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14/11/2014 - Bruno Costa Oliveira

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Filho de pais árbitros de basquete, o gaúcho Bruno da Costa Oliveira começa a trilhar um caminho de sucesso na arbitragem. Aos 23 anos, ele conseguiu no ano passado o certificado para ser árbitro da Federação Internacional de Basketball (FIBA). No fim de outubro deste ano, o filho de Fernando Serpa e Daniela Souto da Costa trabalhou em sua primeira competição internacional: o 26º Campeonato Sul-Americano Sub-15, disputado em Barquisimeto, na Venezuela.

Como foi trabalhar em sua primeira competição internacional como árbitro FIBA?

Foi uma experiência muito boa. Estou começando minha carreira internacional e a ansiedade era grande antes do campeonato. Vivia a expectativa de ser chamado desde julho do ano passado, quando passei na prova, no Chile. O Sul-Americano foi muito bom. Trabalhei em cinco jogos, pois cada árbitro apitava uma partida por dia. Estive no jogo de abertura, entre Uruguai e Chile, uma vitória chilena por dois pontos, e também trabalhei na semifinal, em que a Argentina ganhou da Venezuela. Tive um bom feedback dos coordenadores, que me falaram o que fiz de positivo e o que preciso melhorar para seguir em frente em busca de novas oportunidades.
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Quando a FIBA confirmou sua entrada no quadro internacional?

No dia do meu aniversário (1º de abril), meu pai me mostrou que meu nome estava na lista publicada no site da FIBA Américas. Foi meu presente de 22 anos. Foi muito especial.

Você é de uma família de árbitros. Como é essa convivência?

É muito bom poder dividir com eles os momentos dentro da quadra. Já estou na terceira temporada com meu pai no Novo Basquete Brasil (NBB). Raramente apitamos juntos, mas viajamos juntos e divididos as experiências no campeonato.
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Seus pais tiveram influência na sua escolha para ser árbitro?

Joguei basquete por um tempo, nas categorias de base. Mas, com 16 anos, parei de jogar. E como desde pequeno convivi no meio do basquete, acompanhando meus pais, fiquei sabendo do curso de arbitragem. Fiz e gostei. Com 17 anos, comecei a apitar e, com 19, fiz os testes e fui aprovado para ser árbitro nacional. Participei dos Jogos Escolares da Juventude, Campeonatos Brasileiros de base, Basquete 3x3 no Rio Grande do Sul. Até chegar ao NBB.

Por que não quis seguir a carreira de jogador de basquete?

Bom jogador eu nunca fui. Tive problemas de lesão, quebrei o braço, operei o cotovelo. Quando voltei a jogar, não tinha mais a mesma vontade, ânimo para encarar a rotina de treinos. Aí, decidi parar.
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Em novembro de 2012, você apitou a final dos Jogos Intermunicipais do Rio Grande do Sul ao lado dos seus pais. Como foi essa experiência?

Foi muito fácil pois levamos para dentro da quadra a convivência do dia a dia. Cada um entende a reação do outro, sabe o que cada um está cuidando na partida. Nos entendemos muito bem e isso ajuda no comando da partida, na definição dos critérios.

Também em 2012, em dezembro, você apitou um jogo do NBB ao lado do seu pai. Era o duelo entre Paschoalotto/Bauru e Tijuca/Rio de Janeiro. Como foi?

Foi muito bom. Era meu segundo jogo no NBB, então ainda tinha aquele clima de primeira temporada. Foi uma partida com transmissão da TV, em Bauru, cidade reconhecida por adorar basquete. A adrenalina foi positiva, gostei do jogo e foi muito especial estar ao lado do meu pai.

Você conversa com seus pais sobre o seu desempenho, sobre erros?

Tenho esse costume, sim. Sempre depois dos jogos do NBB eu ligo para ele, perguntando como foi, dividimos o que aconteceu na minha partida e na dele. Tiro dúvidas sempre. Tenho um professor em casa.

A sua família foi a primeira a atuar na arbitragem do basquete brasileiro. O que isso representa para você?

Na verdade, temos um outro caso, do Vander Lobosco e do Vander Junior, do Rio de Janeiro, mas somos filho com pai e mãe. É diferente e raro. É muito bacana o apoio que recebemos.
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Nos seus planos você sonha em trabalhar em um Mundial ou em uma Olimpíada?

Desde quando fiz o curso de arbitragem e quando comecei a apitar, tinha traçado as metas de chegar no NBB e ser árbitro da FIBA. Agora que consegui, tenho sim o sonho de participar de um Campeonato Mundial e de uma Olimpíada. É um sonho de qualquer profissional.