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28/08/2014 - Nenê Hilário

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Um dos mais respeitados pivôs da NBA e do planeta, Maybyner Nenê Hilário, o Nenê, vai disputar pela primeira vez um mundial, a Copa do Mundo da Espanha em 2014. O brasileiro estreou na Seleção Brasileira aos 18 anos, na Copa América de Neuquén, na Argentina, em 2001. Aos 31 – completa 32 no dia 13 de setembro na véspera da final –, o paulista de São Carlos está confiante em ajudar o Brasil na conquista de uma medalha na competição. Na NBA, depois de se consagrar no Denver Nuggets em dez temporadas, Nenê passou a defender o Washington Wizards em 2012 e é uma espécie de embaixador brasileiro na Liga Americana. Nesta entrevista em Granada, Nenê, que quebrou uma regra na NBA ao jogar com o apelido na camisa, falou do seu momento como atleta, pai e cidadão brasileiro e confessa: "o céu é o limite para essa geração".

Como está sua expectativa para disputar o primeiro Mundial?

Muito feliz, alegre e contente. Já tive algumas chances de jogar um Mundial, mas fui cortado por lesão como ocorreu há quatro anos antes do Campeonato da Turquia. Hoje estou aqui bem de cabeça e de saúde para ajudar meus companheiros a buscar um grande resultado na Espanha. Queremos o título, mas sabemos que para isso acontecer tudo tem que ocorrer direitinho em cada segmento da equipe.
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E a sua expectativa em relação a essa geração na Copa do Mundo?

É um grupo experiente e sabe o que quer. Sabemos das nossas condições e o céu é o nosso limite. Estamos trabalhando muito duro para disputar essa Copa do Mundo e com muita vontade de ganhar. Sabemos das dificuldades de cada adversário e como eles jogam. Particularmente, sei como enfrentá-los. Só mudam as regras da NBA para as da FIBA. Não conheço todos os adversários e sim algumas seleções, mas conheço alguns jogadores que jogam na minha posição.

Você está otimista com a participação na Copa do Mundo?

Eu vejo um grupo bem preparado. E uma comissão técnica fazendo uma preparação adequada, com todos jogadores sem problemas de lesões, sadios, com a cabeça focada na competição, além de uma união muito forte. Isso tem me ajudado e a todos os outros jogadores. Isso é tudo para dar resultado em um trabalho. Todos querem dar o melhor de cada um nesse campeonato. Volto a falar: “o céu é o nosso limite” e vamos lutar para brigar por uma medalha, se possível de ouro.
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E os seus planos para o futuro?

Não faço planos. Deixo nas mãos do Senhor Jesus. Ele (Deus) vai saber a hora certa que devo e como anda minha capacidade para seguir jogando basquetebol. No momento foco naquilo que estou fazendo. O futuro a Deus pertence. A gente pode fazer planos, mas é Ele (Deus) que vai direcionar nosso destino.

Você sempre foi religioso?

Sempre fui cristão, inclusive tenho muita fé em Deus e procuro ser uma pessoa obediente em todos os aspectos. Sei que já errei, mas hoje procuro ser uma pessoa voltada para a palavra de Deus, cumprindo sempre o bem.
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Na época você não gostou de sair do Denver e ir para os Wizards. Dá para dizer que você está curtindo muito a equipe e o momento dela na NBA?

Lógico que você não vai feliz para uma equipe que era a segunda pior da Conferência Leste. Mas com as coisas indo bem, começamos a incomodar e hoje já estamos fazendo muitas coisas boas em playoffs. Isso deixa todos felizes com o trabalho que vem sendo feito nos Wizards.

Você é uma referência para os meninos que querem jogar basquete. Qual conselho que você daria?

Tem que treinar muito. Isso que aconteceu comigo não vem de graça. Você tem que lutar, sacrificar, treinar muito e sempre ter fé. Não basta ter talento para ser jogador. É preciso correr atrás, dedicar ao máximo, ter uma disciplina em tudo. Eu sempre deixei nas mãos do Senhor.
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E a parceria no quarto e em quadra com o Larry Taylor?

A gente se entende muito bem (risos).

O que você sente quando veste a camisa da seleção brasileira?

É um sentimento de responsabilidade muito grande o de representar 200 milhões de brasileiros. Isso tenho absoluta certeza que é o que sinto.

Em uma entrevista para a CBB, em 2001, com apenas 18 anos, na sua primeira competição adulta, o Sul-Americano do Chile (2001), você disse que você não tinha muita confiança no meu arremesso e que preferia passar a bola. Como e quando essa confiança apareceu e te transformou neste astro da NBA?

Eu cheguei jovem na Seleção em 2000 e jogando uma sequência muito grande de campeonatos nas categorias Sub-18, Sub-21 e adulto. Mas quando você é jovem usa o vigor físico, agora fiquei velho e depois de muitos anos de treinos, passa ter mais confiança no que está fazendo. No Washington, eles me deram o apoio e eu passei a usar o que tinha também de arremesso. Sempre tive um bom chute, mas procuro também dar os passes para os companheiros.
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Como você define seu estilo de jogo?

Meu estilo é fazer o possível para o time que estou jogando ganhar. Fazer ao lado dos meus companheiros o meu melhor e usar o talento para conquistar as vitórias.

Você nasceu em São Carlos, no interior de São Paulo, mas mora e possui família nos Estados Unidos. Pretende algum dia voltar?

Depende muito da época em que tiver que tomar uma decisão. Morar no Brasil ainda não sei porque construi toda minha vida nos Estados Unidos. Meu objetivo é dar a melhor educação possível aos meus filhos e como ainda tem muita coisa para rolar. Mas não penso nisso ainda.

Você toca contrabaixo, que músicas você gosta de tocar e ouvir?

Sou eclético para ouvir música, mas gosto muito de música que fala a palavra de Deus. Como cristão gosto desse tipo de música

Nas quadras você é pura ousadia e alegria, como é o Nenê em casa com a família? Qual o programa preferido?

Sou uma pessoa bem simples e tranquilo, além de muito caseiro. Saio para ir ao cinema e encontrar com amigos em restaurante. Gosto também de fazer jantares em casa, mas não sou o cozinheiro. Felizmente, hoje consigo fugir da cozinha, mas já fui bom fazer de ovos quando não tinha ninguém que me ajudasse.
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Você vem de uma família muito humilde e é muito religioso, há três anos ganhou um presente de Deus, que foi o Mateus. Quais são as crenças e lições que você procura passar para o seu filho?

Agora é época do Mateus se divertir em tudo, brincar e assistir bons desenhos. Procuro passar pequenos ensinamentos como quando ele ganhar um presente, tem que doar algo para alguém. Presto atenção no que ele vê na TV e só deixo assistir desenhos sadios. Também gosto de ficar ouvindo música com ele e mostrando que a música e o desenho são coisas do universo dele no momento, sempre mostrando como fazer as coisas de forma certa.

Gostaria que o Mateus seguisse seus passos no basquete?

Ele vai ser o que ele escolher. É lógico que tem o DNA do basquete do pai e da mãe. Ele estará praticando muitos esportes e ai vai escolhher o que for melhor para ele. A mãe [Lauren Hilário] foi atleta de várias modalidades como boxe, basquete, atletismo, vôlei, natação. O meu papel é dar o maior suporte a ele no que ele escolher.

9. Você e sua esposa, a Lauren, são muito unidos e estão sempre juntos. As decisões dia a dia também acontecem em conjunto? Ou é a mulher que manda em casa e você se contenta em mandar no garrafão?

Lá em casa é ela que decide as coisas. O resto é comigo. [risos]
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Quando você parar de jogar pretende continuar trabalhando com a modalidade? Já pensou sobre isso?

Vivo muito intenso e gosto muito de música. Quero estar no meio da música pelo que sou hoje, com a música no meu sangue. Mas o futuro a Deus pertence.