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17/10/2014 - Renato Brito Cunha

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Técnico da Seleção Brasileira masculina nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, em 1964, Renato Brito Cunha foi o responsável por levar a equipe nacional que tinha grandes nomes como Amaury Passos, José Edvar Simões, Rosa Branca e Wlamir Marques à conquista da única medalha do Brasil naquela edição dos Jogos. Nos 50 anos do bronze, no próximo dia 23 de outubro, o ex-treinador, que também soma um quarto lugar na Olimpíada do México (1968) e a nona posição em Los Angeles (1984), fala da celebração da data e relembra momentos da disputa olímpica.

O que representa para você a comemoração dos 50 anos da medalha?

É uma marca interessante. Nunca vou esquecer essa medalha porque foi a única da delegação brasileira nos Jogos de 1964.
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Como encarou a responsabilidade de substituir o Kanela no comando da seleção?

Eu tinha sido assistente técnico do Kanela (Togo Renan Soares) na Olimpíada de Roma, em 1960, quando conquistamos o bronze. E também já tinha sido técnico da Seleção em alguns jogos. Não teve problema porque eu tinha gabarito para assumir a função.

E como foi lidar com a pressão por um bom resultado já que aquela geração tinha sido bicampeã mundial?

Foi difícil porque nosso treinamento tinha sido sacrificado. Só consegui reunir o time todo lá no Japão para aplicar meu estilo de jogo e a equipe apresentou um pouco de irregularidade por causa do pouco treinamento. Mas a derrota no primeiro jogo fez o time seguir o caminho certo.
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Essa derrota na estreia para o Peru (58 a 50) abalou a equipe?

O Peru tinha tido mais tempo de treinamento do que a gente. Mas trabalhamos para nos recuperarmos no jogo seguinte.

E a partida seguinte era contra a forte Iugoslávia...

A Iugoslávia era candidata ao título. Nunca vou esquecer daquela partida. Conversei com os jogadores e jogamos de igual para igual, marcando muito bem. Lembro o placar de cabeça até hoje porque ninguém acreditava que o Brasil poderia vencer. E vencemos por 68 a 64.
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Qual a importância dessa vitória para o Brasil na conquista da medalha?

Foi muito importante, pois deu moral para todo o grupo. Depois da vitória sobre a Iugoslávia, ganhamos da Coreia do Sul (92 a 65), Finlândia (61 a 54) e Uruguai (80 a 68). Perdemos dos Estados Unidos (86 a 53) e derrotamos a Austrália (69 a 57). Na semifinal, acabamos perdendo para a União Soviética (53 a 47). Mas vencemos Porto Rico (76 a 60) na disputa pela medalha de bronze.

Como foi esse jogo contra Porto Rico?

Porto Rico tinha feito jogo duro com os Estados Unidos. Treinamos uma boa tática de defesa para marcar o armador deles. Eles tiveram dificuldade para jogar e colocamos 20 pontos de frente. Acabamos vencendo por 16 pontos (76 a 60).

Para encerrar, como foi trabalhar com um grupo tão experiente?

Foi fácil, não tive dificuldades neste sentido. Eram todos bons jogadores, inteligentes, responsáveis e que tinham total noção da responsabilidade do que era disputar uma Olimpíada.