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15/12/2014 - Alex Garcia

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Aos 34 anos, Alex Ribeiro Garcia só vai pensar na aposentadoria após os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. Jogando em alto nível, o ala da Seleção Brasileira sonha com a medalha olímpica. Enquanto o evento não chega, o veterano jogador segue colecionando troféus e conquistas. Em 2014, faturou o Campeonato Paulista e a Liga Sul-Americana, ambos os torneios defendendo sua nova equipe, o Paschoalotto/Bauru. Na competição continental, foi eleito o MVP (melhor jogador). Pela Seleção, Alex lamenta a não conquista da medalha na Copa do Mundo da Espanha, mas destaca a boa participação do Brasil no torneio.

Qual avaliação você faz do seu desempenho em 2014?

O primeiro semestre não foi tão bom. Ainda com o Brasília, fomos eliminados nas quartas de final do NBB. Já o segundo foi muito bom. Apesar da derrota para a Sérvia nas quartas de final da Copa do Mundo, fizemos grandes jogos, tivemos boas apresentações no torneio. Com o Bauru, ganhei dois títulos. Foi um final de ano especial para mim.
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Você conquistou a Liga Sul-Americana pela terceira vez (ganhou em 2010 e 2013 com o Brasília).

É sempre um título muito disputado. Principalmente quando as equipes do Brasil enfrentam as da Argentina. E, nos últimos anos, os times uruguaios têm dado muito trabalho. Fico feliz em ser campeão porque é um título que todo jogador de basquete na América do Sul almeja.

E você ainda foi aleito o MVP desta última edição. O que isso representa para você?

É uma coroação. Sempre tento fazer o melhor possível, não só na pontuação, mas também na defesa, que sempre foi uma característica minha. O Final Four foi muito especial. Fizemos uma semifinal muito boa, neutralizando todos os pontos fortes do Malvin (URU). Na final, contra o Mogi, o time entrou focado, estávamos jogando em casa. O time tinha deixado escapar em 2013 ao perder na semifinal. Isso não poderia acontecer de novo, ainda mais no nosso ginásio.

Com o título, vocês agora têm a vaga na Liga das Américas, outra competição importante.

Temos uma equipe muito competitiva e a possiblidade de sermos campeões da Liga das Américas é muito grande. Claro que sabemos da força do Flamengo, São José, Paulistano e dos times estrangeiros. Mas o título é bem possível para nós.
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Como você avalia o desempenho no Brasil na Copa do Mundo?

A Copa América na Venezuela, em 2013, foi uma competição em que todos os jogadores estiveram abaixo do que podem jogar. A equipe poderia ser campeã se todos estivessem bem. Foi um desastre. Mas, no Mundial, foi diferente pelo time que foi montado. Tirando o jogo contra a Sérvia nas quartas, fomos muito bem em todos outros jogos. Acho que perdemos pelo excesso de confiança de que chegaríamos na semifinal, de que brigaríamos por medalha. A ansiedade de brigar por uma medalha acabou atrapalhando.

Em 2015 você completará 15 anos vestindo a camisa da Seleção. Quais os momentos mais marcantes para você com a Amarelinha?

A primeira convocação, com certeza, lá em 2000. E o Pré-Olímpico de Mar Del Plata, na Argentina, em 2011. Fomos para lá desacreditados, a mídia dizendo que seria um fiasco. Mostramos que, apesar dos desfalques, estávamos preparados e confiantes. Treinamos por muito tempo e deu tudo certo. Conseguimos nosso objetivo naquele torneio: disputar uma Olimpíada.
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Como você avalia o seu início na Seleção?

Eu cheguei numa troca de gerações. Procurei colher o máximo de informações de quem estava deixando a Seleção. E tentei ajudar da melhor maneira possível. O primeiro ano foi um momento de aprendizado. E, aos poucos, fui ganhando experiência.

E quais são os momentos marcantes em clubes?

Os títulos. Todos são especiais. Desde o primeiro, o Cadete Paulista, em 1997, até o mais recente. No COC/Ribeirão Preto fui campeão paulista invicto, batemos o recorde de Franca. O primeiro título nacional com o Brasília, até então uma simples equipe. Todos os títulos são especiais e cada um tem a sua história.

E quais são os momentos marcantes em clubes?

Os títulos. Todos são especiais. Desde o primeiro, o Cadete Paulista, em 1997, até o mais recente. No COC/Ribeirão Preto fui campeão paulista invicto, batemos o recorde de Franca. O primeiro título nacional com o Brasília, até então uma simples equipe. Todos os títulos são especiais e cada um tem a sua história.
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Como você avalia sua passagem pelo San Antonio Spus, em 2004, e pelo New Orleans Hornets, em 2005?

Foi bacana, apesar das lesões. Foi um aprendizado e um sonho realizado. Pude trabalhar com atletas que admirava. O que não me deixou ter uma sequência foram as lesões. Fraturei o pé esquerdo e rompi o ligamento cruzado do joelho esquerdo. Estamos sujeitos a isso no esporte.

Atualmente, temos sete brasileiros na NBA. Como você avalia isso, sobretudo a chegada de jovens como o Bruno Caboclo e o Lucas Bebê?

Fico feliz. Sei que tenho parte nisso porque joguei lá e ajudei a abrir portas para o Brasil. O Nenê foi o primeiro a se firmar. Depois vieram eu, o Leandrinho, o Anderson Varejão, o Tiago Splitter. Isso mostra que a NBA tem olhos para o Brasil. E que o jogador brasileiro pode jogar na NBA. Fico contente por esses garotos que estão chegando e espero que outros possam trilhar o mesmo caminho.
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E sua passagem pelo Maccabi Tel Aviv? Como foi viver em Israel?

O Maccabi foi outro sonho realizado. Poder jogar a Euroliga, disputar um Final Four. Infelizmente fomos eliminados na semifinal pelo CSKA (Rússia). Quanto a essa coisa de guerra, eu nunca vi nada. Minha casa tinha porta contra bomba, mas, graças a Deus, nunca vi atentado e fui muito bem tratado. Tinha assinado contrato por quatro anos, mas só fiquei uma temporada por causa da família. Era difícil para eles, minha filha ainda era pequena, tinha de viajar toda hora. Pensei na família e decidi voltar para o Brasil.

Você pensa em jogar a Olimpíada do Rio, em 2016?

Claro! Estou tentando e me esforçando para seguir jogando em alto nível. Tenho esse pensamento, pois vai ser a minha despedida da Seleção. Estou trabalhando duro e fazendo meu máximo para ser convocado e defender o Brasil. Queremos essa medalha.

O que você acha dos apelidos que recebeu ao longo da carreira por conta da sua garra em quadra? Chamam você de brabo, destemido, entre outros.

Você sempre pode melhorar o seu jogo defensivo, mas, caso não goste, não tenha talento para isso, de nada adianta. Desde pequeno, sempre gostei de defender. Antigamente, isso não era tão valorizado, mas hoje em dia isso mudou. Para mim, sempre foi um prazer. No Pré-Olímpico de Mar Del Plata, parar o argentino Manu Ginobili foi importante. Sempre tive esse talento e por isso os apelidos surgiram. Gosto de alguns, brabo é o mais conhecido e com o qual eu mais me identifico.
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O que você acha dos apelidos que recebeu ao longo da carreira por conta da sua garra em quadra? Chamam você de brabo, destemido, entre outros.

Você sempre pode melhorar o seu jogo defensivo, mas, caso não goste, não tenha talento para isso, de nada adianta. Desde pequeno, sempre gostei de defender. Antigamente, isso não era tão valorizado, mas hoje em dia isso mudou. Para mim, sempre foi um prazer. No Pré-Olímpico de Mar Del Plata, parar o argentino Manu Ginobili foi importante. Sempre tive esse talento e por isso os apelidos surgiram. Gosto de alguns, brabo é o mais conhecido e com o qual eu mais me identifico.

O que você vai fazer depois que se aposentar?

Quero trabalhar com a garotada, com as categorias de base e poder ensinar um pouco do que aprendi nesses anos todos. Guardo os playbooks (livros de jogadas) de todos os clubes em que joguei. Tenho um arsenal de jogadas. Se eu vier a ser técnico da garotada ou até mesmo no profissional, tenho muita coisa para passar.