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12/01/2015 - José Roberto Mariano Júnior, do Basquete 3x3

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O basquete está na vida de José Roberto Mariano Júnior, o Juninho, desde os sete anos e atualmente é o número 1 do Brasil no ranking 3x3 da FIBA. Ao longo da carreira, o armador de 1,95m jogou em diversas equipes paulistas como Monte Líbano, Continental, Ipiranga, Osasco, Suzano, Guarulhos, Americana, Jundiaí e São Bernardo. Teve sucesso na Seleção Brasileira Universitária, sendo tricampeão brasileiro e heptacampeão paulista. Também jogou na Seleção Paulista de Base e foi tricampeão dos Jogos Abertos do Interior (Sub-21 e adulto) e é hexacampeão da Liga Paulista de Basquete. Aos 32 anos, o paulista trabalha como professor de basquete no Colégio Bandeirantes, cuida do Instituto Educacional Drible Certo, em São Paulo, e, no último domingo, faturou o título do 1º Mundialito de Basquete 3x3, no Rio de Janeiro, quando sua equipe, o Brasil Amarelo, derrotou na final o Denver, dos Estados Unidos, por 20 a 19.
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O que significa para você a conquista do Mundialito?

A vitória foi consequência de um trabalho. Jogo o basquete 3x3 há um ano e meio e as perspectivas de crescimento da modalidade são as melhores possíveis. Fico muito feliz de poder dar ao Brasil esse título logo no início da temporada.

Essa foi sua primeira vez na Seleção Brasileira de basquete 3x3. O que isso representa?

É um orgulho muito grande. Todo jogador almeja estar numa Seleção Brasileira. É uma satisfação enorme representar o Brasil.

Você é o líder do ranking brasileiro de basquete 3x3 da FIBA. Esperava chegar nessa marca?

Tenho orgulho disso. Meu time (Equipe São Paulo DC) é fantástico, sou muito unido aos demais jogadores. Entre nós, não importa muito eu ser o primeiro. Acabou que eu marquei um pouco mais de pontos em alguns campeonatos e acabei sendo o primeiro. Representei meu time na Seleção.
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Como foi seu início no basquete?

O basquete é tudo para mim. Comecei a jogar com sete anos. E brinco com meus alunos que o basquete me deu tudo na vida. O basquete me deu a faculdade, meus amigos. Meu pai jogava basquete, então acabou me influenciando. Comecei a jogar na escola por causa dele. No meio esportivo, brincamos que é a picadinha do mosquito. Quando você é picado, não tem como. Fui picado aos sete anos e estou até hoje no basquete.

Como foi seu início profissional?

Fui federado pela primeira vez aos dez anos pelo clube Monte Líbano, em São Paulo. Joguei dois anos abaixo da categoria Sub-12 e depois na base no Monte Líbano, Ipiranga, Continental. Joguei bastante tempo o basquete profissional em Guarulhos, Americana, São Bernardo. E ainda atuei no basquete universitário.
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Falando nisso, você tem bons resultados no basquete universitário. Fale sobre isso.

Eu joguei o basquete universitário num momento de crescimento. Cheguei quando não tinha muito reconhecimento. Foi um orgulho muito grande, pois o universitário é a base da educação. Proporcionar educação através do esporte é importante e procuro fazer isso com meus alunos.

Como surgiu o basquete 3x3 na sua vida?

Eu comecei a assistir ao basquete 3x3, mas não tinha perspectiva de jogar. Até que fui convidado para integrar um time. Estou há um ano e meio e 2014 foi muito bom. Estou bem engajado e espero continuar por um bom tempo.
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Existe a campanha para tornar o basquete 3x3 um esporte olímpico. Seria um sonho disputar uma Olimpíada?

Sim, seria um sonho. Falam que o basquete 3x3 pode entrar para o programa olímpico dos Jogos de 2020, em Tóquio, no Japão. Seria maravilhoso e eu, com certeza, tentaria garantir uma vaga no evento.

Nestes anos todos no basquete, imagino que você tenha vivenciado histórias curiosas, não?

Com certeza. O basquete proporcionou minha primeira viagem de avião. Tinha 15 anos e fui convocado para integrar uma Seleção Paulista. Saímos de São Paulo para o Rio Grande do Sul. Como eu nunca tinha viajado, e estava com um monte de amigos, tive de fingir que não estava com medo. Mas eu estava morrendo de medo. O basquete também me fez sair do Brasil. Nunca imaginei que fosse conhecer o mundo. Minha primeira viagem internacional foi para o Chile, aos 20 anos. Depois conheci os Estados Unidos, a Argentina.
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Teve dificuldades nestes países?

Muitas. Quando fui para o Chile, não estava acostumado com a comida. Eles têm uns temperos diferentes. Aí, você quer comer e não consegue. Vai ao restaurante e não consegue pedir. A comida vem, é ruim e você não sabe como pedir outra, pois não consegue ler o cardápio. Então se alimentar e comunicar eram coisas difíceis. Hoje, graças a Deus, falo outros idiomas. Mas jogar um campeonato de 15 dias em três cidades do Chile sem saber espanhol me fez comer todos os dias em restaurante de fast food. Meus pais ficaram preocupados, pois não se pode comer isso toda hora.

Você consegue conciliar a vida de jogador de basquete com a de professor?

Sim, tento conciliar tudo. Hoje, me dedico ao basquete 3x3 e sigo dando aulas em colégio e cuidando da minha ONG. No Instituto Educacional Drible Certo, tento proporcionar para as crianças as mesmas experiências que tive com o basquete. Eu trabalho com crianças carentes para dar novas perspectivas de vida para elas, novas oportunidades. O instituto fica numa área carente da zona norte de São Paulo. Atualmente temos mais de 80 crianças, de todas as idades, praticando basquete. Se quer praticar basquete, ser um grande cidadão, se quer algo diferente na vida, o instituto irá ajudar.