. Mas ele entendeu o meu lado.

Você esperava esse bom desempenho do Limeira logo no início do seu trabalho?

Se eu disse para você que imaginava chegar a este patamar, estarei mentindo. Claro que eu já conhecia a maioria dos jogadores. Mas ser técnico não é um trabalho fácil. Fazer o time jogar bem, ter conjunto. Mas todos os jogadores compraram a ideia. Hoje, o meu trabalho é mais de gestão de pessoas, de como aproveitar o lado mental do que trabalhar a tática.
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Você jogou por grandes times do basquete brasileiro. Quais os momentos mais marcantes na sua carreira?

O ano no Telemar foi especial. Era um time que tinha grandes jogadores como Marcelinho Machado, Demétrius, Ratto. E tinha o Oscar como dirigente. Era um time muito e ganhamos tudo, incluindo o Nacional de 2005. Mas jogar no Flamengo não dá para comparar. Sou torcedor do Flamengo e vestir aquela camisa, jogar com apoio da torcida, é muito especial.

Você jogou pela Seleção Brasileira. Imaginava que fosse vestir a camisa do Brasil?

Todo jogador almeja jogar pela seleção do seu país. Eu esperava e, quando o Lula Ferreira me deu a oportunidade, dei tudo de mim para não ser cortado. Treinei muito. Ser cortado é a pior coisa que existe. Eu me senti muito bem na Seleção.

A medalha de ouro no Pan de Santo Domingo foi a conquista mais importante?

Na Seleção, ganhei o Sul-Americano e o Pan, os dois em 2003. Eu nem jogava, só fazia parte do grupo. O time era tão unido e os outros jogadores estavam tão bem, que eu nem queria entrar para não atrapalhar.