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09/07/2014 - Humberto Luis Gomes da Silva

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Com apenas 19 anos, o ala/armador Humberto Luis Gomes da Silva, de 1,94m, se surpreendeu com o convite da comissão técnica para integrar pela primeira vez a Seleção Brasileira Adulta, que se prepara para o Campeonato Sul-Americano da Venezuela, que será disputado na Ilha de Margarita, entre os dias 24 e 28 de julho. Apaixonado por basquete e futebol, o jovem estava em casa de férias e não esperava ser convocado num momento de lazer. Agora o ala/armador quer conquistar uma vaga entre os 12 atletas que serão selecionados pelo técnico José Neto para participar do torneio continental. Nessa entrevista Humberto fala da sua carreira, a expectativa da participação do Brasil no Sul-Americano, a entrada do amigo Bruno Caboclo na NBA, seu ídolo no basquete e muito mais.
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Quando surgiu seu interesse pelo basquete?

Comecei com dez anos no Banespa. Eu observava meu irmão Heitor Augusto e quando acabavam os jogos e os treinos, eu batia uma bolinha com alguns amigos. Um representante do Banespa (SP) me viu jogando e por causa da minha altura me convidou para fazer um teste no clube. No início, eu não queria, pensava mais em jogar futebol. Mas depois fui evoluindo. Aos 11 anos fui para o São Paulo. Depois fiquei um ano no Circulo Militar (SP). Passei por seleções paulistas de base e há quatro anos visto a camisa do Pinheiros (SP).

Você teve bons professores no decorrer da sua carreira?

Sim. Quando estava no Circulo Militar (SP), o professor Wilson Corrêa me deu muito apoio. Cheguei cru, muito novo, não tinha leitura do jogo. Ele me passou muitas dicas e mostrou a parte técnica. Logo depois, passei a atuar pelas seleções de base. Fui evoluindo muito. Outra pessoa muito importante na minha trajetória foi o técnico Cláudio Mortari. Ele me deu espaço para crescer no Pinheiros (SP) e confiou no meu trabalho. Hoje estou treinando com na seleção brasileira adulta.
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Sua família te incentivou a praticar basquete?

Todos me apoiaram. Meu irmão e meu pai (José Marcos) foram jogadores amadores. Minha mãe (Dona Elizete) sempre me levava aos treinos. Fora minha namorada, que me dá apoio no dia a dia.

Como você recebeu esse convite para a Seleção Adulta aos 19 anos?

Foi uma surpresa no ponto de vista porque estava em casa de férias, num momento mais relaxado, desligado. Mas dentro de quadra, eu trabalhei para isso. Venho me empenhando muito em cada temporada. É um sonho para mim, e agora tenho que aproveitar esse momento para estar entre os 12 atletas que disputarão o Sul-Americano. Agradeço também o incentivo do Claudio Mortari (Supervisor do Pinheiros). É gratificante ver que a CBB está olhando para o meu trabalho. Motiva muito.
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Qual sua expectativa para a participação do Brasil no Sul-Americano?

É a melhor possível. Estamos na segunda semana de treinos e a evolução da equipe está grande. Já assimilamos o que o técnico Neto (José Alves) quer em quadra e melhoramos o posicionamento a cada treino. Temos um bom time e vamos buscar o título.

Quem são os principais adversários na competição?

São os adversários de sempre. Argentina, principalmente, e o Uruguai. Sem esquecer o Paraguai que vem evoluindo.
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Como é trabalhar com o técnico José Alves Neto?

Quando eu estava treinando na seleção brasileira Sub-15, em São Sebastião do Paraíso (MG), tive a oportunidade de ver o Neto dando treino para a equipe Sub-19 de desenvolvimento. As seleções treinaram juntas. O Neto é uma pessoa que adora elogiar e levantar o astral do atleta. Gosto muito do estilo de treinamento dele, é de muita intensidade. Trabalho duro mesmo! Toda a comissão técnica está de parabéns. Os outros jogadores também me dão muitos conselhos e fui bem recebido por toda a equipe.

Como é o Humberto na seleção brasileira?

Uma pessoa trabalhadora, que gosta de brincar quando não está em quadra. Cheguei tímido, sou um dos mais jovens, mas já conhecia grande parte do grupo. Agora já estou em casa e sou amigo de todos. Assim como o Neymar, eu procuro seguir o lema “Ousadia e Alegria”. Como fui o único convidado, tenho que mostrar serviço. Porém tento não pensar nisso para não pesar nos meus treinamentos. Não me sinto pressionado, todos me deixaram bem relaxados. Quero agarrar esta oportunidade e seguir na seleção.
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Como é o seu dia fora das quadras?

Gosto muito de ficar com minha namorada Larissa (Larissa Tamaro) e curtir o tempo livre com meus pais. Atualmente, moro com eles em Diadema (SP), mas antes morei seis meses com o Bruno Caboclo, no Jardim Europa, bem perto do clube Pinheiros (SP). Antes de me apresentar a seleção, eu reunia muitos amigos em casa para assistirmos aos jogos da seleção na Copa. Aliás, eu adoro futebol. Gosto de jogar e acompanhar todas as partidas.

Você tem algum ídolo no basquete?

Dizem que meu estilo de jogo se parece com do Russell Westbrook, do Oklahoma City Thunder, da NBA. O cara é uma fera. Só de parecer um pouquinho já fico feliz. Tento seguir seus passos. Acompanho muito os jogos dele na NBA. Também me inspiro no Leandrinho, que atuou na última temporada no Phoenix Suns. Desde que comecei a jogar eu acompanho o estilo de jogo dele e tento seguir.

O que significou ser vice-campeão da Liga das Américas?

Foi uma sensação única. Quando começou o campeonato não imaginava atuar tanto nos jogos. Foi muito importante para o meu crescimento. Estar jogando contra o Marcelinho Machado e o Marquinhos, jogadores que acompanhava na TV. Foi um sonho. Queríamos o título e jogamos de igual para igual contra o favorito do campeonato. O fator casa pesou, já que o Maracanãzinho estava lotado e a torcida rubro-negra empurrou o time deles. Acredito que se o jogo fosse num ginásio neutro, o placar poderia ter sido diferente.
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Fale um pouco sobre a participação do Pinheiros na última edição do NBB?

O time vinha de jogos desgastantes na fase de classificação, mas não esperávamos encerrar na série dos playoffs de oitavas de final perdendo de três a um para o Mogi das Cruzes. Mas perdemos para um grande adversário que foi semifinalista do NBB. Temos que virar a página e pensar na outra competição.

Como você a chegada do Bruno Caboclo na NBA?

Somos muito amigos e fiquei muito feliz com sua ida para o Toronto Raptors. A ida dele abre uma nova porta para os mais novos. Ele vai se sair muito bem na NBA porque é um jogador versátil e de muita intensidade. Cada ano que passa ele evolui mais. É mais um jogador brasileiro levando nossa bandeira para lá e as pessoas vão olhar mais para o basquete praticado no nosso país.

Quais seus planos para o futuro?

Não gosto de ficar planejando o futuro. Espero as coisas acontecerem. Fui medalha de bronze pelo Pinheiros na Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), em 2013, e depois consegui meu espaço no time adulto em 2014. Tudo foi naturalmente. Mas jogar a NBA depois da ida do Bruno Caboclo se tornou uma realidade. Terei que me dedicar muito para chegar lá. Por enquanto vou me empenhando nos treinamentos no Pinheiros e na seleção brasileira.