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12/09/2014 - Tainá Mayara da Paixão

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Tainá Mayara da Paixão, de 22 anos e 1,71m, está cheia de motivos para comemorar. A armadora da Seleção Brasileira Adulta já possui os títulos de bicampeã sul-americana (Argentina/2013 e Equador/2014) e bronze na Copa América (México/2013). Mas Tainá destacou que a torcida nacional poderá ter grandes surpresas com esse grupo que se prepara para o 17º Campeonato Mundial da Turquia, de 27 de setembro a 5 de outubro. A paulista de Jundiaí (SP), que joga no América de Recife (PE), foi um dos destaques do Brasil no Campeonato Sul-Americano do Equador e nos amistosos internacionais contra Turquia, Austrália, Canadá, França e Angola. Tainá garante que está pronta para assumir o papel de armadora titular da equipe principal.

O que significa defender pela primeira vez o Brasil em um Mundial?

Ainda não tenho o significado disso definido. Só sei dizer que é tudo para a gente que treina e batalha todo dia por esse objetivo. É uma sensação inexplicável. Quero muito defender o meu país e trazer um bom resultado.
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O que você tem achado da temporada de preparação?

Achei que toda preparação foi bastante proveitosa. O que podia ser feito foi feito. Soubemos fazer e impor o nosso jogo contra os nossos adversários. Conquistamos o 25º título Sul-Americano e mesmo não estando tão acostumadas com o nível técnico das equipes da Europa, fizemos bons jogos.

O Brasil está no Grupo “A” do Mundial e terá como adversários na primeira fase as seleções da República Tcheca, Espanha e Japão. Que analise você faz desse grupo?

Eu achei um grupo bastante forte. São grandes equipes com muito potencial, mas tenho certeza que elas pensam o mesmo da Seleção Brasileira. Vamos forte para tentar colocar em prática tudo que temos treinado. Tenho certeza que serão jogos duros, mas disputados de igual para igual. Temos estudado muito sobre as atletas individualmente e tentando chegar prontas para cada adversário.

Qual sua expectativa para o Mundial da Turquia?

A melhor possível. Já estão treinando com a gente os reforços que faltavam que são a Érika[de Souza], a Damiris [Dantas] e a Nádia [Colhado]. Elas ainda estão se encaixando na equipe e faltam poucos movimentos para passar para elas. Pelo que treinamos temos capacidade de conquistar bons resultados e quem sabe até surpreender nesse Mundial.
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Como tem sido esse processo de integração das pivôs que chegaram. Nádia e Damiris são bastante novas, mas como é ensinar as jogadas para uma pivô experiente como a Érika?

Eu na posição de armadora tenho mais facilidade de passar esse tipo de informação para uma jogadora nova, pela facilidade na leitura do jogo. Nunca havia treinado com a Érika e confesso que no início me senti mal, pois não sabia se poderia falar as coisas como deveriam ser ditas para ela. Mas ela é ótima. Dá muita abertura para falar e é uma forma de passar um pouco do que ela sabe. A Érika tem um currículo fantástico em participações com a Seleção Brasileira e está entre as melhores do mundo, enquanto estou indo para o meu primeiro Mundial. Agora já me sinto a vontade até de cobrar [disse entre risos]

Na sua opinião, quais os pontos fortes da seleção brasileira para esse Mundial?

O Brasil é um time muito aguerrido, com as atletas jogando com muita garra independente do adversário. Temos um jogo de transição muito rápido que deixa outros times para trás nisso. Em cada posição temos jogadoras com características bem diferentes. Isso pode fazer a diferença, pois se o banco é forte como as titulares o nível da equipe sobe mais ainda.

E o que falta melhorar para a competição?

São detalhes, como acabar de integrar as novas jogadoras e encaixar um pouco mais as jogadas. São pequenas coisas que podem fazer a diferença.

O que esperar da atleta Tainá neste Mundial?

Espero dar o meu melhor. Sei que preciso melhorar em alguns aspectos, mas tento me superar todo os dias. Pretendo mostrar garra e determinação.
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Você começou com o pé direito na Seleção Adulta. Bicampeã sul-americana e bronze na Copa América. Que lições você tirou desses campeonatos?

Defender uma categoria adulta é bem diferente de uma de base, que já havia jogado pelo Brasil. É um nível muito maior. Mudei muito desde que recebi minha primeira convocação para a Seleção Adulta, que eu nem esperava que viria. Estou hoje bem mais ousada, me sinto a vontade e solta com o grupo. Em um ano com a equipe me sinto uma jogadora muito diferente e bem mais confiante. Perdi todo receio e medo de errar. Consigo jogar de igual para igual contra qualquer adversário. E o mesmo aconteceu com o resto do grupo. A comissão técnica acredita muito na gente e não há como não procurar honrar isso.

Como explicar o seu excelente desempenho no Sul-Americano e nos amistosos na Europa?

É resultado de muito treino e dedicação. O trabalho de renovação iniciado no ano passado ajudou bastante nos dando tempo de quadra e possibilidade de amadurecer e desempenhar o meu jogo. Mas como todo esporte coletivo, se não fosse as meninas nada disso seria capaz. O grupo todo procura fazer o seu papel bem feito e isso reflete em uma ou outra que acabam se destacando em uma partida.
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Depois do treino você sempre fica atrás do técnico para pedir novos exercícios específicos de fundamento. De onde vem essa vontade de se tornar uma jogadora de ponta?

Me cobro bastante e sempre acho que posso melhorar. Se no meio do jogo a bola escapa da sua mão, então significa que você tem algo a melhorar. É em busca da perfeição que sempre peço ajuda com exercícios de aprimoramento. O Cristiano [Cedra, assistente técnico] me ajuda muito com essa parte. Treinei com ele em Ourinhos (SP) e evoluí bastante em vários pontos.

Você também se mostrou uma pessoa de liderança dentro de quadra. Como você se vê nesse papel?

Na verdade, desenvolvi isso com a seleção. Quando fui convocada pela primeira vez, eu ficava muito no meu canto e quase não falava, mas o Zanon [Luiz Augusto, técnico] e o Cristiano viviam me falando para que eu falasse com meninas e exercesse o trabalho de liderança, comum no papel de uma armadora. Eu não tinha isso muito aflorado, mas as meninas também foram me dando abertura e eu consegui me soltar.

Você também se mostrou uma pessoa de liderança dentro de quadra. Como você se vê nesse papel?

Na verdade, desenvolvi isso com a seleção. Quando fui convocada pela primeira vez, eu ficava muito no meu canto e quase não falava, mas o Zanon [Luiz Augusto, técnico] e o Cristiano viviam me falando para que eu falasse com meninas e exercesse o trabalho de liderança, comum no papel de uma armadora. Eu não tinha isso muito aflorado, mas as meninas também foram me dando abertura e eu consegui me soltar.
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Há muitos anos o papel de armadora da Seleção Adulta é da Adrianinha Moisés, que em breve deve se aposentar. Você se sente pronta para assumir essa vaga?

Sim. Estou trabalhando muito duro em busca disso. Treino e tento fazer o meu melhor todos os dias. A Adrianinha é uma grande companheira e sempre tenta me ajudar com isso. Eu escolhi ir jogar em Recife para estar mais próxima dela. Para mim ela é a melhor do Brasil, então é com ela que sempre quis treinar. Presto muita atenção nas movimentações dela e peço para me ensinar algumas bandejas que ela faz e ninguém consegue marcar ou fazer um bloqueio. Nos treinos procuro marcar ela para ter essa preparação também. Ela me ajuda muito.

Os treinadores dizem que fisicamente você tem potencial para jogar fora do Brasil. Esse é um sonho seu?

Meu sonho é que o nível do basquete do Brasil fosse bem maior para que eu não precisasse sair daqui. É verdade que já melhorou muito, mas ainda estamos procurando essa evolução. A WNBA é a maior Liga do mundo e ainda falta muito para qualquer país alcançar esse nível. Então, hoje eu quero sim ir jogar lá ao lado das melhores, mas não é uma coisa que penso sempre. Se acontecer será fruto do meu trabalho. Tento pensar mais no agora.
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Na LBF você defenderá o América. Já está adaptada com a cidade de Recife?

Já estou super adaptada. As meninas e a comissão técnica me receberam muito bem e me sinto totalmente parte da equipe. Se não fosse o calor que faz lá estaria tudo perfeito. Esse é o mais difícil de se acostumar.

Depois dessa temporada na seleção, você acha que retornou ao clube jogando melhor?

Com certeza. Quando volto dos treinos ou de uma competição com a seleção, a confiança fica inabalada para defender o clube. Além disso, quando vamos bem e conquistamos algum título o astral é alto. Então, voltei bem melhor para o clube do que quando sai.
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Qual a importância da família em sua carreira?

A minha família é tudo para mim. Eles são o meu suporte e os meus guias. Peço a opinião deles para tudo. Comecei a jogar aos seis anos de idade levada por eles, então sempre estiveram ao meu lado em qualquer momento. Sou a mais nova de quatro irmãs, então elas [Jéssica, Eldra e Kelly] cuidam bastante de mim. Nos falamos todos os dias pelo telefone ou internet.

O que gosta de fazer fora das quadras?

Quando vou para casa, em Jundiaí (SP), e a família se reúne o assunto é sempre o mesmo: basquete. As minhas três irmãs jogaram basquete, então não tem como ser diferente. Gosto de ficar em casa, comer a comidinha que a minha mãe [Esmeralda] faz e ficar perto do meu pai [Antônio]. Gosto muito de ir ao cinema com meu namorado [Sidão], que namoro há mais de três anos. Sempre fui mais caseira.
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Qual o seu ídolo no esporte?

Sempre gostei de ver a Magic Paula e a Hortência, mas da minha geração é a Adrianinha que mais vi jogar. As minhas irmãs também jogavam como armadoras, então acabava me espelhando nelas.

E o que o basquete trouxe para a sua vida?

Não sei o que seria de mim se tivesse escolhido outra carreira. Agradeço sempre as minhas irmãs que me levavam desde muito pequena aos treinos de basquete. O basquete é tudo para mim e o que eu quero fazer por muito tempo. Comecei a faculdade de serviço social e quando não puder mais jogar quero trabalhar com basquete social e ajudar a trazer mais praticantes para a nossa modalidade.